Seja Bem Vindo - 27/05/2026 03:37

Ibovespa Fecha em Queda com Oriente Médio em Foco

O Ibovespa fechou em queda nesta terça-feira (26), com os preços do petróleo voltando a orbitar US$100, após ataques dos Estados Unidos contra alvos do Irã afetarem as perspectivas de um acordo de paz.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,69%, a 176.589,03 pontos, chegando a 175.516,11 na mínima do dia e marcando 177.815,95 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$22,63 bilhões.

A sessão começou sob a notícia de que os EUA realizaram ataques ainda na segunda-feira no sul do Irã, que Washington chamou de ações defensivas, enquanto Teerã considerou uma violação do cessar-fogo.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que a negociação de um acordo com o Irã poderia “levar alguns dias”. Nesse contexto, o barril sob o contrato Brent fechou em alta de 3,6%, a US$99,58 por barril.

De acordo com o sócio e advisor da Blue3 Investimentos Willian Queiroz, as últimas notícias do Oriente Médio fragilizaram (a percepção) sobre as negociações e corroboraram nova alta do petróleo, sustentando preocupações com a inflação global, o que afeta o humor de investidores.

Destaques

  • ITAÚ UNIBANCO PN recuou 0,64%, com o setor financeiro como um todo em queda no Ibovespa, após desempenho robusto na véspera. BRADESCO PN cedeu 1,27%, BANCO DO BRASIL ON perdeu 2,49% e SANTANDER BRASIL UNIT fechou negociada em baixa de 1,16%.
  • PETROBRAS PN registrou variação positiva de 0,09% e PETROBRAS ON subiu 0,41%, em meio à alta do petróleo no exterior. No setor, PRIO ON avançou 0,68% e BRAVA ON subiu 0,7%, enquanto PETRORECONCAVO ON perdeu 3,64%.
  • VALE ON encerrou em baixa de 0,62%, em dia de queda dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado em Dalian recuou 1,95%. No setor, CSN MINERAÇÃO ON valorizou-se 0,45%, mas CSN ON caiu 0,45%, USIMINAS PNA recuou 3,59% e GERDAU PN perdeu 2,36%.
  • BRASKEM PNA caiu 5,81%. Analistas do Citi destacaram que, após fortes altas em março e abril, impulsionadas por tensões geopolíticas no Oriente Médio e consequentes interrupções nas cadeias de suprimento, maio tem registrado uma mudança nos mercados petroquímicos. O foco agora se volta para a fraqueza do lado da demanda, após fatores ligados à oferta sustentarem preços mais elevados anteriormente. O Citi elevou preço-alvo da ação da Braskem de R$10 para R$14, mas manteve a recomendação neutra/alto risco.
  • C&A ON cedeu 4,77%, após alta expressiva na véspera (+6,70%), em ajuste influenciado pelo avanço nas taxas dos DIs. O índice de consumo da B3 recuou 0,61%.
  • AMBEV ON avançou 1,16%. Relatório do BTG Pactual elevou a recomendação dos papéis para compra e o preço-alvo de R$17 para R$20. “Treze anos depois, estamos elevando a recomendação de Ambev para compra…Estamos mudando de opinião agora porque a capacidade da Ambev de impor preços — principal variável que explica a geração de valor da companhia —, sustentada por um portfólio que a concorrência não consegue igualar, finalmente parece estar dando resultados”, afirmaram.

Petróleo

Os contratos futuros do petróleo Brent subiram cerca de 4% depois que os militares norte-americanos realizaram ataques no Irã, um revés para as esperanças, no fim de semana, de que os Estados Unidos e o Irã chegariam a um acordo para encerrar a guerra de três meses, que também reabriria a navegação pelo crucial Estreito de Ormuz.

No entanto, os futuros dos EUA caíram, acompanhando a liquidação do Brent na segunda-feira, quando os mercados dos EUA estavam fechados.

O petróleo Brent, referência global, subiu US$3,44, ou 3,6%, fechando a US$99,58 por barril, enquanto o petróleo WTI dos EUA caiu US$2,71, ou 2,8%, para US$93,89.

Na segunda-feira, o Brent fechou no seu nível mais baixo desde 20 de abril, perdendo 7%, devido às esperanças renovadas de um acordo entre os EUA e o Irã.

O WTI fechou em seu nível mais baixo desde 22 de abril na terça-feira, enquanto os futuros da gasolina dos EUA caíram 7% e o diesel dos EUA caíram 4%, atingindo seus fechamentos mais baixos em cinco semanas.

As autoridades dos EUA disseram em várias ocasiões que estavam próximas de um acordo com o Irã para encerrar o conflito, mas não chegaram a um acordo além de um cessar-fogo temporário que reduziu os ataques.

Na terça-feira, o Irã disse que os EUA violaram um cessar-fogo depois de realizar o que chamou de ataques defensivos no sul do Irã, enquanto o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que a negociação de um acordo para interromper o conflito poderia “levar alguns dias”.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã disse que os ataques dos EUA na província de Hormozgan, no sul do Irã, onde a mídia iraniana relatou sons de explosões na madrugada de terça-feira, representaram uma “violação grosseira” de um tênue cessar-fogo em vigor há quase sete semanas.

Os dois lados já haviam indicado progresso em um memorando de entendimento que poderia interromper a guerra e reiniciar o transporte marítimo pelo bloqueado Estreito de Ormuz, enquanto dava aos negociadores 60 dias para negociar questões mais complexas, incluindo o programa nuclear do Irã.

Dólar

O dólar fechou quase estável ante o real, em um dia de avanço da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior, após novos ataques dos EUA ao Irã frearem o otimismo quanto a um possível acordo de paz entre os países.

O dólar à vista fechou com leve alta de 0,16%, aos R$5,0272. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 8,41% ante o real.

Às 17h02, o dólar futuro para junho — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,38% na B3, aos R$5,0355.

Na segunda-feira, a moeda norte-americana à vista havia fechado o dia em leve baixa, com os investidores globais demonstrando otimismo quanto às negociações entre EUA e Irã.

No Brasil, porém, o dólar variou em margens estreitas durante o dia, entre a cotação mínima de R$5,0034 (-0,31%) às 9h59 e a máxima de R$5,0393 (+0,39%) às 10h51, pouco se afastando da estabilidade durante a maior parte da sessão.

Mais cedo, o Banco Central informou que o Brasil teve déficit em transações correntes de US$1,765 bilhão em abril, rombo maior do que o déficit de US$200 milhões projetado por economistas em pesquisa da Reuters.

O investimento direto no país (IDP) somou US$8,912 bilhões em abril, acima dos US$5,4 bilhões projetados e mais do que compensando o déficit nas transações correntes.

Às 17h08, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,10%, a 99,137.



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