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Motta deve anunciar comissão especial sobre a escala 6×1 nesta 4ª

Parada na Câmara dos Deputados desde 2019, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a carga horária máxima de trabalho semanal e pode abrir espaço para o fim da escala 6×1 — seis dias de trabalho para um de folga — será votada nesta quarta-feira (22/4) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.

Com isso, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), deve definir o cronograma da próxima etapa de análise da PEC: a data de instalação da comissão especial, além da definição do relator e do presidente do colegiado.

A CCJ é a primeira etapa. O colegiado analisa apenas a admissibilidade do texto, isto é, se ele obedece à Constituição de 1988. Na semana passada, o relator da PEC na CCJ, deputado Paulo Azi (União-BA), apresentou parecer favorável ao projeto.

A comissão especial é responsável por discutir o conteúdo e as regras da mudança na jornada de trabalho. Em seguida, a PEC segue para o plenário, onde deve ser votada em dois turnos, com ao menos 308 votos dos 513 deputados para ser aprovada.

Por isso, há a expectativa de que a relatoria na comissão especial e no plenário fique com um deputado do Centrão, ligado ao grupo político de Motta.

  Lula e Hugo Motta em impasse sobre a jornada de trabalho; governo defende projeto próprio e Câmara mantém foco na PEC
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Lula e Hugo Motta em impasse sobre a jornada de trabalho; governo defende projeto próprio e Câmara mantém foco na PEC

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Deputado Paulo Azi, relator na CCJ, apresenta parecer favorável e sugere transição gradual na redução da jornada
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Deputado Paulo Azi, relator na CCJ, apresenta parecer favorável e sugere transição gradual na redução da jornada

Giuliano Gazzoni/Metropoles

Plenário da Câmara dos Deputados, etapa final de votação da PEC após análise nas comissões
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Plenário da Câmara dos Deputados, etapa final de votação da PEC após análise nas comissões

Vinícius Schmidt/Metrópoles

Entenda o que a PEC propõe

A PEC que a CCJ votará deriva de duas propostas: uma apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), em 2019, e outra protocolada em 2025 pela deputada Erika Hilton (PSol-SP).

Quando duas propostas tratam do mesmo tema – neste caso, a mudança na jornada de trabalho -, o regimento da Câmara permite que os textos sejam apensados (unificados).

As PECs de Lopes e de Hilton estabelecem mudanças diferentes na carga horária, que deverão ser unificadas, posteriormente, pelo relator da comissão especial.

Por enquanto, estão assim:

  • PEC 221/2019 (Reginaldo Lopes): propõe reduzir a jornada de trabalho de 44 para 36 horas semanais ao longo de um período de transição de 10 anos, sem redução salarial;
  • PEC 8/2025 (Erika Hilton): propõe a redução da jornada para quatro dias por semana (fim da escala 6×1), com limite de 8 horas diárias e 36 horas semanais.

Embora a CCJ não possa alterar o conteúdo da PEC, o relator Azi incluiu, em seu parecer, sugestões de pontos que considera importantes para a próxima etapa. Entre eles, está a criação de uma regra de transição para a redução da jornada, com aplicação gradual ao longo de alguns anos.

Entrave com o governo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou à Câmara, em 14 de abril, um projeto próprio sobre a mudança na jornada de trabalho com urgência constitucional. Nesse caso, Câmara e Senado têm, cada um, 45 dias para analisar e votar o texto.

A avaliação do governo é de que a tramitação de uma PEC no Congresso não avançaria no ritmo desejado. Por isso, optou por apresentar uma proposta alternativa, com o objetivo de viabilizar a aprovação ainda no primeiro semestre.

Mesmo com o envio do projeto do Planalto, Motta tem afirmado que mantém, por ora, apenas a votação da PEC, sem indicar relator para o texto de Lula.

O deputado também declarou publicamente que pretende aprovar a PEC no plenário até o fim de maio, prazo próximo aos 45 dias previstos para a tramitação do projeto enviado pelo governo.

O impasse provoca, nos bastidores, uma disputa por protagonismo político com a aproximação das eleições, previstas para outubro. Lula busca viabilizar um quarto mandato, enquanto Motta tenta se fortalecer na Câmara de olho na eleição para a presidência da Casa em 2027.



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