O próximo passo da Denza, a marca premium da chinesa BYD, no Brasil não virá pela base da pirâmide. Depois de estrear no país com um SUV e já anunciar outros dois modelos, a marca premium da BYD prepara agora a chegada de um supercarro elétrico que, mesmo sem ficha técnica completa divulgada, já entra em outro território de preço e desempenho. Segundo apurou a Forbes Brasil, com exclusividade, o Denza Z vai custar algo em torno de R$ 1,5 milhão no mercado brasileiro. A definição foi tomada na primeira reunião de diretoria da marca após a volta do Salão do Automóvel de Pequim, na China, realizado no começo de maio. O lançamento local está previsto para o segundo semestre.
O movimento ajuda a explicar a lógica da Denza no Brasil. A marca chegou ao país no fim do ano passado com um plano mais amplo: anunciou o B5, SUV off-road híbrido de luxo, o Z9 GT e a van executiva D9, mas iniciou sua operação pelo B5, escolhido como porta de entrada para construir imagem. O Z agora amplia esse desenho em direção ao topo.
Apresentado no Salão de Pequim, o Denza Z apareceu em versão conversível, com teto retrátil, e foi definido pela marca como seu primeiro supercarro elétrico inteligente. O projeto foi desenvolvido pela equipe global de design liderada por Wolfgang Egger, diretor global de design da BYD. A proposta combina fibra de carbono, trabalho aerodinâmico e a filosofia de design “Pure Emotion”, em uma carroceria pensada para desempenho em alta velocidade.
O que Pequim mostra sobre o novo momento chinês
A chegada do Z ao Brasil não acontece isoladamente. Ela faz parte de uma virada mais ampla das montadoras chinesas no mercado internacional – e no brasileiro. No primeiro trimestre de 2026, as importações brasileiras de automóveis vindos da China somaram US$ 1,5 bilhão, alta de 552,5% sobre o mesmo período de 2025, segundo a Secex/Mdic. No mesmo intervalo, os chineses responderam por 65,6% dos carros desembaraçados no país.
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DivulgaçãoO Denza Z tem mais de 1.000 cv e aceleração de 0 a 100 km/h em menos de dois segundos
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DivulgaçãoO Z usa o sistema DiSus-M, descrito pela marca como um controle inteligente eletromagnético de carroceria voltado a alto desempenho
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Essa primeira etapa da expansão foi marcada por volume e carros de proposta mais acessível. O retrato mais simbólico veio em fevereiro, quando o BYD Dolphin Mini fechou o mês no topo do varejo nacional, com 4.810 unidades emplacadas, quase mil à frente do Volkswagen Tera, segundo a Fenabrave.
O Salão de Pequim, hoje o maior do setor no mundo, mostrou o capítulo seguinte. A mostra, encerrada em 3 de maio, reuniu quase 200 carros inéditos e consolidou uma mudança de foco: depois de ganhar escala, as fabricantes chinesas passaram a usar o salão para exibir marcas, divisões e modelos mais premium. Nesse ambiente, a Denza apareceu como uma das vitrines mais claras dessa transição.
O que já se sabe do Denza Z
A Denza não abre a ficha técnica completa do carro, mas o material apresentado em Pequim permite traçar o contorno do projeto. O Z usa o sistema DiSus-M, descrito pela marca como um controle inteligente eletromagnético de carroceria voltado a alto desempenho. A referência central é direta: mais de 1.000 cv e aceleração de 0 a 100 km/h em menos de dois segundos.
A marca também informa que o modelo foi desenvolvido para longas viagens com apoio da bateria Blade de segunda geração e do sistema de Flash Charging. O carro já iniciou testes e tentativas de volta rápida em Nürburgring Nordschleife, na Alemanha, e terá lançamento global no Goodwood Festival of Speed, no Reino Unido.
No papel, o Denza Z empurra a marca a outra faixa de produto no Brasil. Se o B5, vendido por R$ 436 mil, e o Z9 GT, anunciado por R$ 650 mil, já marcavam uma entrada da Denza em um território acima do restante da gama BYD, o Z reposiciona essa estratégia em um nível ainda mais alto.
No fim, o carro cumpre uma função que vai além do volume. Ele serve como síntese de uma nova etapa da indústria chinesa: menos centrada apenas em acesso e escala, mais disposta a disputar imagem, tecnologia e prestígio. E, no Brasil, essa disputa já tem preço estimado.