O mercado financeiro encerrou a sexta-feira (27) com investidores mais cautelosos, em meio a incertezas no cenário externo e ajustes de posições no fim da semana. A combinação de fatores globais e movimentos técnicos influenciou os principais ativos, com destaque para a volatilidade em commodities e no câmbio.
O Ibovespa fechou em leve queda, pressionado por realização de lucros após ganhos recentes e pela cautela no exterior.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,64%, a 181.556,77 pontos, chegando a 180.976,16 na mínima e 183.350,70 na máxima do dia. O volume financeiro somava R$ 22,9 bilhões antes dos ajustes finais.
Investidores monitoraram sinais mistos da economia global e mantiveram postura defensiva, com ações de maior peso no índice operando sem direção única. O giro financeiro mais contido também refletiu a expectativa por novos gatilhos, tanto no cenário doméstico quanto internacional.
Petróleo
Os preços do petróleo avançaram na sessão, sustentados por preocupações com a oferta global e tensões geopolíticas persistentes.
A commodity manteve o movimento de alta, impulsionado por incertezas sobre um possível acordo entre Estados Unidos e o Irã. O Brent avançou 4,22%, fechando a US$ 112,57, enquanto o WTI subiu 5,46%, para US$ 99,64.
O movimento ajudou a limitar perdas em mercados emergentes exportadores de commodities, embora a volatilidade tenha permanecido elevada. Agentes seguem atentos a possíveis desdobramentos que possam impactar a produção e o fluxo da commodity.
Dólar
O dólar fechou com leve queda, abaixo da marca de R$5,25, em meio a relatos de fluxo de entrada de recursos no Brasil e à esperança de um acordo entre EUA e Irã sobre a guerra.
O dólar à vista fechou em queda de 0,35%, aos R$5,2392. Na semana, a divisa acumulou baixa de 1,38% e, no ano, recuo de 4,55%.
A guerra que coloca EUA e Israel contra o Irã foi novamente o condutor dos negócios nos mercados globais. Pela manhã, os mercados reagiam à pausa de dez dias dos ataques dos Estados Unidos às usinas do Irã, anunciada na véspera pelo presidente norte-americano, Donald Trump. O intervalo durará até 6 de abril.
Apesar da pausa, o dólar sustentava ganhos ante boa parte das demais moedas, incluindo o real. Às 9h08, logo após a abertura, o dólar à vista atingiu a cotação máxima de R$5,2805 (+0,44%).
Entre o fim da manhã e o início da tarde, no entanto, os ativos brasileiros demonstraram alguma reação, com o Ibovespa virando para o positivo e o dólar para o negativo ante o real.
Fonte ouvida pela Reuters afirmou que a resposta do Irã a uma proposta de paz dos EUA, destinada a pôr fim à guerra, era esperada ainda nesta sexta-feira, o que trouxe certo alívio para as moedas de países emergentes.
No Brasil, conforme três profissionais ouvidos pela Reuters, a virada ocorreu em meio ao fluxo de entrada de recursos no país, inclusive para a bolsa de valores.
“O cenário negativo pela manhã, (com) alguns atenuantes depois. O fluxo para a bolsa ajudou a dar liquidez para o câmbio”, resumiu Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital.
Às 12h06, o dólar à vista atingiu a mínima de R$5,2184 (-0,74%), para depois se acomodar em níveis mais próximos dos R$5,25.
“A combinação de petróleo elevado, juros globais em alta e incerteza em torno do conflito no Oriente Médio sustentou a demanda por proteção ao longo da manhã, mas o movimento perdeu força com a desaceleração do dólar no exterior e sem piora adicional no cenário”, avaliou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito.
No início do dia, o Banco Central informou que o país teve déficit em transações correntes de US$5,614 bilhões em fevereiro, acima do déficit de US$5,4 bilhões projetado por economistas consultados pela Reuters. Na outra ponta, o Brasil recebeu US$6,754 bilhões em investimentos diretos no país em fevereiro, abaixo dos US$7,6 bilhões projetados na pesquisa.
No exterior, às 17h06, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,23%, a 100,110.