Aos 77 anos, o percussionista carioca Paulinho da Costa entra para a história nesta quarta-feira (13) como o primeiro artista nascido no Brasil a receber uma estrela na Calçada da Fama, em Hollywood. O marco foi alcançado anteriormente apenas pela luso-brasileira Carmen Miranda, nascida em Portugal.
A homenagem ficará localizada na Vine Street e a cerimônia será transmitida ao vivo pelo site da organização às 15h (horário de Brasília).
O carioca tornou-se uma lenda da indústria por levar o tempero brasileiro e soluções de instrumentos inusitados para a música pop internacional. Ao longo dos anos 1970 e 1980, gravou com gigantes como Madonna, Michael Jackson, Elton John e Earth, Wind & Fire. “Toquei com muita gente, gravei inúmeros discos e participei de vários sucessos. Sempre respeitando todo mundo envolvido e a música de cada artista”, contou em entrevista à Forbes Brasil. “O que me deixa extremamente feliz é saber que a estrela só aconteceu por conta do meu trabalho e profissionalismo.”
Paixão pela música (e pelo Brasil)
Apaixonado pela percussão desde pequeno, Paulinho iniciou sua trajetória em rodas de música na Festa da Igreja da Penha e em terreiros de candomblé do Rio de Janeiro, antes de virar ritmista da ala jovem da Portela. A guinada internacional ocorreu quando passou a se apresentar com a banda de Sérgio Mendes, Brasil ’77. Junto com o grupo, mudou-se para Los Angeles, onde vive desde 1973.
Casado com a brasileira Arice da Costa, o músico mantém as raízes vivas. “Falamos português em casa, ouvimos música brasileira, assistimos a filmes brasileiros e somos ‘embaixadores’ dos nossos artistas quando se apresentam na Califórnia”, afirma. “A cultura brasileira é muito presente na nossa vida.”
“Não importa aonde você vá no mundo, sempre carrega um pouco do Brasil no coração.”
Paulinho da Costa
A trajetória do músico ganhou vida nas telas com o documentário “The Groove Under the Groove: Os Sons de Paulinho da Costa”, lançado neste ano pela Netflix. A obra traz bastidores das gravações e da história do percussionista, além de homenagear alguns dos seus parceiros de trabalho, como os falecidos Quincy Jones, Lalo Schifrin e Bill Withers. “É uma pena que nem todos os grandes amigos estão vivos para poder assisti-lo pronto”, lamenta Paulinho. “Foram 11 anos de produção. Esse documentário é quase um filho meu.”