As feiras são momentos de aceleração dentro de um processo que é, por natureza, de longo prazo. Em poucos dias, elas reúnem artistas, galeristas, colecionadores, curadores e instituições de diferentes partes do mundo, criando uma intensidade difícil de ser reproduzida em outro contexto.
Participamos de feiras há décadas. Em 2025 foram 11 e, em 2026, devemos chegar a 14. Começamos pela Expo Chicago em 2001 – da qual participamos até hoje e acontece na próxima semana com uma apresentação nossa com obras de Elian Almeida e Mônica Ventura –, e fomos ampliando nossa presença internacional (Cidade do México, Lima, Miami, Nova York, Los Angeles, Londres, Paris, Turim, Madri, Basel, Hong Kong…), acompanhando a própria transformação do mercado de arte, que se tornou mais global, mais competitivo e também mais concentrado. Esse crescimento não foi linear — foi o resultado de escolhas constantes sobre onde estar, o que mostrar e, principalmente, do que abrir mão.
A decisão de participar de uma feira nunca é simples. O investimento é alto — muitas vezes altíssimo — envolvendo transporte, logística, seguro, equipe, hospedagem e produção de estande. É preciso sempre equilibrar as possibilidades e os desejos. Significa fazer escolhas difíceis, como a curadoria em si: selecionar um número muito reduzido de obras a partir de um universo amplo e, inevitavelmente, frustrar algumas expectativas.
Nem sempre a resposta é imediata — e nem sempre é comercial. A feira é, sobretudo, uma plataforma de posicionamento. Mais do que um espaço de venda, ela cria visibilidade, estabelece contexto e inaugura relações. Um encontro certo na feira pode se desdobrar em outras oportunidades importantes: uma exposição institucional, a entrada de uma obra em um museu, a aproximação de um novo colecionador. Quando o interesse se traduz tanto no campo institucional quanto no comercial, chegamos à situação ideal.

Alguns exemplos ficaram marcados. Depois de mostrar Julio Le Parc na Frieze Masters London em 2013, ele foi convidado a fazer uma exposição na Serpentine Galleries, em Londres, em 2015. Naquele ano, apresentamos um solo show de Tomie Ohtake na mesma feira, e então em 2016 a Tate adquiriu uma de suas obras.
A repetição é estratégica para consolidar a história da galeria: voltar às mesmas feiras, apresentar certos artistas de forma consistente, construir uma presença contínua. Ao mesmo tempo, existe sempre o desejo de experimentar, de trazer algo novo, além de responder a pressões internas e externas. Não é fácil equilibrar esses movimentos. E nem sempre as apostas dão certo. Já realizamos projetos extremamente interessantes do ponto de vista curatorial, que, no entanto, não funcionaram comercialmente.

Mas essa visibilidade é efêmera – são poucos dias. Por isso, a continuidade do trabalho é fundamental. Essa foi uma das razões que nos levou a abrir a galeria em Nova York: dar sequência a essas relações, permitir que contatos iniciados nas feiras se desenvolvam com mais profundidade. As feiras chamam a atenção; a galeria sustenta o vínculo.
As feiras têm também uma dimensão que vai além do mercado: elas entraram definitivamente na agenda cultural das cidades, impulsionando inclusive um circuito de arte ampliado. Durante a semana da SP-Arte, por exemplo, somada às exposições na galeria, apresentamos uma mostra de Marco Castillo na Casa Domschke, projetada por Vilanova Artigas. E na feira, além do estande principal, temos nossa editora no núcleo editorial e, no dia 9, participo de um talk com Miguel Chaia e em seguida temos lançamentos de livros de José Patrício (Nara Roesler Books) e Daniel Senise (Cosac).

Há quem vá para comprar, quem vá para observar, quem vá simplesmente para circular ou participar de eventos na feira. Esse encontro de diferentes níveis de interesse e conhecimento cria uma energia particular — uma espécie de entusiasmo coletivo. A SP-Arte é um exemplo importante desse movimento. Temos orgulho de ter participado desde a primeira edição e de acompanhar sua consolidação como a principal feira da América do Sul.
O que aprendi ao longo desses anos é que as feiras não substituem o trabalho contínuo de uma galeria. Elas o intensificam. São momentos em que tudo se acelera — mas é o tempo longo que sustenta o que realmente permanece.
-
1 / 5
Flavio Freire e cortesia da artista e Nara RoeslerVista da apresentação individual de Mônica Ventura no estande da Nara Roesler na ArPA 2025
-
2 / 5
DivulgaçãoPlaca de identificação do estande de Nara Roesler na Art Basel, Basel (Suíça), 2007
-
3 / 5
DivulgaçãoVista do estande da Nara Roesler na Art Basel Paris 2024, no setor Premise. Cortesia dos espólios dos artistas e Nara Roesler
-
Publicidade
-
4 / 5
Charles Roussell e cortesia do artista e Nara RoeslerVista da apresentação indiviudal de Jonathas de Andrade no setor MERIDIANS da Art Basel Miami Beach 2022
-
5 / 5
DivulgaçãoNara Roesler no estande da ArtPE 2025, primeira participação na feira




