A crise deflagrada dentro da ala paulista da federação entre União Brasil e Progressistas (PP) fez o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ser acionado por aliados para atuar como uma espécie de “bombeiro” para conter os ânimos dentro das duas legendas que o apoiam no estado.
Embora não tenha o governador entre seus quadros, a federação União-PP é tida pelo entorno de Tarcísio como essencial para o bom andamento da sua campanha à reeleição. As legendas estão entre as principais da base de sustentação do governador e um bom desempenho da chapa da federação nas eleições tende a ajudar Tarcísio.
A federação União Progressista vive um impasse sobre qual deve ser o comando em São Paulo, com uma disputa aberta entre o chefe local do União Brasil, o ex-vereador Milton Leite, e o presidente estadual do PP, o deputado federal Maurício Neves. Desde o início das conversas para a formação da federação, os dois travam uma batalha nos bastidores sobre quem será o presidente estadual do grupo.
Nos últimos dias, o PP sinalizou que o presidente nacional da sigla, o senador Ciro Nogueira (PI), seria indicado pela Executiva Nacional para comandar a federação em São Paulo, como forma de resolver a briga no principal colégio eleitoral do país. O União, no entanto, reagiu e emitiu uma nota ameaçando trabalhar para “inviabilizar em definitivo qualquer aliança”, caso o movimento se concretize.
Em meio à tensão, o Metrópoles apurou que Tarcísio atuou para tranquilizar o deputado federal Guilherme Derrite (PP), pré-candidato ao Senado, e convencê-lo a ficar na federação. O ex-secretário da Segurança Pública vinha demonstrando insegurança diante da instabilidade vivida pela federação em São Paulo, com a debandada de alguns deputados do PP motivada pela confusão no comando local.
Segundo aliados, Tarcísio intercedeu no assunto após um pedido feito pelo próprio Ciro Nogueira. Ambos se reuniram no Palácio dos Bandeirantes no dia 13 de abril e mantêm conversas sobre a montagem da chapa de candidatos da legenda. Principal cacique do União Brasil em São Paulo, Milton Leite também se encontrou recentemente com Tarcísio para tratar das eleições.
Já a relação entre Tarcísio e Maurício Neves está estremecida desde que o deputado ameaçou tirar o PP da aliança do governador no final do ano passado, alegando insatisfação de prefeitos do partido em relação à gestão Tarcísio.
Em meio à disputa entre Milton Leite e Maurício Neves, integrantes dos dois partidos passaram a especular que o União poderia ameaçar a lançar o influenciador Pablo Marçal, filiado recentemente ao partido, como candidato ao Senado, o que teria potencial de atrapalhar a candidatura de Derrite.
Na última semana, Derrite, Marçal e o pré-candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (RJ), também se reuniram em Brasília. O influenciador tem auxiliado e mantido conversas com Flávio, dando conselhos na área digital da pré-campanha.
Ameaça de “implosão”
- Caso se confirme, a indicação de Ciro Nogueira para presidir o grupo em São Paulo poderia esvaziar o poder de Milton Leite, que tem ameaçado “implodir” a federação caso o PP tome o controle no estado.
- Na última segunda-feira (13/4), o diretório estadual do União soltou uma nota em que afirma não aceitar ser “governado por procuração” e que manifesta “veemente repúdio a qualquer articulação que pretenda entregar o comando da futura federação a lideranças alheias à realidade e aos desafios do nosso estado”. “Ainda que ao senador Ciro Nogueira, a quem temos profundo respeito”, complementa a nota.
- Filho do dirigente, o deputado federal Alexandre Leite, presidente estadual do União, cita no texto “tentativas sorrateiras de extorsão” por parte do partido comandado por Ciro Nogueira.
- “O PP estadual e nacional precisam entender que parcerias se constroem com diálogo e respeito mútuo, e não por meio de tentativas sorrateiras de extorsão. Não permitiremos que o esforço de nossos parlamentares e candidatos seja colocado a serviço de projetos que ignoram as prioridades de São Paulo”.
- O União Brasil ainda afirma que, caso prevaleça a ideia de nomear o parlamentar do Piauí como presidente da federação em São Paulo, “trabalhará para inviabilizar em definitivo qualquer aliança e irradiará instabilidade para todo o projeto eleitoral”.