“Summertime… And the living is easy” (“Verão… e a vida fica mais leve”), canta Clara na ópera de sucesso Porgy and Bess, de Gershwin. E a temporada do estilo de vida descontraído do verão já começou nos Estados Unidos, impulsionada pelo feriado prolongado do Memorial Day. Mas o que proprietários e profissionais de design estão levando para suas áreas externas nesta temporada?
Uma das principais plataformas de design e construção residencial acaba de divulgar o estudo 2026 U.S. Houzz Outdoor Trends Study, que traz as respostas. Confira alguns dos principais resultados que podem ajudar nos planos de renovação para este ano.
Relaxamento acima da valorização para revenda
Diversas pesquisas já demonstraram o apelo dos espaços de convivência ao ar livre — especialmente desde 2020, quando a pandemia levou milhões de pessoas a permanecerem em casa. Ter um refúgio privativo se tornou uma forma de preservar o bem-estar durante os longos períodos de isolamento.
Com os altos custos da moradia atualmente, qualquer área externa privada — seja uma varanda, deck ou pátio — passou a ser altamente valorizada. Talvez por isso os proprietários estejam mais livres para moldar esses ambientes de acordo com suas preferências. Segundo o estudo, a parcela de moradores que realiza reformas visando aumentar o valor de revenda caiu para 15%, três pontos percentuais abaixo de 2024.
Esse cenário pode mudar nos próximos anos caso áreas externas privativas se tornem um item padrão nas novas construções residenciais, tornando tamanho e recursos mais competitivos entre os imóveis.
A condição dos espaços, porém, continua sendo determinante nas decisões de reforma. Segundo o levantamento, “embora elementos externos deteriorados ou danificados continuem sendo o principal gatilho para reformas em áreas externas (41%), os proprietários estão cada vez mais motivados a tornar esses ambientes mais acolhedores e funcionais (25%, alta de 3 pontos percentuais em relação a 2024)”.
“Os proprietários estão investindo em reformas externas pensando em objetivos de estilo de vida de longo prazo”, observa Marine Sargsyan, diretora de pesquisa econômica da Houzz. Ela destaca espaços que reduzem a separação entre áreas internas e externas, incluindo ambientes para refeições ao ar livre, cozinhas externas, cantos de leitura e áreas de descanso.
O entretenimento também tem peso importante. Segundo o estudo, quase dois em cada cinco proprietários incluem uma televisão nesses ambientes (38%).
Na prática, os dados mostram que os moradores estão transformando suas áreas externas em extensões dos cômodos internos. Quem gosta de futebol americano, por exemplo, quer receber amigos para assistir aos jogos em espaços que se estendem para o lado de fora da casa. Já os leitores mais assíduos desejam poder levar seus livros para uma espreguiçadeira à sombra, acompanhados de uma mesa lateral para apoiar uma bebida ou um lanche.
E a sombra é um elemento fundamental. Depois dos decks (43%), a melhoria estrutural mais solicitada foi a instalação de estruturas de sombreamento (35%), um salto de 15 pontos percentuais em relação a 2024.
As telas de proteção contra mosquitos e outros animais também cresceram, avançando dois pontos percentuais e alcançando 14%. A autora do texto relata que, quando viveu na Flórida e na Louisiana, estados conhecidos pela presença de mosquitos, lagartos e jacarés, essas telas eram indispensáveis. Já na Califórnia, de clima mais seco, a necessidade é menor.
Tendências para cozinhas externas
As cozinhas externas são populares há décadas, mas evoluíram significativamente ao longo do tempo. O que antes era apenas uma churrasqueira agora se aproxima do nível de estrutura encontrado nas cozinhas internas.
“Os proprietários estão tratando as cozinhas externas como espaços permanentes para cozinhar, fazer refeições e receber convidados, e não mais como áreas de uso ocasional”, aponta o estudo.
A ampla maioria dessas cozinhas possui churrasqueira (85%), enquanto cooktops (36%), fornos de pizza (29%), defumadores ou fritadeiras (24%) e gavetas aquecidas (9%) complementam o preparo dos alimentos.
Outros itens bastante presentes são refrigeradores para bebidas (62%), pias (59%) e torneiras (49%).
Outras tendências para áreas externas
Praticidade natural
Quase três quartos dos entrevistados (74%) desejam incluir plantas, arbustos ou árvores em seus espaços externos.
Entre os elementos mais populares estão vasos e jardineiras (40%), canteiros e bordas ajardinadas (62%) e caminhos, escadas ou degraus (45%), que facilitam a circulação pelo jardim.
Depois das plantas floridas, a baixa necessidade de manutenção aparece como a segunda maior prioridade, citada por 73% dos participantes.
Mais da metade dos entrevistados (56%) busca espécies que atraiam polinizadores, enquanto 49% priorizam plantas resistentes à seca. Já o interesse por espécies comestíveis caiu dois pontos percentuais em relação a 2024, chegando a 35%.
Embora melhorar a estética seja a principal motivação para reformas externas entre mais da metade dos entrevistados (53%), os proprietários também querem ambientes fáceis de manter (24%).
Por isso, cresce o interesse por espécies nativas, que se adaptam melhor ao clima e ao solo locais e exigem menos irrigação e fertilização.
Os sistemas de irrigação apareceram em 58% dos projetos, refletindo a preocupação em proteger os investimentos feitos no paisagismo — além de evitar a necessidade de regar manualmente as plantas antes do amanhecer.
Não surpreende, portanto, que os gramados naturais estejam perdendo espaço.
Segundo o estudo, “a participação dos proprietários que optam por substituir seus gramados originais por grama natural caiu 9 pontos percentuais desde 2024, chegando a 63% em 2026”.
Já os gramados sintéticos avançaram 10 pontos percentuais, alcançando 19%. Muitos proprietários também estão substituindo áreas gramadas por pavimentação paisagística (hardscape) (57%), cobertura vegetal (mulch) (51%) e canteiros ajardinados (48%).
Ao que tudo indica, a maioria dos americanos prefere dedicar o tempo livre à jardinagem, ao lazer e ao convívio social, em vez de cortar a grama.
Que haja luz
A iluminação é um daqueles recursos cuja importância fica evidente quando ela não existe ou quando é insuficiente.
Não por acaso, ela liderou a lista de melhorias em sistemas externos, sendo mencionada por 77% dos entrevistados.
A iluminação voltada especificamente para áreas de convivência ao ar livre apareceu em 66% dos projetos, ficando atrás apenas dos assentos para descanso e convivência (71%) e à frente de recursos como lareiras e fogueiras externas (48%) e equipamentos de entretenimento (22%).
Segurança em primeiro lugar
Depois da iluminação (63%), as câmeras de segurança foram o principal investimento em tecnologia para áreas externas, mencionadas por 39% dos entrevistados.
“O sistema de câmeras de segurança é o único produto tecnológico que registrou crescimento neste ano”, destaca o estudo.
A autora afirma ter ficado surpresa ao constatar que as compras de caixas de som externas e televisores para áreas abertas diminuíram em relação a 2024.
Metodologia do estudo
A pesquisa contou com 122 perguntas e reuniu informações de 1.191 usuários cadastrados na Houzz que recebem os boletins informativos da plataforma duas vezes por semana.
Os participantes declararam ter 18 anos ou mais, serem proprietários de imóveis e atender a pelo menos um dos seguintes critérios: ter concluído uma reforma em área externa ou fachada residencial nos últimos 12 meses, estar realizando uma obra atualmente ou planejar iniciar um projeto desse tipo nos próximos seis meses.
Reportagem publicada originalmente em Forbes.com