Em geral, o carro começa a perder valor no momento em que sai da concessionária. É uma lógica antiga do mercado automotivo – e uma das principais barreiras para quem olha um veículo não apenas como meio de transporte, mas também como ativo de alto desembolso. Com o RZ 500e, a Lexus tenta reduzir esse desconforto logo na largada. O primeiro elétrico da marca no Brasil chega com uma proposta comercial desenhada justamente para atacar o tema da revenda.
O modelo já está disponível nas concessionárias do país por R$ 499.990 e começou a ser entregue nesta semana aos clientes que compraram durante a pré-venda, aberta em dezembro. A estratégia da Lexus para o lançamento combina produto e pacote financeiro: pelo programa Lexus Privilege, o carro oferece financiamento com taxa de juros a partir de 0% e recompra garantida com pelo menos 80% do valor da FIPE. A marca também fala em supervalorização de seminovos na troca.
A mensagem é direta: se o mercado tradicionalmente associa carro à perda de valor, a Lexus quer ao menos minimizar essa percepção. “Mais do que oferecer nosso primeiro elétrico no Brasil, queremos ampliar a experiência do cliente com uma proposta completa, que combina um produto tecnológico e sofisticado com condições comerciais desenhadas para tornar o RZ 500e uma escolha extremamente competitiva neste segmento”, afirma Nancy Serapião, head das marcas Lexus e GAZOO Racing no Brasil, pertecente ao grupo Toyota.
O carro ocupa um lugar importante dentro da operação local. Além de ser o primeiro elétrico da Lexus no Brasil, é também o primeiro elétrico do grupo Toyota no país. A rede da marca soma hoje 15 concessionárias. A expectativa de venda para esse modelo é de 60 carros no mercado brasileiro.
A chegada do RZ 500e também aparece dentro de uma leitura mais ampla da Lexus sobre eletrificação. A marca trata a nova tecnologia como complemento, não substituição. Nesse contexto, o elétrico passa a funcionar como nova porta de entrada para uma experiência diferente de uso, conectada a produto, revenda e serviços.
Motorização, autonomia e preço
O RZ 500e foi construído sobre a plataforma e-TNGA, pensada desde o início para veículos elétricos. O conjunto usa dois eAxles, um em cada eixo, com até 167 kW cada, além de uma bateria de íons de lítio de 77 kWh com sistema de refrigeração líquida. O resultado é uma potência total de 381 cv e 26,9 kgfm de torque instantâneo em cada eixo.
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DivulgaçãoA aceleração do Lexus RZ 500e vai de 0 a 100 km/h em 4,6 segundos
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DivulgaçãoA potência total é de 381 cv e 26,9 kgfm de torque instantâneo em cada eixo
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Na prática, isso permite aceleração de 0 a 100 km/h em 4,6 segundos. A autonomia é de 357 km, segundo o Inmetro. Em recarga rápida (DC), o sistema suporta até 150 kW e pode chegar a 80% da bateria em 30 minutos.
O carro também traz o sistema de tração integral, que controla automaticamente a distribuição de potência entre os eixos dianteiro e traseiro. O desenho externo adota a evolução da tradicional grade da marca para o conceito Spindle Body, em formato de ampulheta, enquanto o interior segue a filosofia Tazuna, com o painel levemente inclinado para o motorista.
A cabine reúne ainda central multimídia de 14 polegadas, conectividade com Android Auto e Apple CarPlay, sistema de som Mark Levinson com 14 alto-falantes, iluminação com 64 cores, teto panorâmico com controle eletrônico de transparência e revestimento em Ultra Suede produzido com 30% de material de base vegetal.
Além do pacote comercial, a Lexus tenta reforçar a proposta de previsibilidade no pós-venda com o programa LexusCare, que garante até 10 anos ou 200 mil quilômetros de garantia para veículos fabricados a partir de 2020, incluindo seminovos, sem custo adicional, desde que cumpridas as condições de manutenção na rede autorizada.
No fim, o RZ 500e entra no mercado brasileiro não apenas como o primeiro elétrico da Lexus, mas como um teste de outra conversa com o cliente. Em vez de tratar a desvalorização como dado inevitável, a marca tenta colocá-la no centro da proposta comercial. Não elimina a lógica histórica do carro como ativo depreciável, mas tenta torná-la menos dura já no momento da compra.