A fortuna de Larry Page cresceu nesta quinta-feira (30) e ultrapassou, pela primeira vez, a marca de US$ 300 bilhões (R$ 1,5 trilhão), impulsionada pela valorização das ações da Alphabet após a divulgação de um forte avanço na receita de computação em nuvem no último trimestre da controladora do Google.
A lista de bilionários em tempo real da Forbes estima que o patrimônio de Page chegou a US$ 300,9 bilhões (R$ 1,504 trilhão) na manhã de quinta-feira, um aumento de US$ 14,9 bilhões (R$ 74,5 bilhões) no dia, colocando o cofundador do Google como a segunda pessoa mais rica do mundo.
O também cofundador Sergey Brin registrou alta semelhante, com sua fortuna crescendo US$ 13,7 bilhões (R$ 68,5 bilhões), para US$ 277 bilhões (R$ 1,385 trilhão), assumindo a terceira posição no ranking global, à frente de Jeff Bezos, da Amazon, cujo patrimônio caiu US$ 3,5 bilhões (R$ 17,5 bilhões), para US$ 267 bilhões (R$ 1,335 trilhão).
As ações da Alphabet subiam 6,5% nas primeiras negociações desta quinta-feira, após a empresa reportar lucro por ação de US$ 5,11 (R$ 25,55) e receita de US$ 109,8 bilhões (R$ 549 bilhões) no primeiro trimestre, superando as estimativas do mercado, que apontavam US$ 2,68 (R$ 13,40) por ação e US$ 106,9 bilhões (R$ 534,5 bilhões), segundo a FactSet.
O crescimento da receita foi impulsionado por um avanço anual de 63% nas vendas do Google Cloud, que atingiram US$ 20 bilhões (R$ 100 bilhões), acima da projeção de US$ 18 bilhões (R$ 90 bilhões). O CEO Sundar Pichai — cuja fortuna também avançou quase 5%, para US$ 1,7 bilhão (R$ 8,5 bilhões) — afirmou que as soluções de inteligência artificial da empresa se tornaram, pela primeira vez, um “principal motor de crescimento”.
O analista Doug Anmuth, do JPMorgan, destacou o desempenho da IA do Google em relatório divulgado nesta quinta-feira, afirmando que a companhia está gerando “retornos claros e mensuráveis” sobre seus investimentos na área.
A diretora financeira da Alphabet, Anat Ashkenazi, afirmou que a empresa espera um aumento “significativo” nos gastos até 2027. A companhia agora projeta investimentos de capital de até US$ 190 bilhões (R$ 950 bilhões) em 2026, acima da estimativa anterior de US$ 185 bilhões (R$ 925 bilhões), à medida que amplia os aportes em infraestrutura de inteligência artificial.
Número-chave
US$ 4,5 trilhões (R$ 22,5 trilhões). Esse é o valor de mercado da Alphabet após a alta das ações nesta quinta-feira, posicionando a controladora do Google logo atrás da Nvidia, avaliada em US$ 4,9 trilhões (R$ 24,5 trilhões), entre as maiores empresas do mundo. A Nvidia chegou a US$ 5,3 trilhões (R$ 26,5 trilhões) em valor de mercado no início da semana, antes de recuar.
A movimentação de US$ 56 bilhões entre os mais ricos após os balanços
Quatro empresas do grupo conhecido como “Magnificent Seven” divulgaram resultados na quarta-feira: Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft. Enquanto a Alphabet superou as expectativas, Amazon, Microsoft e Meta decepcionaram investidores, com quedas de 1,1%, 4,5% e 9,4% nas ações, respectivamente.
A fortuna de Mark Zuckerberg, o quinto mais rico do mundo, caiu US$ 21,9 bilhões (R$ 109,5 bilhões), para US$ 207,5 bilhões (R$ 1,037 trilhão), após a forte desvalorização das ações da Meta. O movimento ampliou as perdas de Bezos e do ex-CEO da Microsoft, Steve Ballmer, que caiu da 13ª para a 15ª posição no ranking, com redução de US$ 5,8 bilhões (R$ 29 bilhões), para US$ 128,6 bilhões (R$ 643 bilhões).
Balanços das “sete magníficas”
Apple e Nvidia são as últimas integrantes do grupo “Magnificent Seven” a divulgar resultados neste ciclo, após a Tesla ter reportado na semana anterior. A Apple apresentou seus números após o fechamento do mercado nesta quinta-feira, enquanto a Nvidia deve divulgar em 20 de maio.
A Alphabet tem se consolidado como uma das principais beneficiárias da aceleração do mercado de inteligência artificial, enquanto concorrentes como Meta e Microsoft enfrentam desafios. A Microsoft anunciou nesta semana o fim de sua parceria exclusiva e do acordo de compartilhamento de receitas com a OpenAI, que agora poderá licenciar seus modelos e produtos para terceiros e operar em qualquer plataforma de nuvem, incluindo as de Google e Amazon.
A gigante de software também lançou, no início do mês, seu primeiro programa de desligamento voluntário de funcionários, afetando cerca de 7% da força de trabalho nos Estados Unidos, em meio ao aumento dos investimentos em infraestrutura de IA.
Já a Meta, que vinha sendo destaque nos últimos anos, tem demonstrado fragilidade, com relatos de atrasos em projetos ligados ao metaverso e à inteligência artificial. A empresa também enfrentou duas decisões judiciais relevantes em março: uma que responsabilizou Meta e Google por recursos considerados viciantes em suas plataformas e outra que concluiu que a Meta facilitou a exploração infantil.
No trimestre mais recente, a Meta reportou uma queda de 5% no número de usuários ativos, citando “interrupções de internet no Irã”.
*Matéria originalmente publicada em Forbes.com