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Lungarotti Preserva e Promove a História do Vinho na Úmbria

Tom Hyland

Chiara Lungarotti assumiu a vinícola aos 27 anos, após a morte de seu pai em 1999

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A história tem uma forma curiosa de nos surpreender. Um exemplo é a vinícola Lungarotti, na Úmbria. É conhecida pelo consagrado tinto Rubesco, produzido pela primeira vez em 1962, alguns anos antes de o sistema DOC (Denominação de Origem Controlada, ou Denominazione di Origine Controllata, em italiano) ser implantado na Itália. Recentemente, Chiara Lungarotti, CEO do negócio familiar que mantém duas vinícolas na região, lançou um novo rótulo chamado Rubesco 62, em homenagem ao vinho original e também como celebração de uma das mais respeitadas produtoras da Úmbria e do país.

A Úmbria foi muitas vezes subestimada entre as regiões vinícolas italianas, em parte por não ser a Toscana ou o Piemonte (e, portanto, não ter tintos de fama mundial como Barolo, Barbaresco, Chianti Classico ou Brunello di Montalcino). Uma pena, já que a região produz vinhos tintos notáveis e alguns brancos de destaque. Entre eles, o Rubesco é um dos maiores sucessos.

Embora a Lungarotti produza diversos rótulos tintos e brancos, o Rubesco é seu cartão de visitas. Elaborado a partir de Sangiovese e Colorino (uva tinta italiana muitas vezes usada em cortes para dar mais cor), é um tinto de corpo médio, lembrando um Chianti Classico, mas com personalidade própria, trazendo notas de tabaco e pimenta. É excelente companhia para massas com molho de tomate ou carnes.

Divulgação/Lungarotti

O Rubesco é o principal rótulo da vinícola Lungarotti

Há ainda uma versão riserva (que passou por um processo de envelhecimento mais longo) do Rubesco, produzida a partir de um vinhedo único chamado Vigna Monticchio. Lançado pela primeira vez na safra de 1964 e classificado como DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida) em 1990, é um vinho mais encorpado que o Rubesco clássico, com aromas mais intensos (ameixa-preta e cereja morello), além de maior complexidade e potencial de guarda. Trata-se de um dos tintos mais importantes da Úmbria.

O recém-lançado Rubesco 62 é um tinto mais leve, que ressalta os sabores clássicos da Sangiovese e foi pensado para consumo mais jovem que o Rubesco tradicional. Com ótima acidez e equilíbrio, harmoniza bem com carnes vermelhas leves, sopas de feijão ou vegetais. Um rótulo complementar é o branco Torre di Giano 62, corte de Trebbiano e Grechetto, de corpo médio e notas herbais delicadas no final, ideal para acompanhar peixes ou queijos frescos.

Embora Torgiano seja a casa original da Lungarotti, a família também estabeleceu uma vinícola em Montefalco, a sudeste de Torgiano e ao norte de Spoleto. Chiara lembra que, após a morte de seu pai em 1999, assumiu a vinícola aos 27 anos. “Naquele momento, demos nosso primeiro passo fora de Torgiano”, conta.

Assim nasceram os vinhos de Montefalco na Lungarotti, sendo o mais famoso o Montefalco Sagrantino. A uva Sagrantino é uma das mais tânicas da Itália, exigindo mais tempo de envelhecimento em relação ao Sangiovese do Rubesco. “Queríamos mostrar que o Sagrantino pode ser extremamente prazeroso de beber.” Isso foi feito encurtando o tempo de maceração e utilizando temperaturas mais baixas no processo. O Lungarotti Montefalco Sagrantino é elegante e, embora precise de alguns anos após o lançamento para suavizar os taninos, revela-se complexo e harmoniza lindamente com aves de caça e carnes vermelhas a partir de 4–5 anos de safra, atingindo o auge entre 10 e 12 anos.

Divulgação/Lungarotti

A Lungarotti tem 250 hectares de vinhedos

Se a Lungarotti preserva a história do vinho, o maior símbolo disso está no Muvit – Museo del Vino, em Torgiano. Chiara fez questão de recomendar a visita e garantiu que não era um museu típico italiano, com apenas alguns saca-rolhas antigos e documentos empoeirados. E ela tinha razão. Trata-se de um museu robusto, com ampla variedade de peças: ferramentas e equipamentos de viticultura e vinificação, recipientes de cerâmica do período medieval ao contemporâneo, gravuras e desenhos dos séculos XV a XX, além de pinturas e litografias de artistas renomados, incluindo uma obra original de Picasso. Para quem ama vinho e sua história, é parada obrigatória em Torgiano.

Com mais de 60 anos de história, a vinícola está em boas mãos com Chiara Lungarotti, que combina dedicação à produção de vinhos de qualidade com um tributo à tradição vitivinícola italiana.

Notas de alguns rótulos recentes da Lungarotti

Torre di Giano 62 (Bianco di Torgiano Umbria DOC) – Corte de Trebbiano e Grechetto; aromas de melão, menta e ervas verdes. Corpo médio, final levemente herbal. Ideal com cuscuz ou frutos do mar leves nos próximos 3 a 5 anos. (91 pontos)

Rubesco 62 (Rosso di Torgiano Umbria DOC) – 100% Sangiovese; corpo médio, aromas de ameixa vermelha, torta de cereja e crisântemo. Vinho descomplicado e prazeroso, ótimo com sopas e massas leves nos próximos 3 a 4 anos. (90 pontos)

Rubesco Riserva Vigna Monticchio 2019 – 100% Sangiovese. Safra excelente na Úmbria, refletida neste grande vinho. Médio-encorpado, complexo, com notas de cereja morello, ameixa vermelha e um toque salgado lembrando molho de soja. Ótima acidez, taninos finos e madeira bem integrada. Evolui por 10–12 anos (ou mais). Harmoniza com pratos robustos como porco assado com trufas ou pato à Pequim. (93 pontos)

San Giorgio 2019 (Umbria Rosso IGT) – Um dos ícones da casa, considerado seu melhor vinho em muitas safras. Corte de 50% Cabernet Sauvignon e 50% Sangiovese, proveniente de vinhedos em encosta em Torgiano. Aromas expressivos de ameixa-preta, cereja morello, menta-negra e notas sutis de iodo e soja. Médio-encorpado, concentrado, de grande acidez. Melhor daqui a 12–18 anos. Combina com filé-mignon ou pernil de cordeiro. (94 pontos)

Montefalco Rosso 2021 – Corte de 70% Sangiovese, 25% Sagrantino e 5% Merlot. Aromas de cereja morello, tomilho e notas de floresta úmida. Corpo médio, taninos moderados, boa acidez. Pensado para consumo em 3 a 5 anos. Ótimo com massas leves e vegetais. (88 pontos)

Montefalco Sagrantino 2021 – 100% Sagrantino. Aromas de cereja selvagem, amora e violetas. Médio-encorpado, taninos firmes, mas equilibrados. Precisa de tempo para arredondar, atingindo o auge em 10–12 anos. Pode ser servido agora com leitão ou cordeiro assado. (93 pontos)

*Tom Hyland é um escritor e colaborador da Forbes EUA, onde escreve sobre vinhos de todo o mundo. Hyland possui 44 anos de experiência na indústria vinícola.





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