A empresa de comércio eletrônico Mercado Livre investirá R$57 bilhões em sua principal região, o Brasil, este ano, um aumento de 50% em relação a 2025, anunciou a companhia nesta terça-feira (24).
O Mercado Livre afirmou que o montante, que inclui alguns custos e despesas operacionais, será usado principalmente na expansão logística, bem como para fortalecer sua plataforma de marketplace de comércio eletrônico e aumentar a carteira de crédito de sua fintech, o Mercado Pago.
A empresa, com sede no Uruguai, mas que depende do Brasil para mais da metade de sua receita, planeja abrir 14 centros de distribuição do tipo “fulfillment”* no país este ano, chegando a um total de 42.
A companhia acrescentou que criará cerca de 10.000 empregos em 2026 no Brasil este ano, com foco em logística, serviços financeiros e tecnologia, aumentando o número total de trabalhadores no país para mais de 70.000 pessoas até o final do ano.
O Mercado Livre anunciou no início deste mês que investirá US$3,4 bilhões este ano na Argentina, seu terceiro maior mercado em receita, atrás do México e do Brasil.
Fulfillment*
Conjunto de processos logísticos de um e-commerce, desde o recebimento do estoque, armazenamento, processamento do pedido, embalagem, à entrega final.
Último tri da empresa
O Mercado Livre anunciou no seu último balanço, divulgado em fevereiro desse ano, uma queda de 12,5% no lucro trimestral, ficando abaixo das projeções dos analistas, devido aos impactos de investimentos em crédito e logística, mas a receita da companhia superou as estimativas, impulsionada pelos negócios no Brasil e no México.
O Mercado Livre opera uma plataforma de comércio eletrônico e a empresa de tecnologia financeira Mercado Pago na América Latina. A companhia registrou lucro líquido de US$ 559 milhões no trimestre de outubro a dezembro de 2025. Analistas consultados pela LSEG previam um lucro de US$ 587 milhões.
O vice-presidente sênior de relações com investidores do Mercado Livre, Leandro Cuccioli, disse à Reuters que a queda no lucro foi resultado de uma compressão das margens, causada pela decisão da empresa de aumentar os investimentos focados no desempenho a longo prazo.
Entre os investimentos, ele citou a emissão de mais cartões de crédito — o que aumenta as provisões –, a expansão do frete grátis e os planos de aumentar as vendas diretamente aos clientes, um formato conhecido como 1P.
A receita da empresa aumentou cerca de 45% em relação ao ano anterior, atingindo US$8,8 bilhões, acima dos US$8,5 bilhões esperados pelos analistas. Cuccioli afirmou que o resultado foi impulsionado por um aumento de 35%, em moeda constante, nas vendas no Brasil e no México, quando medidas pelo valor bruto de mercadorias.
O lucro operacional — ou lucro antes de juros e impostos (Ebit) — aumentou cerca de 8%, para US$889 milhões, próximo das estimativas de US$891 milhões. A margem Ebit caiu para 10,1%, ante 13,5% no ano anterior.
Analistas e investidores têm debatido o impacto dos investimentos do Mercado Livre na rentabilidade a curto prazo, com muitos buscando indícios de quando as margens poderão se recuperar.