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Encontro em Pequim Deve Selar Trégua Estratégica, Não um Acordo Definitivo

O encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, marcado para os dias 14 e 15 de maio, ocorre em um momento turbulento para as economias das duas maiores potências globais. Na visão do professor do Ibmec, Ricardo Hammoud, a reunião, antes marcada para precisou ser adiada por conta da guerra no Irã, pode ser a oportunidade para a criação de uma trégua estratégica.

Os dados mais recentes da economia americana flertam com a recessão: a produção manufatureira que registrou decréscimo de 0,1% no último mês de março; o dólar que aumula queda de 9,04% no ano ante ao real (uma das principais moedas dentre os países emergentes); e a expectativa de 99,5% do mercado na manutenção da atual taxa de juros (faixa entre 3,50% a 3,75%) de acordo com o Fed Watch.

Do outro lado, a China, embora tenha reportado um crescimento de 5% no primeiro trimestre de 2026, enfrenta o que pode ser seu pior desempenho anual em décadas, com projeção de PIB entre 4,5% e 5%. O consumo interno dá sinais de fadiga e as vendas no varejo em março subiram apenas 1,7%, frustrando a projeção de 2,4% dos economistas.

Segundo o professor do Ibmec, Ricardo Hammoud, o encontro em Pequim deve ser lido como um ajuste de expectativas. “A disputa econômica e geopolítica da China e dos Estados Unidos está dada. O que eles podem fazer agora é criar uma espécie de coexistência como superpotências”, explica Hammoud.

Toma Lá da Cá

É inegável que a dinâmica entre os dois países sofreu uma mutação drástica com a deflagração do conflito no Oriente Médio e o bloqueio das últimas semanas no Estreito de Ormuz. Grande parte do petróleo que passa por lá vai para a China. “É do interesse de ambos que o estreito esteja aberto”, pontua o professor. Em contrapartida, Xi Jinping detém cartas importantes. A China pode pressionar pela redução do apoio militar americano a Taiwan, utilizando sua influência no Oriente Médio como contrapeso.

No entanto, Hammoud alerta para as limitações desse toma-lá-dá-cá: “A China é mais competitiva que os Estados Unidos em vários setores industriais. A ideia de ‘vamos diminuir o déficit comercial’ é muito difícil de obrigar a China a cumprir, porque os EUA perderam essa capacidade de competir em diversos elos da cadeia produtiva.”

Guerra Fria 2.0 e a Desdolarização

Para além do comércio imediato, o encontro serve como palco para a chamada “Guerra Fria 2.0”. O termo, cunhado pelo historiador Niall Ferguson, descreve uma disputa de hegemonia travada não por armas diretas, mas por influência tecnológica, financeira e monetária.

Um dos pilares dessa nova guerra é a desdolarização. A China tem reduzido sistematicamente a compra de títulos do Tesouro Americano, financiando cada vez menos o déficit fiscal dos EUA, enquanto promove o uso de moedas alternativas.

O professor destaca que este é um dos pontos que mais incomoda Washington: “o dólar ser a moeda global cria o que o economia Barry Eichengreen chama de ‘privilégios exorbitantes. Se os EUA imprimem dólares, geram inflação e flutuações globais. A China quer que o dólar seja apenas uma parte do sistema, não o todo. Essa disputa hegemônica envolve quem chegará primeiro a uma Inteligência Artificial mais poderosa e quem controlará os fluxos financeiros.”

Para Donald Trump, o tempo é um inimigo. Com as eleições de novembro no horizonte e a pressão de uma dívida interna crescente, o encontro com Xi Jinping é a sua chance de declarar vitória: “ele está tentando de todas as maneiras declarar vitória para que os efeitos da guerra diminuam e a incerteza do futuro melhore”, afirma Hammoud.



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