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Como Eric Trump Ficou Rico com Bitcoin Enquanto Fez Investidores Perderem uma Fortuna

Animar multidões não é útil apenas na política. Pergunte a Eric Trump, cujo negócio de bitcoin atraiu uma legião de investidores para depois despejar sobre eles grandes volumes de ações superfaturadas.

Eric Trump entrou em uma teleconferência de resultados em fevereiro pronto para fazer o que os Trump fazem melhor: vender. Sua empresa, a American Bitcoin, havia estreado apenas um ano antes e já era negociada na Nasdaq. “Estamos nos tornando rapidamente líderes no mundo do bitcoin, e realmente acredito que temos a maior marca de todas”, disse Eric. “Quero reconhecer Mike, Asher, Matt e todos da American Bitcoin.”

O encerramento chamou atenção — “todos da American Bitcoin” — porque praticamente não há mais ninguém na empresa. Um relatório anual divulgado um mês após a teleconferência indicou que a companhia tem apenas dois funcionários em tempo integral, provavelmente o CEO Mike Ho e o presidente Matt Prusak. Pode haver mais alguns nomes. Ho também atua como executivo em outra empresa. Uma profissional que trabalhou menos de um ano na área de relações com investidores dessa outra companhia agora se apresenta como chefe de gabinete da American Bitcoin no LinkedIn. Outra pessoa afirma ter começado como gerente de redes sociais em janeiro. Asher Genoot, presidente do conselho, integra um board de cinco membros com Ho e três diretores independentes.

A família Trump aprendeu há muito tempo que existe dinheiro em parecer maior do que realmente é. Fred Trump, pai de Donald, teria inflado seus lucros ao convencer autoridades de que seus projetos custavam mais do que de fato custavam. Donald Trump mentiu a bancos e a veículos como a Forbes sobre o valor de seus ativos, levando um juiz de Nova York a concluir que houve fraude. Eric Trump também foi envolvido nesse caso e ficou proibido por dois anos de atuar como executivo ou diretor de empresas no estado. Ainda assim, criou sua própria companhia, registrada em Delaware e sediada na Flórida, promovendo-a de forma que deixaria seus antecessores orgulhosos.

O mais recente empreendimento de Eric Trump em bitcoin pode estar vendendo mais uma narrativa do que um negócio. Segundo ele, a American Bitcoin consegue “imprimir dinheiro” ao minerar bitcoin por cerca de metade do valor de mercado. Mas uma análise mais detalhada levanta dúvidas sobre a capacidade da empresa de operar com lucro, muito menos com margens tão elevadas. Representantes de Eric Trump, da Trump Organization e da American Bitcoin não responderam aos pedidos de comentário. Ainda assim, muitos investidores confiaram na proposta e colocaram dinheiro real em jogo. Quando a empresa abriu capital em 3 de setembro, o mercado avaliou a companhia — com cerca de US$ 270 milhões (R$ 1,35 bilhão) em bitcoin no balanço — em US$ 13,2 bilhões (R$ 66 bilhões).

Nos últimos oito meses, a American Bitcoin aproveitou essa avaliação elevada para vender ações e comprar mais bitcoin. O papel, altamente diluído, caiu 92% desde o pico. Como Eric Trump aparentemente investiu pouco para entrar no negócio, ele segue em boa situação, tendo elevado sua fortuna pessoal de US$ 190 milhões (R$ 950 milhões) para US$ 280 milhões (R$ 1,4 bilhão). Outros insiders também lucraram. Já os investidores comuns, que compraram a narrativa, acumulam perdas estimadas em US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões).

O primeiro grande projeto independente de Eric Trump não foi um empreendimento imobiliário, mas uma entidade beneficente. Ele se formou em Georgetown em 2006 em finanças e gestão, interessado em causar impacto. Seus irmãos mais velhos, Don Jr. e Ivanka, já trabalhavam na Trump Tower com negócios imobiliários. Em uma viagem pela rodovia de Nova Jersey, como relatou depois à Forbes, passou a pensar em como poderia fazer a diferença. Assim nasceu sua primeira iniciativa empresarial: a Eric Trump Foundation.

A organização realizou diversas ações relevantes. Mais focada em arrecadação do que em operação direta, destinou mais de US$ 16 milhões (R$ 80 milhões) ao hospital St. Jude Children’s Research Hospital. Com o tempo, porém, surgiram questionamentos. Documentos obtidos pela Forbes indicam problemas de governança e inconsistências financeiras. Eric afirmava que os custos eram mínimos e que praticamente todo o dinheiro ia para o hospital, em parte porque utilizava clubes Trump gratuitamente e contava com apresentações sem cobrança. No entanto, registros mostram que mais de US$ 500 mil (R$ 2,5 milhões) foram destinados a outras instituições, mais de US$ 500 mil (R$ 2,5 milhões) foram para propriedades da família Trump, ao menos US$ 90 mil (R$ 450 mil) foram pagos a artistas e mais de US$ 35 mil (R$ 175 mil) foram gastos com serviço de motorista, que transportou inclusive sua mãe, uma integrante de reality show e um grupo que foi a um restaurante Hooters.

