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O Carro Que Nasceu de uma “Brincadeira” e Virou o Primeiro Elétrico Conversível Produzido em Série

Antes dele, apenas o Tesla Roadster havia seguido esse caminho, mas em volumes bastante limitados e com uma proposta mais restrita. Foi com o MG Cyberster que a ideia de um esportivo elétrico conversível ganhou escala dentro da estratégia de uma montadora – e virou produto em um momento em que a sino-britânica MG tenta redesenha seu próprio posicionamento global.

A origem do carro ajuda a explicar por que ele ocupa um lugar tão específico dentro da marca. Em entrevista exclusiva à Forbes Brasil, Carl Gotham, Advanced Design Director da MG, contou que o projeto não nasceu como um programa oficial da companhia, mas como uma iniciativa paralela dentro do escritório de design da marca em Londres, a poucas quadras do Hyde Park.

“O projeto foi construído fora do expediente”, disse. Segundo ele, a equipe era pequena, focada e trabalhava com materiais simples, buscando uma execução rápida e barata. “Não estávamos pensando em um carro real”, afirmou.

Naquele estágio, a proposta não era montar um business case completo nem defender imediatamente uma produção em série. A ideia, segundo Gotham, era outra: criar algo capaz de inspirar os executivos e o board da companhia a acreditar naquele tipo de carro. “Estávamos tentando inspirar as pessoas a acreditar nesse tipo de sonho”, resumiu. As primeiras conversas começaram entre o fim de 2017 e 2018, ainda dentro do departamento de design, e depois passaram a circular fora dali.

O processo atravessou a pandemia de covid-19, que, segundo Gotham, trouxe obstáculos evidentes, mas também abriu uma oportunidade. A MG precisava de um show car para apresentar em no Salão do Automóvel de Xangai, na China. O Cyberster apareceu como um projeto que poderia cumprir esse papel em um momento em que, segundo ele, o mundo buscava algo mais inspirador. Quando o conceito foi mostrado, o chairman da companhia deu sinal verde para sua transformação em carro de produção. A partir dali, o projeto passou a ser liderado pela equipe da China, com apoio do time de design que havia iniciado o trabalho em Londres.

O ponto central do Cyberster sempre foi o equilíbrio entre passado e futuro. Gotham explica que, para a MG, o desafio não era apenas fazer um carro elétrico, mas fazer com que ele continuasse sendo reconhecido como um esportivo. “Queríamos que ele ainda parecesse e se sentisse como um carro esportivo, um esportivo elegante, com capô longo”, disse. Mesmo sem motor a combustão na dianteira, a equipe manteve esse desenho para preservar essa imagem.

Essa combinação também aparece na experiência ao volante. Para Gotham, dirigir um carro com o teto abaixado, sem o som de um motor a combustão, produz uma sensação diferente da de um roadster tradicional. “É um pouco como velejar. Você escuta o vento e o ambiente”, afirmou. Na leitura do designer, o Cyberster não foi pensado para ser o carro mais agressivo ou mais extremo. “A MG não quer ser a marca do carro esportivo mais rápido e mais agressivo. Ele precisa ser o mais fácil, mais leve e mais relaxado, de certa forma”, disse.

A parte técnica do Cyberster

No Brasil, o MG Cyberster chegou em versão única, no final do ano passado, com posicionamento premium e preço de R$ 499.800. O modelo usa dois motores elétricos, que entregam 510 cv de potência combinada e 725 Nm de torque às quatro rodas. O pacote inclui ainda Launch Control, sistema de som com alto-falantes Bose, freios com pinças Brembo e portas do tipo tesoura com acionamento elétrico.

A resposta do mercado brasileiro foi rápida. O primeiro lote, com 50 unidades, foi totalmente comercializado em menos de um mês. Gotham disse que soube depois da reação brasileira e tratou o resultado como algo importante para medir o alcance do projeto. “Sinto muito orgulho do que alcançamos”, afirmou. Para ele, ver um carro que começou como ideia paralela, quase como um exercício de estúdio, chegar às ruas e encontrar esse tipo de recepção é um movimento relevante.

O que vem agora para a MG no Brasil

O Cyberster abriu a frente mais aspiracional da MG, mas ele não está isolado dentro da estratégia brasileira da marca. A operação local foi organizada em duas frentes. A primeira é a chegada, no segundo semestre de 2026, da IM Motors, braço premium do grupo SAIC. A segunda é o início da operação industrial com o MG4 Urban, hatch elétrico de entrada que chegará primeiro importado e depois abrirá a base industrial da marca no Brasil.

Nos bastidores do Salão do Automóvel de Pequim, também surgiram indicações de que o LS6 pode estar em fase avançada de homologação para o mercado brasileiro, embora isso ainda não tenha confirmação oficial. O modelo é descrito como um SUV elétrico de perfil cupê, posicionado no segmento médio, com foco em tecnologia e desempenho.

Nesse contexto, o Cyberster acaba exercendo um papel de transição. Ele não é o carro de volume da operação brasileira, nem o modelo que vai abrir a produção local. Seu papel é outro: funcionar como vitrine de imagem, design e posicionamento para uma marca que tenta ampliar sua presença no país e, ao mesmo tempo, mostrar que pode disputar atenção também em um território mais aspiracional.



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