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Empreendedoras Criam o Primeiro Bar de Esportes Femininos do Reino Unido

Enquanto os esportes femininos vêm alcançando públicos e receitas recordes nos últimos anos, a infraestrutura para acompanhar essas competições ainda não evoluiu no mesmo ritmo.

Mesmo com estádios lotados, novos acordos de transmissão e as ligas globais ganhando uma tração inédita, a experiência de assistir aos jogos ainda é fragmentada. As partidas ficam espalhadas por várias plataformas, muitas vezes escondidas atrás de paywalls, e raramente contam com um espaço público permanente para os fãs. Ou seja, o público existe, mas não tem para onde ir.

Para preencher essa lacuna, as empreendedoras Lucy e Pippa Tallant criaram o Crossbar Brighton, o primeiro bar do Reino Unido dedicado ao esporte feminino. O espaço foi projetado para priorizar essas transmissões e criar um ambiente pensado por e para mulheres, mas de portas abertas para todos os torcedores.

A ideia já é um desejo antigo da dupla. “É algo sobre o qual a Lucy conversou com amigos por anos”, diz Pippa. “Sempre que tomávamos uma taça de vinho, a conversa acabava em por que não existia esse espaço focado nas mulheres.”

Os bares esportivos tradicionais não eram o problema. “Já tivemos ótimas noites neles”, garante. “Mas eles não são projetados pensando nas mulheres ou com elas na tomada das decisões. Sempre parecia que faltava alguma coisa.”

“Se nós sentíamos falta disso, com certeza outras mulheres também sentiam.”

Pippa Tallant

Essa lacuna é tanto cultural quanto prática. Grande parte da comunidade que acompanha os esportes femininos ainda vive online. É altamente engajada, mas limitada. Sem espaços físicos, esse engajamento tem dificuldade em se traduzir em algo mais duradouro: rituais, familiaridade e conexão.

Por outro lado, Lucy descreve a facilidade de entrar em um pub tradicional e imediatamente criar laços com outro fã de futebol. “É isso que falta nos ambientes virtuais”, explica Pippa. “A conexão e as memórias.”

A fundadora relembra a final da Eurocopa Feminina de 2022 como uma rara exceção — um momento em que essa conexão se tornou visível em grande escala. “Havia pubs de norte a sul do país cheios de fãs apaixonadas”, lembra ela. “Mas, no dia seguinte, para onde elas poderiam ir?”

Um novo conceito de bar esportivo

A proposta do Crossbar é o que as fundadoras chamam de um “bar esportivo de alto nível“, mas a diferença fica mais evidente na prática do que no discurso. O essencial está lá: várias telas, bebidas alcoólicas e até sinuca e dardos. Mas a experiência ao redor foi totalmente repensada.

Uma cuidadosa carta de vinhos divide espaço com o chope. O café recebe a mesma atenção que as cervejas em dia de jogo. “Eu prefiro praticar esportes a assistir”, confessa Pippa. “Mas quando a Lucy quer ver um jogo, eu quero me juntar a ela. Quero estar em um lugar onde eu realmente goste de ficar, bebendo um vinho que escolheria de qualquer forma, sem ser forçada a me contentar com a ‘opção menos pior’.”

Até os banheiros — abastecidos com creme para as mãos, absorventes e outros detalhes — sinalizam uma mudança sobre como e para quem o espaço foi projetado. “Queremos que seja um local seguro para encontrar pessoas com interesses semelhantes, ideal para qualquer um que ame esportes, e particularmente para as mulheres.”

Esportes femininos são um negócio de sucesso

Se o conceito parece óbvio, isso é justamente parte da questão. Nos EUA, locais como o The Sports Bra já demonstraram que um modelo de negócios focado no esporte feminino pode ser muito rentável. Por isso, a ausência de um bar desse tipo no Reino Unido — com sua arraigada cultura de pubs e profunda relação com o esporte — era difícil de explicar. “Para nós, era uma loucura que esse fosse o primeiro”, diz Pippa. “Parecia que o mercado estava apenas esperando alguém dar o salto.”

A demanda inicial provou que o momento não poderia ser melhor. As reservas para a noite de inauguração esgotaram em quatro minutos, uma resposta que as fundadoras descrevem como “incrivelmente reconfortante”, superando todas as expectativas.

O sucesso rápido gerou um fluxo constante de interesse de marcas de bebidas, organizações esportivas e equipes locais, muitas das quais correram para fechar parcerias, embora o negócio em si ainda esteja ganhando forma. “Este é o primeiro do tipo e uma novidade para nós também”, ressalta Pippa.

Barreiras estruturais

Além do movimento diário, o Crossbar está explorando eventos, parcerias e programações, incluindo a oferta do espaço para equipes esportivas. A abordagem flexível pode ser vital devido às barreiras estruturais que ainda limitam as transmissões esportivas femininas.

O acesso aos jogos continua inconsistente. Muitos eventos estão presos em acordos de direitos de imagem fragmentados ou simplesmente não são disponibilizados para exibição comercial. “Quem olha de fora pode pensar: ‘ninguém quer assistir a isso’. Mas a realidade é que nem sempre temos autorização para exibir as partidas em um ambiente público”, explica a fundadora. Em outras palavras, a visibilidade ainda é prejudicada pela distribuição, mesmo com a alta demanda.

Por enquanto, o foco do Crossbar é se estabelecer como um modelo viável a longo prazo — tanto comercial quanto culturalmente. Se o formato vai se expandir para fora de Brighton, ainda é uma questão em aberto. “Começou como um projeto de paixão”, diz Pippa, “mas veremos aonde isso vai nos levar.”

No fim das contas, a definição de sucesso para as fundadoras é focada no impacto social: “Garantir acesso público e confiável para assistir a esportes femininos em todo o Reino Unido, seja por meio de algo que nós mesmas fornecemos, ou algo que ajudamos a inspirar.”

*Lela London é colaboradora da Forbes US. Ela é escritora e editora especializada em gastronomia e bebidas, com foco em tendências culinárias, restaurantes e bares.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com



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