A brasileira Luana Lopes Lara, de 29 anos, estreou na lista anual de bilionários da Forbes, divulgada na última semana. Ex-bailarina, ela é cofundadora da plataforma de mercados de previsão Kalshi e se tornou a mulher mais jovem do mundo a construir a própria fortuna e alcançar o status de bilionária, com um patrimônio estimado em US$ 1,3 bilhão (R$ 6,7 bilhões).
Luana tomou o posto da cofundadora da Scale AI, Lucy Guo, de 31 anos — dona de uma fortuna estimada em US$ 1,4 bilhão (R$ 7,3 bilhões) — que havia assumido o título em abril do ano passado.
Origem da fortuna
O valor de mercado da Kalshi cresceu mais de cinco vezes em 2025, saltando de US$ 2 bilhões (R$ 10,53 bilhões) em junho para US$ 11 bilhões (R$ 57,91 bilhões) em dezembro. Com cerca de 12% de participação cada, os cofundadores passaram a ter patrimônios estimados em US$ 1,3 bilhão (R$ 6,7 bilhões). Além de Luana, seu sócio na empresa, Tarek Mansour, também passou a integrar a lista de Bilionários da Forbes.
A seguir, conheça a história de Luana Lopes Lara
Nascida em Belo Horizonte (MG) e criada em Niterói (RJ), Luana passou pela Escola do Teatro Bolshoi, em Joinville (SC), e pela Escola Técnica Tupy, com foco em exatas. O interesse veio de família: seu pai é engenheiro eletricista; sua mãe, professora de matemática; e sua irmã, engenheira química. “Está nos genes”, disse à Forbes. Aprovada em Harvard, Yale e Stanford, optou pelo MIT, onde se formou em ciência da computação com bolsa da Fundação Estudar.
Foi lá que conheceu o sócio, o libanês Tarek Mansour, durante um estágio na Five Rings Capital, em Nova York. “Como traders, víamos pessoas tomando posições com base no que achavam que aconteceria com o Brexit ou a eleição do Trump. E se pudessem negociar diretamente os resultados desses eventos, como fazem com ações?”
A criação da Kalshi
Em uma caminhada voltando do trabalho, decidiram pedir demissão e se lançar no mercado de previsões. “É como o mercado financeiro, mas aplicado a eventos do mundo real, como eleições, premiações, clima, esportes e muito mais.” Na plataforma, usuários compram e vendem contratos que refletem a probabilidade de um evento ocorrer. Se a previsão estiver correta, recebem US$ 1 por contrato; se não, nada.
A Kalshi obteve aval da CFTC, agência federal que regula derivativos e futuros nos EUA, em 2020, após mais de três anos de negociações. Em 2023, o órgão barrou seus contratos eleitorais por considerá-los semelhantes a jogos de azar, mas uma decisão judicial abriu caminho para que, em 2024, a empresa passasse a oferecer previsões sobre a eleição presidencial (como “Trump voltará à Casa Branca?”), impulsionando esse mercado.
Os contratos ligados à política e aos esportes são os mais controversos: críticos dizem que os primeiros podem influenciar eleições, enquanto os segundos poderiam driblar regras estaduais de jogos de azar e ampliar as apostas esportivas, inclusive entre públicos mais jovens.
O sonho de ser a próxima Steve Jobs
Como COO da Kalshi, com cerca de cem funcionários, principalmente nos Estados Unidos, Luana responde por toda a operação. O volume semanal de negociações já supera US$ 1 bilhão, com mais de 90% em contratos esportivos. Em janeiro de 2025, Donald Trump Jr., filho do presidente norte-americano, passou a integrar o conselho consultivo da empresa; mais tarde, também entrou no board da rival Polymarket.
A formação como bailarina profissional ajudou a prepará-la para a disciplina, rejeição e dedicação inerentes à rotina empreendedora. No balé Bolshoi em Joinville, única filial fora da Rússia, as aulas iam das 7h às 21h. “Sabia que não era para sempre; queria fazer algo de grande impacto.”
Dançou profissionalmente na Áustria e focou no balé até o final do ensino médio, quando trocou definitivamente as sapatilhas pela matemática, com um objetivo: tornar-se a próxima Steve Jobs. “Quero ver até onde posso ir e o quanto posso conquistar”, diz. Luana também espera ser inspiração para os empreendedores brasileiros. “Nada é ‘loucura demais’. Você não vai querer olhar para trás e pensar que desperdiçou seu potencial.”