Seja Bem Vindo - 10/04/2026 18:32

Ibovespa Renova Recordes Pelo Terceiro Dia Seguido

O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira (10), renovando máximas e fechando acima dos 197 mil pontos pela primeira vez, com agentes financeiros na expectativa de negociações de paz entre Estados Unidos e Irã previstas para o fim de semana. 

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,12%, a 197.323,87 pontos, novo recorde de fechamento, após marcar 197.553,64 na máxima da sessão, novo topo intradia. Na mínima, registrou 195.129,25 pontos. Na semana, avançou 4,93%.

O volume financeiro nesta sexta-feira somou R$ 33,7 bilhões.

Autoridades norte-americanas e iranianas reúnem-se em Islamabad, no Paquistão, a partir de sábado, poucos dias após o anúncio de cessar-fogo em uma guerra que começou no final de fevereiro com ataques dos EUA e de Israel contrao Irã e se espalhou pelo Oriente Médio.

Não se espera uma discussão fácil para um desfecho definitivo e ainda existem muitas incertezas, mas, por ora, tem prevalecido a avaliação positiva de queEUA e Irã estão buscando um caminho para reduzir as tensões.

O Ibovespa tem resistido à aversão a risco e à busca por liquidez desencadeadas pelo conflito. Apesar do desempenho negativo do Ibovespa em março, a bolsa ainda registrou entrada líquida de capital externo, que persiste em abril.

“Daqui para frente, assumindo que a trégua se mantenha, acreditamos que o Brasil continuará a apresentar bom desempenho”, avalia Emy Shayo, co-head de estratégia de ações de mercados emergentes e chefe de estratégia para América Latina e Brasil, conforme relatório assinado também por Cinthya Mizuguchi.

Shayo ressaltou, porém, que vê uma rotação entre setores, com aqueles que mais sofreram desde o início da guerra – especialmente o setor financeiro – recuperando parte da liderança.

Nesta sexta-feira, além do cenário externo, investidores também repercutiram a pauta macroeconômicabrasileira, com oIPCAde março subindo 0,88%, maior avanço em cerca de um ano, superando as previsões de economistas, que apontavam alta de 0,77%.

“Embora uma leitura cheia ruim, e que limita o Copom no curto prazo, parte significativa da surpresa altista veio de itens como combustíveis, refletindo impacto direto do choque dos preços do petróleo”, ponderou o economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri.

“Se de fato houver a normalização destes preços, com um acordo de paz para o conflito, é razoável esperar a reversão destes preços (que pesaram no IPCA)”, acrescentou.

Petróleo

Os contratos futuros do petróleo caíram nesta sexta-feira e registraram sua maior queda semanal desde 2022, antes das negociações entre o Irã e os EUA com o objetivo de garantir um cessar-fogo permanente.

Os futuros do petróleo oscilaram perto de US$ 100 por barril, já que os ataques continuaram e o fluxo de petróleo através do Estreito de Ormuz permaneceu restrito, e as preocupações persistiram sobre possíveis interrupções no fornecimento na Arábia Saudita. Os preços no mercado físico atingiram recordes.

Os contratos futuros do Brent fecharam em baixa de 0,72 dólar, ou 0,8%, a US$ 95,20 por barril, encerrando uma semana em que os contratos caíram 12,7%.

O declínio ocorreu após uma forte venda depois que o Irã e os EUA concordaram na terça-feira com um cessar-fogo de duas semanas mediado pelo Paquistão.

Foi a perda semanal mais acentuada do Brent desde agosto de 2022.

Os futuros do petróleo West Texas Intermediate dos EUA caíram US$1,30, ou 1,3%, para fechar em US$ 96,57 o barril, com uma queda semanal de 13,4%, a maior desde abril de 2020, durante os bloqueios para a pandemia.

Dólar

O dólar fechou em baixa ante o real e novamente próximo dos R$ 5,00, acompanhando o recuo da moeda norte-americana no exterior, onde investidores voltaram a demonstrar otimismo em relação ao cessar-fogo entre EUA e Irã.

O dólar à vista encerrou o dia com queda de 1,03%, aos R$5,0104, o menor valor de fechamento desde 9 de abril de 2024, quando atingiu R$5,0067. Foi a terceira sessão consecutiva de perdas para a moeda norte-americana.

Na semana, a divisa acumulou baixa de 2,90% e, no ano, queda de 8,72%.

Desde que EUA e Irã fecharam um acordo de cessar-fogo, na noite de terça-feira, o dólar tem enfrentado ajustes de baixa em todo o mundo, com investidores desmontando posições defensivas na moeda norte-americana.

No Brasil, o dólar à vista atingiu a menor cotação da sessão, de R$5,0051, às 16h14, já na última hora de negócios, sendo que desde o período março-abril de 2024 a divisa não exibia valores próximos dos R$5,00.

“A redução da aversão ao risco com expectativa de cessar-fogo e recuo do DXY (índice do dólar) para abaixo de 100 provocaram alta do real nos últimos dias, que se aproximou da maior cotação do ano”, destacou o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, em análise enviada a clientes pela manhã.

“O dólar… ainda tem espaço para cair um pouco mais a depender do movimento do DXY”, acrescentou.

Às 17h10, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,21%, a 98,669.



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