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O Que Ficou de Fora do Filme sobre a Vida e a Carreira do Rei do Pop

Desde a estreia nos cinemas, no fim de abril, o filme “Michael” já entrou para a história ao registrar o maior lançamento de todos os tempos para uma cinebiografia. Em seu primeiro fim de semana, o longa arrecadou US$ 217 milhões (R$ 1 bilhão) mundialmente.

A produção — orçada inicialmente em US$ 170 milhões (R$ 850 milhões) — retrata a vida de Michael Jackson de 1966 a 1988, desde a formação do grupo Jackson 5 até o encerramento da primeira turnê mundial solo do artista. Uma sequência já foi confirmada pelos estúdios, ainda sem previsão de lançamento.

Quem já assistiu ao filme se impressionou com a semelhança entre o protagonista (o sobrinho do artista, Jaafar Jackson) e o Rei do Pop, mas deixou a sala de cinema querendo mais. Isso porque o filme se encerra justamente no auge da carreira de Michael Jackson.

Por isso, a seguir, relembramos momentos marcantes da trajetória do cantor que ficaram de fora da produção.

Veja os principais fatos que ficaram de fora do filme “Michael”

1. Grandes álbuns e show no Super Bowl

O filme não engloba o período entre 1991 e 2001, etapa em que o cantor lançou três de seus principais álbuns comerciais: “Dangerous“, “HIStory” e “Invincible“. As estratégias de marketing e os videoclipes de alto orçamento que consolidaram sua imagem global nas décadas seguintes, como “Black or White”, “They Don’t Care About Us” — com cenas gravadas no Brasil — e “You Rock My World”, também não entraram para o recorte.

Outro marco profissional que ficou de fora é a apresentação no Super Bowl de 1993. A performance de Jackson redefiniu o modelo de negócios do evento da NFL, transformando o show do intervalo em um ativo publicitário primário para a indústria fonográfica.

2. Janet Jackson e brigas familiares

A narrativa do longa exclui a existência de Janet Jackson, uma das irmãs de Michael Jackson. Segundo representantes ligados à produção, a própria cantora declinou o convite para participar ou ser retratada no filme. Consequentemente, o single “Scream”, projeto colaborativo lançado pelos irmãos em 1995 com um dos videoclipes mais caros da história, não deve ser incorporado na franquia.

O controle da narrativa pelo espólio também evidenciou divergências entre os herdeiros diretos, que figuram como os principais acionistas da marca. Enquanto os filhos Prince e Bigi apoiaram ativamente o projeto, Paris Jackson fez oposição pública ao longa, discordando da forma como a trajetória do artista foi adaptada para o cinema por “interesses comerciais”.

3. O rancho Neverland

A aquisição e a construção do rancho Neverland não foram incluídas no recorte atual. Com mais de 1,2 mil metros quadrados, a residência de Michael Jackson na Califórnia de 1988 a 2005 ficou famosa por seu parque de diversões particular e zoológico.

4. Transformações físicas

Michael Jackson teve pele negra até meados dos anos 1980, período em que foi diagnosticado com duas doenças autoimunes: lúpus (que causa inflamações, dores e danifica alguns tecidos do corpo) e vitiligo (que ataca as células responsáveis pela produção de melanina). A segunda condição, que teria sido a responsável por mudar a cor da pele do cantor, é abordada superficialmente no longa, enquanto as transformações físicas mais profundas ficaram de fora do recorte.

No entanto, a cinebiografia retrata sua primeira rinoplastia. No longa, a decisão pela mudança estética acontece devido a inseguranças, enquanto, na vida real, o cantor afirmou ter operado após quebrar o nariz durante um ensaio de dança, em 1979.

5. Casamentos e filhos

Os casamentos de Michael Jackson com Lisa Marie Presley (filha de Elvis), de 1994 a 1996, e com a enfermeira Debbie Rowe, de 1996 a 1999, não entraram para o filme, assim como o nascimento de seus três filhos: Prince, Paris e Bigi (anteriormente conhecido como Blanket).

6. Acusações de abuso infantil

No âmbito jurídico, o roteiro omite as acusações de abuso infantil enfrentadas pelo cantor. O recorte cronológico do filme exclui as duas maiores crises de imagem da carreira do artista: as primeiras alegações em 1993, que resultaram em um acordo civil milionário e na perda de patrocínios globais (incluindo o rompimento de seu contrato histórico com a Pepsi), e o julgamento criminal de 2005, no qual o cantor foi absolvido de todas as acusações.

7. A tentativa de reestruturação

A linha do tempo do filme finaliza décadas antes dos últimos movimentos de carreira de Michael Jackson. O artista morreu em 2009, deixando uma dívida estimada em US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões). Naquele momento, ele ensaiava para “This Is It”, uma residência com 50 apresentações programadas para Londres. A turnê representava uma estratégia de reestruturação financeira desenhada para liquidar o passivo acumulado. Os preparativos constam apenas no documentário póstumo lançado no mesmo ano de sua morte, “Michael Jackson’s This Is It”.



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