Na onda do bem estar, o mercado Fitness no Brasil movimenta mais de R$ 20 bilhões por ano, segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) consolidadas em 2025.
No ano passado, cerca de 40% das pessoas que praticaram exercícios físicos levaram a sua rotina para as academias, de acordo com o relatório Panorama Setorial, da Fitness Brasil, e esse é o maior número que o País já observou. Antes da pandemia de Covid-19, por exemplo, apenas cerca de 4,6% a 5% da população brasileira frequentavam academias para praticar exercícios físicos. Os são dados da IHRSA (International Health, Racquet & Sportsclub Association) e mostram queentre 2019 e 2024, o número de alunos no Brasil cresceu cerca de 50%.
O crescimento de pessoas ativas impulsionou novas oportunidades de negócios no setor e abriu espaço para empresários como o Bruno Parlato e Mário Calfat Neto, que juntos fundaram a Buckler – empresa brasileira que representa marcas globais de equipamentos para academias. A companhia registrou R$ 200 milhões em receita nos dois primeiros anos de operação e projeta alcançar R$ 220 milhões em faturamento em 2026.
“Em pouco tempo, percebemos que não se tratava apenas de vender máquinas, mas de construir um novo padrão para o setor”, afirma Bruno Parlato, fundador e CEO da empresa que se considera um ecossistema completo de soluções para academias na intenção de profissionalizar o setor.
O mercado, que cresceu informalmente, tinha como carro chefe profissionais de educação física com o sonho de abrir uma academia. As aquisições dos equipamentos e a infraestrutura eram, quase que por lei, importadas da China com custos altos, qualidade baixa e sem o suporte necessário para montar os equipamentos, por exemplo, o que resultava em acidentes.
De acordo com Parlato, a parte de fornecimento de maquinário e serviços permaneceu muito amadora. “Uma barreira de entrada baixa na parte de equipamentos permitia que a maioria importasse equipamentos de baixíssima qualidade da China, que eram “etiquetados” com diferentes marcas sem exclusividade com as fábricas.”
Diante desse cenário, a empresa adotou as estratégias corporativas de empresas de tecnologia e do mercado financeiro buscando a inteligência dessas áreas para o mercado de equipamentos de academia.
Ticket de R$ 300 mil
A empresa optou por um modelo de gestão que opera com 100% de capital próprio utilizando sistemas como ERP para mitigar gargalos logísticos e de pós-venda. Essa estrutura reflete o amadurecimento do setor no Brasil, que hoje atrai fundos como Mubadala Capital, controlador da rede Bluefit.
“A Buckler nasceu estruturada porque uma empresa que não é auditável, não é uma empresa vendável”, explica Mário Calfat Neto, fundador e Vice-Presidente da companhia. O operacional permite à empresa focar em um perfil de cliente de alto valor, atendendo redes como Bodytech e Smart Fit com um ticket médio que gira em torno de R$ 300 mil a R$ 350 mil, podendo chegar a contratos de milhões para a montagem de academias completas.
O foco no segmento premium é corroborado pelos dados do mercado: o Panorama Setorial Fitness Brasil aponta que, embora o setor seja composto majoritariamente por pequenos estabelecimentos, o faturamento médio mensal acima de R$ 500 mil já é uma realidade para as operações de grande escala, que atendem mais de 2.000 alunos.
Ao focar o topo da pirâmide, a Buckler evita o risco de crédito das redes ultra low-cost. “não vendemos para as redes que baseiam o modelo de negócio em parcelamentos de até 100 vezes. Com os juros atuais, essa é a fórmula do fracasso e muitas estão quebrando por falta de educação financeira”, diz Neto.
O alerta sobre a “falta de educação financeira” no setor tem fundamento matemático. Segundo o executivo, o modelo de negócio de muitos concorrentes baseia-se em pagar o equipamento com a rentabilidade futura da academia em parcelamentos longos, o que se torna insustentável com taxas de juros na casa de 25% ao ano. “muitos entram no mercado sem saber fazer conta de juros compostos. O equipamento vira sucata antes mesmo da última parcela ser paga”, explica.
Conexão global
A Buckler ocupa cadeiras no board global da Realleader, fabricante asiática com uma estrutura industrial de 300 mil metros quadrados. “Nosso papel é conectar essa potência industrial a uma visão global de mercado e inovação. Estar na estrutura estratégica da marca nos permite antecipar tendências e trazê-las ao Brasil com velocidade”, diz Parlato.
Essa conexão global é estratégica diante das tendências apontadas pelo relatório da Fitness Brasil que mostra que 75% dos praticantes de atividade física estão satisfeitos com sua rotina, e o principal motor dessa adesão é a vontade própria. Além disso, o setor caminha para uma “bimodalidade”: de um lado, a democratização do acesso e do outro, a busca por experiências premium e integradas.