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Como a IA Generativa Está Assumindo o Controle das Frotas Brasileiras

A indústria de transporte e logística atravessa uma transformação silenciosa, mas profunda, movida pela coleta massiva de dados e pela inteligência artificial. No centro dessa evolução está a Geotab, gigante global de telemetria que, após consolidar sua presença em mais de 130 países e conectar 6 milhões de veículos ao redor do mundo, agora enxerga no Brasil um de seus pilares de crescimento mais estratégicos para os próximos anos.

Com uma frota nacional que ultrapassa os 125 milhões de veículos cadastrados e uma malha rodoviária superior a um milhão de quilômetros, o mercado brasileiro apresenta desafios logísticos e tributários únicos, mas também um potencial de digitalização sem precedentes. Quatro anos após estabelecer sua operação local com faturamento e infraestrutura próprios, a companhia canadense já atende gigantes como Mercado Livre e PepsiCo.

Em entrevista exclusiva, Eduardo Canicoba, vice-presidente da Geotab Brasil, detalha como a telemetria avançada e a integração de novas camadas de inteligência artificial, como o Geotab ACE, estão mudando a forma como gestores tomam decisões. Da prevenção de acidentes fatais à redução de emissões de poluentes, o executivo explica por que o dado anônimo se tornou o benchmark mais valioso para frotas que buscam o padrão global de segurança e produtividade.

Forbes Brasil – Hoje a operação brasileira conta com 16 pessoas, mas o Brasil é um mercado gigante. Como vocês estruturam o esforço comercial e o crescimento em um cenário tão vasto?

Eduardo Canicoba – Temos um time local de 16 pessoas, mas operamos através de uma rede de 14 parceiros estratégicos no Brasil. Não fazemos venda direta; nossos parceiros são os braços de vendas e marketing que levam nossa tecnologia ao cliente final. O Brasil é a maior economia da América Latina e a sexta do mundo, representando cerca de 60% do PIB da América do Sul. Com 125 milhões de veículos cadastrados, sendo mais de 4 milhões de caminhões, o potencial é gigantesco. Abrimos a operação Geotab Brasil há pouco mais de quatro anos para ter faturamento, armazém e suporte locais. Não se pode chamar uma empresa de global sem estar presente com força no Brasil.

FB – Em relação às tendências tecnológicas, o Brasil apresenta algum atraso em relação a mercados como o Canadá ou Estados Unidos?

Eduardo – Não existe atraso tecnológico. As tendências de crescimento no transporte são muito semelhantes entre Brasil, México e América do Norte. A evolução — que vai da gestão no papel para o tacógrafo e chega agora às câmeras com telemetria — está acontecendo simultaneamente. O que torna o Brasil mais complexo são os impostos e o modelo de negócio que exige faturamento e produção local. O mercado brasileiro é construído para o consumo interno e já possui competidores locais fortes, mas viemos pelo potencial. Se você dirigir pelas rodovias Bandeirantes ou Ayrton Senna, verá a quantidade massiva de caminhões. É onde marcas como Mercado Livre, PepsiCo e Coca-Cola operam, e é onde precisamos estar.

FB – O Mercado Livre é um dos seus maiores clientes no Brasil. Como funciona a aplicação prática da tecnologia de vocês na operação deles?

Eduardo – O Mercado Livre tem sua maior frota da América Latina justamente no Brasil. Eles utilizam nossa solução para melhorar o comportamento do motorista, diminuindo excessos de velocidade e acidentes. Ninguém quer um veículo com sua marca envolvido em uma fatalidade na Avenida Paulista. Além disso, eles possuem metas severas de sustentabilidade e veículos elétricos. Nós ajudamos na gestão desses dados em quatro países: Brasil, México, Chile e Colômbia. Como temos uma plataforma aberta (API), conseguimos integrar desde sensores de cinto de segurança e freio até câmeras que detectam se o motorista está cansado ou usando o celular.

FB – A instalação desses equipamentos em frotas tão diversas não é um desafio logístico e técnico complexo?

Eduardo – É um trabalho conjunto. Nossos parceiros trazem a expertise de campo. Imagine instalar equipamentos em 11 mil veículos espalhados de Porto Alegre a Fortaleza. É necessário deslocar equipes, remover painéis e configurar regras de software. No entanto, o hardware é padronizado. O mesmo equipamento Go que vai em um carro leve pode ir em um caminhão pesado ou elétrico. Em veículos novos, conseguimos extrair dados riquíssimos diretamente do barramento do veículo; em modelos muito antigos, focamos em localização e velocidade via chicotes de três vias. No final, entregamos dados para reduzir custos de combustível, manutenção de embreagem e emissões de CO2.

FB – Muito se fala sobre Inteligência Artificial. Como a Geotab está aplicando IA na prática para o gestor de frota?

Eduardo – A IA já está em tudo. Já usávamos Machine Learning para prever quando trocar uma bateria pela voltagem ou para reconstruir colisões. Agora, lançamos o Geotab ACE, que funciona como um modelo de linguagem generativa dentro do nosso software. O gestor pode simplesmente escrever: “Qual é o melhor motorista da minha frota?” ou “Qual veículo teve o melhor consumo de combustível na última semana?”. O sistema processa os dados e traz a resposta imediata, sem a necessidade de criar relatórios manuais complexos. Outro exemplo é na vídeo-telemetria: a IA filtra milhares de eventos de vídeo para mostrar apenas os cinco casos de maior risco, onde o motorista estava no celular ou quase colidiu, permitindo um coaching imediato e salvando vidas.

FB – Com 6 milhões de veículos conectados, vocês conseguem oferecer inteligência estratégica além da operação logística pura?

Eduardo – Sim, através de dados anônimos. Conseguimos oferecer benchmarks. Se você é uma empresa de e-commerce ou mineração, posso comparar sua frota com o padrão de comportamento daquele segmento na região ou no mundo. Você consegue saber se está acima ou abaixo da média de segurança e eficiência do mercado. O dono do dado é sempre o cliente, mas a inteligência que extraímos desses 100 bilhões de pontos de dados diários permite que as empresas estruturem estratégias globais baseadas em evidências reais de produtividade e segurança viária.



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