Em meio a investimentos em data centers e o desenvolvimento de um super app, Sam Altman encontrou espaço para projetar um smartphone, segundo informações divulgadas por Ming-Chi Kuo, analista da TF International Securities, no último sábado, 25.
A OpenAI estaria desenvolvendo chips de celulares em parceria com a Qualcomm e a MediaTek, com foco está na Unidade de Processamento Neural (NPU), que prioriza a execução de atividades voltadas para IA. Após o vazamento, as ações da Qualcomm subiram mais de 8% nas negociações do pré-mercado. A chinesa Luxshare seria a responsável pela fabricação e pelo desenvolvimento do design do produto, conforme publicado por um jornal de Taiwan.
Segundo o artigo de Kuo, o sistema terá um gerenciamento de hierarquia de memória, ou seja, uma estrutura interna feita sob medida para que a inteligência artificial funcione sem interrupções, usando a memória RAM de forma dedicada. Já as tarefas mais pesadas, como o processamento de vídeos, seriam enviadas para a nuvem, pois exigem mais poder computacional do sistema.
Espera-se que o aparelho não tenha os aplicativos convencionais dos celulares comuns, pois os agentes de IA seriam capazes de suprir todas as necessidades do usuário. A partir da coleta de dados de hábitos, o dispositivo poderia lidar com diferentes solicitações em tempo real, de forma mais personalizada do que os apps tradicionais.
Kuo também informou que a empresa planeja um ecossistema próprio, com chip e software exclusivos, de forma similar ao que a Apple faz com o iPhone.
A meta é iniciar a produção em massa do smartphone a partir de 2028, segundo Kuo. Espera-se que novas informações sejam divulgadas ainda no fim deste ano.
Nem a Qualcomm nem a OpenAI responderam imediatamente ao pedido de comentário da Forbes.
Outros hardwares da OpenAI
A ideia do smartphone não é a única iniciativa de hardware explorada pela OpenAI. Segundo relatos, Altman teria dito aos funcionários da empesa que ele e Jony Ive, ex-designer da Apple, planejavam lançar “companheiros” de IA, embora parecesse que não estariam trabalhando em um smartphone.
O The Information noticiou que, a parceria entre Luxshare e OpenAI, mirava para produzir um dispositivo sem tela, capaz de captar sinais de áudio do ambiente e responder via voz — quase uma variação da Alexa, da Amazon. No entanto, segundo o Financial Times, a OpenAI estaria enfrentando dificuldades técnicas para desenvolver esse dispositivo.
Em fevereiro deste ano, a Wired divulgou que o dispositivo de hardware da OpenAI teria seu lançamento adiado, informação confirmada em documentos judiciais fornecidos pela empresa. O adiamento veio um mês após Chris Lehane, diretor global de Assuntos da OpenAI, ter afirmado, em um painel organizado pela Axios, que o primeiro dispositivo seria anunciado ainda no primeiro semestre de 2026.
Outros vazamentos e publicações feitas por empresas asiáticas mencionaram o projeto “Sweet Pea”, fones de ouvido inteligentes que devem chegar ao mercado nos próximos anos. Os wearbles, também criados em parceria com Ive, devem utilizar computação em nuvem e um processador personalizado de dois nanômetros para funções executadas localmente.
Diferente dos fones de ouvido tradicionais, o modelo se assemelha a aparelhos auditivos, visando acomodar uma bateria maior e um processador mais potente. Internamente, devem incluir um chip personalizado projetado para substituir ações no iPhone e comandar a Siri diretamente.
Qualcomm
Apesar de sua ampla participação no desenvolvimento de hardwares, não há evidências de que Ive esteja envolvido no projeto com a Qualcomm.
As ações da Qualcomm caíram para o menor nível dos últimos 12 meses no início deste mês, devido à escassez de suprimentos enfrentada pela fabricante de chips. A empresa divulgou uma previsão financeira decepcionante em fevereiro, quando o CEO Cristiano Amon afirmou que a fraqueza da empresa era “100% relacionada à memória”, já que a crescente demanda por data centers de IA reduziu o fornecimento de chips de memória.
Os preços dos chips de memória subiram até 90% em alguns mercados e, em fevereiro, a empresa de inteligência de mercado International Data Corporation (IDC) previu uma queda de até 13% no mercado global de smartphones.
A Qualcomm divulgará seus resultados do segundo trimestre após o fechamento do mercado na quarta-feira.
*Com informações publicadas originalmente em Forbes.com