Após manobras, embates e polêmicas, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado rejeitou na noite desta terça-feira (14) o parecer final apresentado pelo relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), cujo teor pedia o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) – Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes – e do procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet. O placar final ficou em 6×4 contra o relatório de Vieira.
Pelas regras do Parlamento, o pedido de indiciamento, caso fosse aprovado pela maioria da CPI, abriria espaço para uma eventual abertura de processo de impeachment contra as quatro autoridades incluídas pelo relator. O resultado reflete a manobra articulada poucas horas antes da votação, com as bênçãos do Palácio do Planalto e do presidente do Senador, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para conseguir maioria capaz de rejeitar o parecer. Em suma, a costura alterou a composição da CPI e garantiu número suficiente para derrubar a proposta de Vieira.
No total, três dos 11 membros titulares da comissão foram trocados. Assim, os senadores Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES) foram substituídos por Beto Faro (PT-PA) e Teresa Leitão (PT-PE). Em movimento simultâneo, a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), que era suplente, foi designada como membro titular.
Além de Beto Faro e Teresa Leitão, votaram contra o relatório os senadores Rogério Carvalho (PT-SE), Otto Alencar (PSD-BA), Humberto Costa (PT-PE) e Soraya Thronicke. No parecer, Vieira apontava indícios de crimes de responsabilidade por parte do procurador-geral e dos ministros do STF.
Para Vieira, os três ministros do STF deviam ter se declarados suspeitos de julgar o caso do Banco Master por supostas ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso sob a acusação de crimes contra o sistema financeiro. Já o chefe da PGR teria sido omisso em relação às investigações sobre o Master.
O pedido de Vieira foi duramente criticado por Toffoli, Gilmar e Moraes, além de dois outros ministros do STF não citados pelo senador: Flávio Dino e André Mendonça, atual relator do caso no Supremo.