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Como a Tendência Viral da Geração Z Entrou no Ambiente de Trabalho

Se você passou algum tempo online recentemente, provavelmente percebeu que quase tudo agora está sendo levado ao “maxxing”. A tendência viral popularizada pela Geração Z propõe otimizar ou levar ao extremo um aspecto específico da vida, seja a aparência, o sono, a saúde ou a produtividade. Tem até o meaning maxxing, a mais nova tentativa de extrair mais propósito e realização do trabalho e da vida. E o “Chinamaxxing”, em que jovens ocidentais adotam hábitos e a estética da cultura chinesa.

“Career maxxing” e a pressão para buscar sempre mais

Em um primeiro momento, o termo parece motivador. Mas a ascensão da cultura do “maxxing” reflete um movimento mais profundo acontecendo no ambiente de trabalho atual: a percepção crescente de que o esforço comum já não é suficiente.

Os profissionais sentem cada vez mais pressão para otimizar todos os aspectos de sua carreira (e da vida, de maneira geral) para conseguir acompanhar o ritmo. E essa cobrança colide com um mercado de trabalho já marcado por jornadas infinitas, com escala 9-9-6 em algumas empresas, além da disrupção causada pela inteligência artificial e da fadiga provocada por demissões e burnout.

Ironicamente, até o “wellness maxxing”, voltado ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional, transformou o autocuidado em um projeto de performance – e mais uma fonte de estresse.

Como surgiu o “maxxing”?

O termo “maxxing” surgiu em comunidades online focadas em autoaperfeiçoamento. O objetivo não é equilíbrio, é maximização.

No ambiente de trabalho, essa mentalidade foi silenciosamente normalizada. Espera-se que os funcionários melhorem constantemente suas habilidades, construam marcas pessoais, aprendam ferramentas de IA, façam networking estratégico, monitorem o próprio bem-estar e permaneçam emocionalmente resilientes enquanto enfrentam demissões, reestruturações e incertezas econômicas. O que antes era considerado ambição agora é cada vez mais vivido como sobrevivência.

Por que o “maxxing” está explodindo agora

A IA intensificou o medo de ficar para trás. A inteligência artificial pode ser o maior acelerador dessa tendência no ambiente corporativo. Os profissionais estão vendo fluxos inteiros de trabalho mudarem em tempo real.

Muitos temem que suas habilidades se tornem obsoletas praticamente da noite para o dia. Metade dos 326 alunos de Harvard entrevistados por uma pesquisa da associação estudantil e do clube de segurança em IA da universidade disseram estar preocupados com o impacto da IA no mercado de trabalho. Mais de 40% dos líderes globais disseram que temem ser substituídos, segundo pesquisa da ADN Digital de 2024. Essa ansiedade cria um ambiente psicológico no qual a otimização parece necessária.

Os profissionais já não estão apenas focados em tentar ter sucesso e conquistar uma promoção. Eles estão tentando permanecer relevantes e escapar das crescentes exigências do mundo corporativo enquanto constroem suas carreiras. Isso ajuda a explicar a explosão de tendências como career cushioning (a estratégia de ter um plano B na carreira por segurança ou propósito), skillmaxxing e learningmaxxing.

As pessoas estão correndo para se tornar mais adaptáveis antes que a tecnologia as ultrapasse. O LinkedIn identificou recentemente cargos como engenheiro de IA, engenheiro de machine learning e analista de parcerias entre algumas das oportunidades de crescimento mais rápido para recém-formados, sinalizando a velocidade com que o mercado de trabalho está migrando para habilidades ligadas à adaptabilidade e à inteligência artificial.

O resultado é o que psicólogos chamam de “mentalidade de escassez”: o medo de que, se você parar de buscar esse autoaperfeiçoamento, ficará para trás.

As redes sociais transformaram o trabalho em performance

Plataformas como TikTok e LinkedIn apagaram a linha entre crescimento profissional e marca pessoal. O trabalho deixou de ser apenas algo que você faz. Está se tornando algo que você performa. Hoje, trabalhadores compartilham suas rotinas matinais, conteúdos do tipo “um dia na minha rotina”, rituais de bem-estar e hacks de produtividade e networking.

O ciclo de comparação se torna infinito. Pesquisas mostram consistentemente que a comparação social ascendente pode alimentar ansiedade, insatisfação e monitoramento crônico de si mesmo. Na cultura do maxxing, sempre existe alguém melhor e mais preparado do que você. O perigo disso é que a autoestima passa a ficar atrelada a métricas de performance.

Cultura do burnout

A edição de 2026 do Global Workplace Report mostra que o engajamento global dos colaboradores caiu para 20% em 2025, o nível mais baixo desde 2020, custando à economia mundial cerca de US$ 10 trilhões em perda de produtividade.

Nesse cenário, profissionais relatam altos níveis de estresse, preocupação e exaustão emocional. Muitos deles se sentem presos ao que especialistas chamam de “jornada infinita”, em que e-mails, mensagens e tarefas ultrapassam muito o horário tradicional de trabalho.

A tendência do maxxing oferece a ilusão de que, se você simplesmente melhorar o suficiente – dormir melhor, trabalhar de forma mais inteligente, meditar mais intensamente – finalmente conseguirá escapar da incerteza. Mas essa própria busca pode se tornar exaustiva.

A ascensão do “meaning maxxing”

Uma das mais novas variações no ambiente de trabalho é o meaning maxxing. A tendência de autoaperfeiçoamento é focada em maximizar propósito, realização e significado na vida, no trabalho e na carreira, em vez de otimizar apenas produtividade, status, aparência ou renda.

Profissionais mais jovens, especialmente a geração Z, querem cada vez mais carreiras alinhadas a valores, impacto e realização pessoal. Mas especialistas em saúde mental alertam que, quando as pessoas esperam que o emprego satisfaça todas as necessidades emocionais e existenciais, a decepção costuma vir em seguida.

Nenhuma carreira consegue fornecer constantemente tudo ao mesmo tempo, seja identidade, paixão, status, pertencimento ou estabilidade financeira.

Steve Jobs e Warren Buffett construíram carreiras de sucesso por meio de moderação e foco. Jobs disse certa vez: “Foco é saber dizer não”. E Warren Buffett: “A diferença entre pessoas bem-sucedidas e pessoas realmente bem-sucedidas é que as realmente bem-sucedidas dizem não para quase tudo.”

*Bryan Robinson é colaborador da Forbes USA. Ele é autor de 40 livros de não-ficção traduzidos para 15 idiomas. Também é professor emérito da Universidade da Carolina do Norte, onde conduziu os primeiros estudos sobre filhos de workaholics e os efeitos do trabalho no casamento.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com



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