Na empresa da família, Eric passou anos trabalhando com hotéis e aprendeu que é mais fácil ganhar dinheiro com marca do que construindo negócios do zero. A Trump Organization entrou em inadimplência em um hotel em Chicago em 2008, levou sua operação em Atlantic City à falência em 2009 e teve dificuldades para lucrar com o hotel em Washington por anos. Com o tempo, adotou um modelo mais leve em ativos, focado em gestão e licenciamento.

Outro aprendizado veio do portfólio de campos de golfe, onde estruturas financeiras pouco convencionais permitiram expansão. Clubes cobravam depósitos dos membros e prometiam devolução após 30 anos sem juros. Essas obrigações afastavam investidores, mas Donald Trump assumiu cerca de US$ 250 milhões (R$ 1,25 bilhão) dessas dívidas, expandindo sua rede de propriedades enquanto tratava esses passivos como irrelevantes em seus balanços.

Em janeiro de 2017, quando Donald Trump foi para a Casa Branca, Eric e Don Jr. assumiram os negócios da família. Sem uma estratégia clara, Eric afirmou à Forbes: “Não somos uma empresa que vende ativos. Compramos coisas. Nós as tornamos bonitas.” Nos anos seguintes, no entanto, venderam cerca de US$ 411 milhões (R$ 2,055 bilhões) em ativos.

Então surgiu uma nova oportunidade: a eleição de 2024.

Duas semanas após a vitória de Donald Trump, a empresa que se tornaria a American Bitcoin foi registrada em Delaware. Inicialmente, não era um projeto de criptomoeda. Um investidor anunciou US$ 20 bilhões (R$ 100 bilhões) em data centers voltados à inteligência artificial. Pouco depois, Eric mudou de estratégia e se associou a executivos da Hut 8, empresa com operações relevantes de mineração de bitcoin.

O acordo deu à American Bitcoin participação de 20% nos equipamentos de mineração, enquanto a Hut 8 manteve infraestrutura e operação. A empresa passou a funcionar como uma marca, permitindo que a família Trump se concentrasse na promoção.

Eric também afirma que entrou no setor cripto após ser excluído por bancos. No entanto, registros mostram que a família continuou tendo acesso ao sistema financeiro e refinanciou cerca de US$ 700 milhões (R$ 3,5 bilhões) em dívidas entre 2021 e 2022.

Uma explicação mais plausível é a oportunidade de expandir o licenciamento da marca Trump. Projetos como NFTs geraram mais de US$ 7 milhões (R$ 35 milhões) em receitas.

Em 2025, acumular bitcoin virou estratégia de mercado. Mais de 200 empresas seguiram esse caminho. A American Bitcoin se destacou pela ligação com a família Trump. Eric afirmou que a empresa minerava bitcoin por cerca de US$ 57 mil a US$ 58 mil (R$ 285 mil a R$ 290 mil) por unidade, quando o preço era o dobro. Mas, considerando todos os custos, o valor real se aproximava de US$ 92 mil (R$ 460 mil).

A empresa investiu cerca de US$ 330 milhões (R$ 1,65 bilhão) na atualização de máquinas, usando uma estrutura financeira que permite pagar com dinheiro ou com bitcoin, dependendo do preço do ativo.

Com a queda de cerca de 30% no valor do bitcoin, há risco de a empresa precisar entregar as criptomoedas para quitar esses compromissos. A American Bitcoin comprometeu 3.090 bitcoins e minerou cerca de 1.800. Se os preços não subirem, todo o estoque pode ser consumido.

Cerca de 70% do bitcoin da empresa não vem da mineração, mas da venda de ações e compra direta no mercado. O modelo central é vender ações com base em uma avaliação elevada e usar os recursos para adquirir criptomoedas.

Nos primeiros 27 dias após o IPO, a empresa vendeu 11 milhões de ações por US$ 90 milhões (R$ 450 milhões), comprando cerca de 725 bitcoins. Em seguida, vendeu 7 milhões de ações por US$ 44 milhões (R$ 220 milhões) e depois 47 milhões de ações por US$ 106 milhões (R$ 530 milhões).

Entre janeiro e março, vendeu mais 84 milhões de ações por US$ 111 milhões (R$ 555 milhões) e comprou cerca de 1.430 bitcoins. No total, investiu cerca de US$ 525 milhões (R$ 2,625 bilhões) em criptomoedas que hoje valem US$ 390 milhões (R$ 1,95 bilhão), gerando perda de US$ 135 milhões (R$ 675 milhões).

Mesmo assim, a empresa continua minerando. O custo operacional caiu para cerca de US$ 47 mil (R$ 235 mil) por bitcoin, mas o custo total segue próximo de US$ 90 mil (R$ 450 mil), acima do valor de mercado.

Se os investidores deixarem de acreditar na narrativa, o futuro dependerá da valorização do bitcoin. Uma alta de 35% poderia permitir cobrir custos e transformar prejuízo em ganho.

Caso contrário, a alternativa pode ser buscar novos investidores. Um membro da família real dos Emirados Árabes Unidos já direcionou cerca de US$ 375 milhões (R$ 1,875 bilhão) para outro projeto ligado aos Trump. Há também conversas com fundos soberanos e empresas de energia da região, que possuem grande capacidade energética disponível para mineração.

Como resumiu um dos executivos envolvidos, trata-se de um modelo que aposta em oportunidades de arbitragem.

*Matéria originalmente publicada Forbes.com



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