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Como um Filme Transformou uma Pizzaria em Império de 300 Milhões de Pizzas Ao Ano

300 milhões de pizzas por ano. 80 lojas em cinco continentes. Uma engrenagem movida por cinco gerações da mesma família e 2 mil funcionários. Quem vê o volume atual da operação global da L’Antica Pizzeria Da Michele, até poderia esquecer que o ponto de partida desse negócio multinacional foi uma pequena loja de redondas em Nápoles, fundada em 1870 com apenas dois sabores: margherita e marinara. Mas é justamente essa origem que sustenta até hoje a identidade da marca, reconhecida como a segunda pizzaria mais antiga do mundo.

Agora, essa história de um século e meio desembocou no Brasil. Em abril, a 80ª unidade Da Michele no mundo foi inaugurada em São Paulo – a primeira na América do Sul –, em um movimento que reflete a aceleração recente da sua estratégia de internacionalização.

Para viabilizar a operação, foram necessários cinco anos de negociação com o empresário e restaurateur francês Frédéric Renault, também responsável pela unidade paulistana do Les Deux Magots. “Ele foi persistente”, afirma Francesco de Luca, representante da quinta geração da família fundadora e CEO da marca, em entrevista à Forbes durante sua passagem pelo Brasil. “Só aceitamos fazer negócio depois de muita conversa, quando vimos que ele tinha vontade e compromisso em seguir nossas regras – são várias, nosso contrato tem 47 páginas.”

DivulgaçãoOs responsáveis pelo vinda pizzaria Da Michele a São Paulo: o restaurateur francês Frédéric Renault e Francesco de Luca, CEO da marca

Até 2015, a Da Michele operava quase exclusivamente na Itália. Foi só 145 anos depois que abriu sua primeira loja fora do país de origem, em Tóquio e, em menos de uma década, consolidou uma expansão global. O maior salto foi de 2022 para cá, quando foi de pouco mais de 30 endereços para 80, espalhados por mercados como Paris, Nova York, Dubai e Hong Kong.

Parte dessa projeção internacional também passa pela cultura pop. A pizzaria ganhou notoriedade global ao aparecer no cinema com a atriz Julia Roberts, protagonista de Comer, Rezar e Amar (2010). O longa teve cenas gravadas na histórica matriz da Via Cesare Sersale, em Nápoles – unidade que, sozinha, vende cerca de 1 milhão de pizzas por ano, sustentada por uma clientela formada majoritariamente por turistas, que representam cerca de 70% do público.

Se o filme ajudou a consolidar a imagem da casa como um destino gastronômico global, a operação atual mostra uma estrutura que vai muito além do apelo turístico. Quem lidera fortemente essa expansão é Francesco, ativo no negócio desde os 25 anos de idade, e firme na missão de não descolar o CNPJ do seu sobrenome. Sua rotina reflete o ritmo de uma multinacional. Nos últimos meses, supervisionou aberturas e negócios por Bangkok, Singapura e Hong Kong; depois de São Paulo, no começo de abril, deixou o Brasil rumo à Itália por uma breve parada antes de seguir para a França (mercado mais que promissor para a marca, diz ele), enquanto outros sócios circulavam entre Egito e Sydney.

Nos últimos anos, esse crescimento foi acompanhado por reconhecimento do setor. Em 2025, a Da Michele foi eleita a melhor rede artesanal de pizzarias do mundo pelo ranking 50 Top World Artisan Pizza Chains, que considera operações com múltiplas unidades e consistência de qualidade.

Arquivo pessoalMichele Condurro, o patriarca que dá nome à pizzaria

“É uma operação global hoje. Mas além de pizza e números superlativos, é uma família, são cinco gerações que sacrificaram suas vidas”, resume Francesco, lembrando do patriarca. Michele Condurro, que dá nome à pizzaria, teve impressionantes 30 filhos. 150 anos depois, a rede genealógica se espalhou pelo globo. Embora o CEO ainda não tenha herdeiros diretos, a sucessão é garantida pela longa lista de familiares. “Tenho primos em todos os lugares. Às vezes eles aparecem e eu nem sabia que existiam”, brinca ele.

A aposta Da Michele no Brasil

A primeira unidade Da Michele em São Paulo ocupa um sobrado dos anos 1940 em plena Avenida Rebouças, com cerca de 100 lugares e funcionamento contínuo, do meio-dia à meia-noite, de segunda a segunda. “Queremos fazer o brasileiro comer pizza a qualquer hora do dia”, diz Frédéric. Para os próximos anos, o plano prevê a abertura de mais três grandes casas na capital paulista, seguidas por formatos menores, distribuídos por bairros. “Vamos fazer uma versão Express”, adianta o francês.

DivulgaçãoMargherita clássica da Da Michele

A fidelidade à pizzaria original passa pelos insumos. Parte dos ingredientes segue sendo importada da Itália, como farinha, azeite e manjericão (este último podendo chegar a R$ 360 o quilo). A decisão encarece a operação, mas garante padronização longe de Nápoles – garantida também pelo pizzaiolo chef da marca, Domenico Mosca, que passou um mês na capital paulista para treinar e azeitar a operação pré-abertura.

Mas embora mantenha a base napolitana – com massa de longa fermentação e poucos ingredientes –, a operação brasileira introduz algumas adaptações. O cardápio é mais amplo do que o da matriz italiana (onde ainda são servidos apenas dois sabores de pizza) e conta com entradas, pratos principais e sobremesas. Há arancini, lasanha à bolonhesa, risotos e até leitão pururuca com tortellini de batata.

Domenico Mosca, o pizzaiolo chef, ficou um mês em São Paulo para a abertura

No rol de criações voltadas ao público local, uma não poderia faltar: uma versão de pizza de calabresa, autorizada por Francesco. Certos limites, no entanto, seguem inalterados para qualquer unidade da marca. “Abacaxi na pizza, não”, crava o herdeiro napolitano.



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