O IPCA-15 teve alta de 0,89% em abril, depois de subir 0,44% em março, informou nesta terça-feira (28) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa foi a taxa mensal mais elevada desde fevereiro de 2025 (1,23%).
O dado, divulgado às vésperas da reunião de política monetária do Banco Central (BC), acelerou menos do que o esperado no mês. A inflação seguiu sob pressão dos preços de alimentos e combustíveis em abril.
Os dados ficaram abaixo das expectativas em pesquisa da Reuters de altas de 1,0% na base mensal e de 4,49% em 12 meses.
Com o resultado do mês, o índice passa a acumular em 12 meses avanço de 4,37%, de 3,90% em março. A meta contínua para a inflação é de 3,0% medido pelo IPCA, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
O BC decide sobre a política monetária na quarta-feira (29), com a guerra no Oriente Médio pairando sobre o cenário. Ao cortar a taxa básica de juros, Selic, em 0,25 ponto percentual em março, a 14,75%, o BC defendeu cautela diante do aumento da incerteza com o conflito.
Alerta inflacionário?
A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã tem gerado preocupações com a inflação. Isso ocorre diante da alta nos preços globais do petróleo, impulsionada pelo fechamento do Estreito de Ormuz, ainda sem perspectiva de resolução.
Em abril, o maior impacto no IPCA-15 foi exercido pela alta de 1,46% do grupo Alimentação e Bebidas, após avanço de 0,88% em março.
O resultado foi influenciado principalmente pelo acréscimo de 1,77% da alimentação no domicílio, com destaque para os aumentos dos preços de cenoura (25,43%), da cebola (16,54%), do leite longa vida (16,33%), do tomate (13,76%) e das carnes (1,14%).
Já os custos de Transportes avançaram 1,34% no mês, após alta de 0,21% em março, com os preços dos combustíveis passando a subir 6,06%, após recuo de 0,03% no mês anterior. A gasolina aumentou 6,23%, depois da queda de 0,08% em março.
Com a guerra entre Estados Unidos e Irã, o governo anunciou na semana passada o envio ao Congresso Nacional de um projeto de lei complementar. A proposta permitirá transformar ganhos extraordinários de arrecadação, decorrentes da alta do preço do petróleo, em cortes de tributos sobre combustíveis.
A mais recente pesquisa Focus realizada pelo BC mostra que a projeção para o IPCA este ano é de alta de 4,86% em 2026 e de 4,00% em 2027. A expectativa é de que a Selic termine 2026 a 13,0%.