Advogado da técnica em enfermagem que acusa o senador Magno Malta (PL-ES) de agressão, Newton Carlos Viana disse ao Metrópoles que “ninguém espera que um representante do povo no Congresso tenha atitude desarrazoada desta maneira”.
O advogado citou que o parlamentar registrou um Boletim de Ocorrência contra a profissional do Hospital DF Star, em Brasília, e sugeriu que poderia tê-la atingido sem querer.
“Ainda que ele tivesse nervoso, sob efeito de medicação, a condição dele como senador não o permitira agir como ele agiu. Sou advogado de sindicatos há muitos anos e as agressões são recorrentes. Não dá para a gente fechar os olhos para isso, porque técnico em enfermagem apanha quase todo dia. No caso dessa, tomou repercussão toda tendo em vista o cargo que ele tem”, declarou.

Senador Magno Malta (PL-ES) internado após um mal súbito
Imagem cedida ao Metrópoles


Caso aconteceu em 30 de abril, no Hospital DF Star


Magno Malta te sequela de tumor que causou lesões à medula nos anos 2000
Reprodução / Redes sociais
A técnica em enfermagem disse à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) que foi atingida com tapa no rosto após extravasamento, no braço do senador, do líquido de contraste para um exame. Quando a técnica explicou a necessidade de compressão no local, o parlamentar teria reagido de forma agressiva. Ela contou, também, que foi xingada de “imunda” e “incompetente”.
Uma testemunha, que também trabalha no hospital, deu depoimento à PCDF na manhã dessa quarta-feira (6/5). “A testemunha que foi ouvida disse que ouviu o senador chamar de incompetente por diversas vezes, porque estava muito agitado, não só a ela, mas todas as pessoas que estavam participando do exame”, disse o advogado da vítima.
Viana nega que tenha ocorrido qualquer conduta que possa imputar à técnica de enfermagem atitude negligente ou de imperícia.
O hospital informou que abriu apuração administrativa sobre o caso. A técnica de enfermagem está afastada do trabalho por orientação do médico particular, segundo a unidade de saúde.
O outro lado
Nas redes sociais, o senador negou as agressões. “Vocês me conhecem. Eu nunca encostei a mão em ninguém, nem nas minhas filhas, nem em nenhuma mulher. Isso é falsa comunicação de crime”, disse.
O parlamentar também se pronunciou por meio de equipe jurídica, que emitiu nota. No documento, a defesa diz que Malta encontrava-se sob forte medicação, com a cognição comprometida. Nesse contexto, teria reagido ao sofrimento físico – e não à profissional –, acionando imediatamente o médico responsável por seu acompanhamento.