Na quinta-feira, 25, a Natura apresentou ao mercado o Essencial Safran, nova fragrância inspirada na perfumaria árabe, segmento que vem ganhando cada vez mais relevância no Brasil.
Com o açafrão como protagonista, um dos ingredientes mais caros e raros da região, o lançamento aposta em uma experiência olfativa intensa e envolvente. A proposta é entregar um perfume de perfil opulento e alta performance, com até 14 horas de fixação.
A fragrância foi desenvolvida em Dubai, em co-criação entre os perfumistas Verônica Kato, exclusiva da Natura, e Pierre Guéros e Gael Montero. Essencial Safran traz também notas de ishpink amazônico, ingrediente proprietário da Natura, que acrescenta um toque cítrico-amadeirado à picância quente do açafrão.
A Natura já explora a perfumaria árabe desde 2018, um reflexo do compromisso da marca com inovação e busca por sofisticação. “Com Essencial Safran, o que buscamos não é apenas ampliar portfólio, mas consolidar um território estratégico dentro da marca. Junto ao lançamento, lançamos a Coleção de Ingredientes Árabes, que unifica de forma inédita os ingredientes mais luxuosos da perfumaria árabe com os mais nobres ativos da perfumaria”, afirma Diego Costa, diretor sênior de marketing da Natura.
Essencial Ingredientes
O lançamento passa a representar a nova plataforma de perfumaria Essencial Ingredientes, que tem como eixo central o uso de matérias-primas raras na criação de fragrâncias. A proposta é colocar a marca em posição de destaque ao combinar ingredientes internacionais com elementos da biodiversidade brasileira, já característica da identidade Natura.
A plataforma conta com as linhas Essencial Oud e Essencial Mirra, também inspirados na perfumaria árabe e com fragrâncias intensas e de alta durabilidade. A Natura foi pioneira em usar o Oud no Brasil, um ingrediente nobre conhecido como “ouro líquido” e “madeira dos deuses”, em uma combinação que une a especiaria com a copaíba, madeira típica brasileira.
“Quando lançamos Essencial Oud, em 2018, a perfumaria árabe ainda era um nicho no Brasil. O principal aprendizado desde então foi que o consumidor brasileiro responde muito bem à potência olfativa, desde que ela venha acompanhada de legitimidade, qualidade técnica e narrativa consistente. Não basta trazer um ingrediente raro; é preciso contextualizar, educar e construir repertório”, afirma Costa.
O executivo explica que a área de pesquisa em perfumaria da Natura parte de uma leitura cultural combinada com ciência aplicada. “No caso de Essencial Safran, por exemplo, houve um mapeamento claro do crescimento consistente da perfumaria árabe nas redes sociais e nas buscas digitais. A partir dessa leitura, a área de marketing trabalha em conjunto com P&D e os perfumistas para transformar tendência em construção legítima de portfólio”.
No que se trata de tecnologia laboratorial, a empresa utiliza ferramentas de extração sustentável e desenvolvimento de óleos essenciais proprietários. Já são mais de 24 óleos exclusivos da biodiversidade brasileira e latino-americana compondo o portfólio Natura.
Costa ainda acrescenta que a plataforma árabe dentro de Essencial é contínua e será fortalecida ao longo de 2026. A proposta da Natura é explorar novas referências, de maneira que se conectem à biodiversidade brasileira, à ciência e à sustentabilidade.
Estratégias de marketing
Segundo Costa, a perfumaria árabe se consolidou primeiro como conversa digital para depois se estruturar como categoria de desejo no varejo. “Nosso ponto de partida é entender que essa é uma pauta cultural, impulsionada por creators, reviews, testes de fixação e de performance”, afirma.
A Natura consolida sua conversa digital por meio de plataformas como o TikTok, um dos principais catalisadores do segmento. Em colaboração com criadores especializados em fragrâncias e lifestyle, a estratégia da marca vai além da simples divulgação, envolvendo conteúdos capazes de aprofundar repertório, como análise de notas, construção olfativa e experimentação sensorial.
“Ao mesmo tempo, ampliamos essa presença para além do ambiente digital. Trabalhamos com especialistas, perfumistas e formadores de opinião que legitimam o discurso técnico e ajudam a traduzir a sofisticação da fragrância”, afirma o diretor.
O lançamento deve ganhar ainda mais força no Dia dos Namorados, relacionando a simbologia da data com características da perfumaria árabe, como intensidade, presença e magnetismo.
O avanço da perfumaria árabe no Brasil

Embora represente menos de 1% das fragrâncias internacionais no país, a perfumaria árabe tem registrado um crescimento considerável, impulsionada principalmente por redes sociais como TikTok e Pinterest. Segundo dados do Google Trends, a busca por “perfume árabe” cresceu mais de 60% ao longo de 2025, sendo que os brasileiros representam 40% da audiência digital global sobre o tema.
O movimento é reflexo de uma mudança no perfil do consumidor, que agora passa a buscar em perfumes marcas de identidade pessoal, com fragrâncias mais marcantes e exclusivas.
“O que vemos hoje não é uma tendência efêmera, mas a consolidação de um novo comportamento de consumo. Quando essa conversa se sustenta simultaneamente nas redes sociais, nas plataformas de busca, na entrada de novos players e na ampliação de portfólio das grandes marcas, estamos diante de um território estruturado, que ganha densidade e relevância cultural”, explica Costa.
A Natura não é a única marca que tem investido no segmento: o Grupo Boticário lançou, em novembro do ano passado, a marca Hadiya, descrita como o maior investimento histórico da marca em um único lançamento. Já a Hinode reforçou sua atuação no nicho ao desenvolver elixires da linha Inebriante, em Dubai, ampliando presença no segmento de inspiração árabe.
“Acreditamos que ainda há espaço importante para consolidação no médio prazo, especialmente no que diz respeito à qualificação da categoria. A democratização do acesso é um movimento natural, mas, no longo prazo, tendem a liderar as marcas que combinam construção consistente, cadeia produtiva estruturada, uso de ingredientes raros e, principalmente, legitimidade para interpretar esse repertório com autenticidade e sofisticação”, finaliza o diretor.