O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou indícios de irregularidades em repasses de cerca de R$ 39 milhões feitos pelo Exército Brasileiro ao Banco Master. Os valores são referentes a descontos em folha de pagamento de militares da ativa e da reserva, relacionados a empréstimos consignados.
As informações constam em um relatório de inteligência financeira enviado em março à CPI do Crime Organizado no Senado. O documento aponta duas possíveis irregularidades nas movimentações do banco, que pertencia ao empresário Daniel Vorcaro.
Uma das suspeitas é o débito imediato dos valores após o recebimento, o que pode indicar transações atípicas e possível desvio na destinação dos recursos. A outra é a concentração do dinheiro em uma única titularidade, prática que dificulta a identificação de beneficiários finais.
O contrato entre o Exército e o Banco Master foi encerrado em novembro do ano passado, após a liquidação da instituição pelo Banco Central. Em nota, a Força afirmou que não houve prejuízo aos cofres públicos, já que os valores são de origem privada, descontados diretamente dos salários dos militares.
Segundo o Exército, a instituição atuava apenas como intermediária nos repasses, efetuando os descontos autorizados e transferindo os recursos ao banco. O credenciamento do Master ocorreu por meio de edital público, com comprovação de requisitos legais e financeiros.
Dados do Portal da Transparência confirmam os valores citados no relatório. No período analisado, os repasses somam R$ 36,1 milhões em 2023, R$ 37,6 milhões em 2024 e R$ 23,4 milhões em 2025.
O relatório também menciona contrato semelhante com a Força Aérea Brasileira (FAB), que confirmou repasses ao banco em 2024 e 2025, mas não detalhou os valores. A Aeronáutica informou que suspendeu novas transferências após a liquidação da instituição financeira.