Bom dia. Estamos na sexta-feira, 17 de abril.
Cenários
Esta sexta-feira (17) marca uma abertura de mercados sob o signo do alívio geopolítico, ainda que repleta de cautela. O principal catalisador do dia é o cessar-fogo de dez dias entre Israel e o Líbano, anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e confirmado pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu após conversas realizadas em Washington na quinta-feira (16).
O acordo entrou em vigor na noite da quinta-feira (16) e trouxe um primeiro sopro de esperança a investidores que acompanham de perto o desenrolar do conflito no Oriente Médio e seus reflexos sobre a economia global.
O impacto mais imediato foi sentido nos preços do petróleo. O barril do tipo Brent recua 3,5% nesta manhã, sendo cotado na faixa de US$ 95, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência para o mercado americano, cai mais de 2%, negociado a cerca de US$ 92,78.
A perspectiva de uma desescalada nos conflitos regionais alimenta a expectativa de normalização gradual da oferta, o que contribui para reduzir parte da incerteza que vinha pesando sobre as projeções de inflação e crescimento global.
Ainda assim, o cenário permanece longe de uma resolução definitiva. O Estreito de Ormuz segue efetivamente fechado, mantido sob duplo bloqueio pelos Estados Unidos e pelo Irã, o que impede qualquer euforia prematura. Trump, no entanto, repetiu seu otimismo quanto a um possível acordo, afirmando que o Irã demonstra disposição para fazer concessões que anteriormente rejeitava.
O presidente americano sinalizou que uma nova rodada de negociações pode ocorrer ainda neste fim de semana, e disse não ter certeza se será necessário estender o cessar-fogo já acordado com o Líbano.
Nos mercados acionários, o clima é de leve alta. As bolsas americanas registram ganhos modestos no pré-mercado, e os principais índices europeus seguem a mesma direção.
A agenda econômica do dia tem poucos indicadores relevantes. A atenção dos investidores se volta para a temporada de balanços corporativos, que segue em curso e pode oferecer sinais adicionais sobre a saúde das empresas diante do ambiente de juros elevados.
No campo da política monetária, os holofotes se voltam para as falas de dirigentes do Federal Reserve (FED), o banco central americano. O governador do FED Christopher Waller, considerado um dos membros mais linha-dura do colegiado, e o presidente do FED de Richmond, Thomas Barkin, devem se pronunciar sobre as perspectivas para a economia americana e os próximos passos da política monetária.
Já o presidente do FED de Nova York, John Williams, afirmou na quinta-feira que o ambiente de elevada incerteza deve limitar a capacidade do banco central americano de sinalizar seus próximos movimentos por meio do chamado forward guidance, embora seu cenário-base ainda contemple cortes de juros no horizonte mais longo.
No mercado de câmbio, o índice DXY — que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas — se estabiliza acima de 98 nesta sexta-feira. O rendimento da Treasury americana de dez anos permanece acima de 4,3%, refletindo um mercado de renda fixa que ainda precifica juros elevados por mais tempo, mesmo diante de algum alívio geopolítico.
Perspectivas
A abertura desta sexta-feira reflete um mercado cautelosamente otimista com os sinais de distensão geopolítica. O cessar-fogo entre Israel e Líbano é um passo positivo, o otimismo de Trump em relação ao Irã é encorajador, e a queda do petróleo traz alívio inflacionário. Contudo, enquanto o Estreito de Ormuz permanecer bloqueado e as negociações com Teerã não avançarem de forma concreta, o mercado tende a calibrar seu entusiasmo.
Indicadores
Sem indicadores relevantes