Depois de anos fora do radar global na exportação privada de terras raras, o Brasil volta ao jogo. A ADL Mineração embarcou no último domingo (5) seu primeiro container de monazita para o Canadá, inaugurando uma nova fase para a exploração e comercialização desses minerais estratégicos no país. O último envio havia ocorrido há sete anos, e sob controle estatal.
Mais do que um marco operacional, o embarque sinaliza a entrada efetiva da iniciativa privada brasileira em um mercado que ganhou peso geopolítico nos últimos anos.
O grupo de minerais chamados de terras raras, apesar do nome, não é exatamente escasss, o que é raro é a capacidade de processá-los em escala. É aí que está o verdadeiro poder. Hoje, a China concentra a maior parte do refino global, o que transformou esses minerais em um ativo estratégico nas disputas entre países. Empresa privada 100% brasileira, a mineradora ADL é atuante no setor de minerais estratégicos, com foco na produção e comercialização de monazita, ilmenita, zirconita e rutilo.
Essas terras raras estão na base das indústrias que definem o século 21. São insumos essenciais para carros elétricos, turbinas eólicas, chips, smartphones e até equipamentos militares. Sem elas, não há transição energética nem avanço tecnológico relevante.
Esse cenário tem levado Estados Unidos, Europa e Japão a buscar novos fornecedores, numa tentativa de reduzir a dependência chinesa, abrindo espaço para países com reservas relevantes, como o Brasil.
Por isso o primeiro embarque da ADL ganha peso. Mais do que uma operação comercial, ele recoloca o país em uma cadeia global que deixou de ser apenas econômica, e passou a ser estratégica.
“É a abertura de um novo ciclo de exportação privada”, diz CEO
À frente desse movimento está Adelina Lee, uma executiva que foge do perfil clássico da mineração. Com formação em Letras e experiência internacional ainda durante a faculdade, ela construiu carreira em comércio exterior antes de assumir o comando da companhia em 2024.
Fluente em quatro idiomas e com passagem pela Coreia do Sul, Lee traz para o setor uma combinação rara de visão global e capacidade de articulação internacional, qualidades que se tornaram essenciais em um mercado cada vez mais influenciado por acordos comerciais e disputas geopolíticas.
Foi sob sua liderança que a ADL estruturou as condições técnicas, regulatórias e comerciais para viabilizar o primeiro embarque internacional.
Para além do simbolismo, o embarque inaugura uma nova lógica de inserção do Brasil na cadeia global de minerais estratégicos. À Forbes, Lee destaca o peso dessa transição:
“O Brasil já se consolida como um fornecedor relevante de minerais estratégicos e vem ampliando seu protagonismo global por sua capacidade de suprimento confiável. A operação com o Canadá marca o início da atuação internacional da ADL Mineração e representa um marco histórico não apenas para a companhia, mas também para o setor mineral brasileiro, ao simbolizar a abertura de um novo ciclo de exportação privada nesse segmento”, afirmou.
O destino inicial, o Canadá, não foi aleatório. Segundo a executiva, o país foi escolhido pela maturidade das negociações comerciais e pela formalização dos primeiros acordos internacionais de fornecimento.
A ambição a ADL é exportar entre 500 e 1.000 toneladas de monazita ainda em 2026 e atingir cerca de 3 mil toneladas nos próximos dois anos.
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