Após receber o diagnóstico de autismo grau dois do filho, apenas um mês depois do diagnóstico de epilepsia, Laryssa Menjon viu sua vida virar de cabeça para baixo. Foi em meio a terapias, consultas e medicamentos que nasceu a vontade de criar algo capaz de melhorar a vida de mães atípicas.
A inspiração veio do Imersão Claro 2026, um programa gratuito de formação e desenvolvimento de jogos digitais voltado a jovens e adultos de favelas. A iniciativa é uma parceria entre a Claro e a SoulCode, que busca democratizar a educação tecnológica no mercado de games.
“Depois que me formei, fiquei muito pensativa. Se eles estão mudando a vida das pessoas, dedicando tempo para que a gente possa aprender, por que eu não posso fazer isso também?”, conta Laryssa.
Foi a partir desse impulso que nasceu o aplicativo Stepio. Com os conhecimentos adquiridos ao longo do curso, Laryssa desenvolveu um sistema para auxiliar na rotina diária de cuidado com o filho, reunindo em um único lugar agenda de compromissos, gestão de rotina e acompanhamento do desenvolvimento infantil, tudo em um design mais acolhedor para mães.
“Meu filho tinha que tomar remédio três vezes por dia e fazer terapia todos os dias da semana. O aplicativo me ajudou nesse sentido: ele oferece lembretes e controle de desenvolvimento em um só lugar”, acrescenta.
Onde tudo começou
Laryssa se deparou com a oportunidade de participar do programa no final de 2025, período em que estava afastada do trabalho devido ao nascimento prematuro do filho. O que a princípio era só uma curiosidade — até porque, para a biomédica, tecnologia ainda era um mistério — acabou dando um novo propósito à sua vida.
Com duração de dez semanas, a formação é realizada em formato online e ao vivo, com aulas de segunda a sexta-feira. O conteúdo abrange treinamento de soft skills, inglês para tecnologia, fundamentos da engine Unity 3D, física aplicada e desenvolvimento de projeto final.
Para Carmela, parcerias como esta mostram que enfrentar a escassez de talentos tecnológicos exige mais do que recrutamento: exige investimento estruturado na base da formação, para criar oportunidades onde tradicionalmente não existiam. “Partimos do princípio de que potencial é universal, mas o acesso não é. Por isso, estruturamos nossa formação para garantir equidade desde o início”, afirma.
Laryssa conta que assistia às aulas e realizava atividades com o filho no colo, precisando se dividir entre duas funções. “Eu queria ter uma carreira, mas ao mesmo tempo precisava cuidar do meu filho. Por várias vezes tive medo, mas pensava que estava fazendo aquilo por ele também.”
Para ela, o que a levou até o fim foi uma determinação construída dia após dia. “Acho que quando você coloca na cabeça que quer algo, tem que correr atrás. Para pessoas que não têm oportunidade, como eu não tive, uma iniciativa assim traz a chance, essa virada de chave. Não foi fácil, mas eu não desisti.”
Desde 2023, as iniciativas da Final Level já impactaram mais de 60 mil jovens e famílias. Por meio da SoulCode, já são mais de mil jovens da periferia capacitados, em parceria com organizações como Gerando Falcões, Casa do Zezinho e Instituto Verdescola.
Segundo Carmela, após o curso, o desempenho de alunos é acompanhado de forma contínua, com foco em empregabilidade e geração de renda. Os talentos são conectados ao mercado de trabalho por meio de oportunidades junto a empresas parceiras.
“Eu não me vejo fazendo outra coisa. Desde que vim para a área de tecnologia, descobri um universo completamente novo, pelo qual sou apaixonada”, afirma Laryssa.