Na noite dessa quinta-feira (7/5), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes recebeu convidados em um jantar em celebração ao documentário Sono arrivati i brasiliani — em tradução livre, “E os brasileiros chegaram” —, dirigido por Vinicius De Carvalho e com montagem de Giulia Balestrino. O encontro aconteceu na residência do magistrado, no Lago Sul, após a exibição da obra no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), instituição fundada por Gilmar.
Em clima de entusiasmo e reflexão, o jantar, assinado pela chef Renata La Porta, reuniu autoridades, acadêmicos, embaixadores e convidados para homenagear a produção, que propõe um olhar sensível sobre a presença da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália durante a Segunda Guerra Mundial.
Ao longo da noite, os presentes comentavam os relatos emocionantes retratados no filme, especialmente os testemunhos de civis italianos que conviveram com soldados brasileiros em meio aos horrores da guerra. Mais do que revisitar episódios históricos, a obra buscou retratar a memória, humanidade e os laços afetivos construídos entre brasileiros e italianos no conflito.

Buffet Renata La Porta
Nina Quintana/Metrópoles

Sobremesas
Nina Quintana/Metrópoles

Convidados saboreiam o menu da noite
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Ministro do STF, Gilmar Mendes, janta com convidados
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Gilmar Mendes realiza jantar para celebrar exibição do documentário no IDP
Presente no jantar, o diretor Vinicius De Carvalho detalhou à coluna Claudia Meireles o que o levou a mergulhar nas memórias deixadas pelos cerca de 25 mil brasileiros enviados à Itália para combater a Segunda Guerra Mundial.

Segundo ele, o interesse pelo tema nasceu ainda na infância, em Barra Mansa, no sul do Rio de Janeiro. “Na minha cidade existiam monumentos que homenageavam os brasileiros que morreram na guerra. Minha mãe falava muito sobre isso e eu cresci com essa curiosidade”, relembrou.
Alguns anos depois, enquanto fazia doutorado na Alemanha, Vinicius percebeu como a Europa preservava com intensidade as histórias ligadas ao conflito. “Eu via essa preocupação muito forte na Europa inteira e sempre me perguntava como o Brasil lidava com essa memória”, contou.
Mergulho na vivência dos soldados na Guerra
De volta ao Brasil, o pesquisador buscou detalhes sobre o tema que há tempos lhe causava interesse. De acordo com o diretor, o foco inicial estava na produção artística feita pelos próprios soldados brasileiros enviados à Itália.
“Entre 25 mil brasileiros, havia artistas, poetas e músicos. Encontrei músicas compostas pelos pracinhas [nome dado aos soldados brasileiros na Segunda Guerra] na Itália e comecei a pesquisar essa dimensão mais humana do conflito”, explicou.

A pesquisa ganhou novos contornos quando Vinicius passou a atuar como professor na Dinamarca e passou a levar estudantes para percorrer os caminhos da FEB na Itália, visitando campos de batalha, museus e cidades marcadas pela passagem dos brasileiros.
Nessas viagens, surgiram os relatos que, futuramente, dariam origem ao documentário.
“Um amigo, filho de um pracinha que se casou com uma italiana, começou a me apresentar idosos italianos que haviam convivido com os brasileiros quando eram crianças. E eu percebi que ali existia uma memória muito poderosa que não podia se perder”, contou.
Com recursos limitados, Vinicius registrou os depoimentos desses italianos. O material permaneceu guardado por anos até ganhar forma definitiva por meio da parceria com a cineasta Giulia Balestrino.
Humanidade em tempos de guerra
Com duração de 40 minutos, a produção venceu a categoria de Melhor Documentário no Festival Militum 2025 e já foi exibida no Brasil, na Inglaterra e na Embaixada do Brasil em Roma. Longe de focar em batalhas ou feitos heroicos, Vinicius reforça que a obra e constrói a partir das lembranças afetivas deixadas pelos soldados brasileiros nas comunidades italianas devastadas pela guerra.
“Alguns dos relatos mostram como as crianças italianas da época lembravam dos brasileiros brincando com elas, levando comida, cantando… Mesmo em meio à brutalidade da guerra, aqueles soldados ainda encontravam espaço para gestos de humanidade”, destacou.
A produção da documentário demorou cerca de sete anos. Nesse período, Vinicius reflete que parte dos entrevistados vieram a falecer antes de assistir ao resultado final do longa-metragem. “De certa forma, é um tributo a essas pessoas”, disse.
Para o diretor, a obra também ajuda a refletir sobre o lugar do Brasil no cenário internacional.“É um filme sobre o Brasil, mas também sobre o Brasil no mundo”, concluiu.
Veja os cliques de Nina Quintana:









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