A ex-vereadora Luciana Novaes morreu nesta segunda-feira (27/4), aos 42 anos, após a ativação do protocolo de morte cerebral, segundo informou a nota de pesar divulgada pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
A confirmação ocorreu em meio à manifestação oficial da Casa Legislativa sobre o falecimento da parlamentar.
Acidente e superação
Luciana ficou conhecida nacionalmente após ser atingida por uma bala perdida em 2003, quando estava no campus da Universidade Estácio de Sá, no Rio Comprido, Zona Norte do Rio.
A partir do episódio, passou a viver com tetraplegia e enfrentou uma longa trajetória de reabilitação e adaptação, contrariando prognósticos iniciais que apontavam baixíssimas chances de sobrevivência.
Mesmo diante das limitações físicas, ela seguiu ativa na vida pública e acadêmica, formando-se em serviço social e direcionando sua atuação para pautas ligadas à inclusão e aos direitos de pessoas com deficiência. Em 2016, foi eleita vereadora pelo PT, período em que se destacou pela apresentação e aprovação de projetos legislativos voltados a diferentes áreas sociais.
Luciana retornou à Câmara Municipal em 2023, desta vez como suplente, mantendo atuação política e participação em debates relacionados à acessibilidade e políticas públicas. Ao longo de sua trajetória, contou com apoio jurídico e institucional em diferentes fases de tratamento e acompanhamento médico.

Luciana Novaes.
Reprodução/Internet.

Luciana Novaes.
Reprodução/Internet.

Luciana Novaes.
Crédito: TV Câmara.
Leia a nota na íntegra
“Em virtude do acionamento do protocolo de morte cerebral da vereadora Luciana Novaes (PT), o presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Carlo Caiado (PSD), manifesta profundo pesar pelo falecimento da parlamentar, uma mulher que transformou a própria dor em propósito e fez da sua trajetória um exemplo permanente de luta, coragem e amor ao próximo.
Luciana, que tinha 42 anos, foi mais do que uma parlamentar atuante. Foi símbolo de perseverança e superação. Mesmo diante de uma das maiores adversidades que alguém pode enfrentar, encontrou forças para reconstruir sua vida e se dedicar ao serviço público com dignidade, sensibilidade e compromisso com quem mais precisa.
Ao longo de sua atuação, deixou um legado consistente de quase 200 leis, sempre voltadas para a inclusão, a defesa das pessoas com deficiência, dos idosos e da população em situação de vulnerabilidade. Sua voz firme e sua escuta generosa fizeram diferença na vida de milhares de cariocas, olhando não apenas para a cidade, mas para cada indivíduo que precisava ser visto, acolhido e respeitado.
Sua história, marcada por fé, resiliência e propósito, seguirá inspirando gerações. Luciana mostrou, na prática, que limites não definem destinos quando há vontade de transformar o mundo ao redor.
Neste momento de dor, a Câmara Municipal se solidariza com familiares, amigos e toda a equipe de seu mandato. O Rio de Janeiro perde uma grande mulher, mas seu legado permanece vivo, na memória da cidade e no coração de todos que foram tocados por sua trajetória.”