Entre as 65 marcas representadas na Watches and Wonders (principal evento da alta relojoaria mundial, em Genebra até dia 20 de abril), duas delas se destacam no ranking das cinco primeiras mais relevantes no segmento: Patek Philippe e Vacheron Constantin. Os estantes de ambas sempre estão repletos de gente com olhares vidrados nas vitrines.
A Patek celebra 50 anos do clássico Nautilus com lançamentos dessa coleção. Mas chama atenção graças a outras novidades como o Patek Philippe 5204G-010. Trata-se de um cronógrafo rattrapante com calendário perpétuo que apresenta uma caixa em ouro branco com 40 milímetros de diâmetro e 14,3 milímetros de espessura.
Também conhecido como split-seconds, o cronógrafo rattrapante é uma das complicações mais complexas da alta relojoaria, projetada para medir dois eventos que começam simultaneamente, mas terminam em momentos diferentes. Diferente de um cronógrafo convencional, ele possui dois ponteiros de segundos centrais sobrepostos que iniciam o movimento juntos.
Calibre extremamente sofisticado
Com a “captura” (daí o termo francês rattraper, que significa alcançar), o ponteiro que estava parado salta para se sobrepor ao ponteiro em movimento, sincronizando-se novamente com ele. Essa função exige um calibre extremamente sofisticado, como o CHR 29-535 PS Q da Patek Philippe, que utiliza 496 peças (e 34 rubis) para coordenar a sincronicidade dos ponteiros.
O movimento opera em uma frequência de 28.800 semi-oscilações por hora e dispõe de uma reserva de marcha que varia entre 55 e 65 horas quando o cronógrafo está desligado. Entre suas funções técnicas, destacam-se o contador de 30 minutos instantâneo, as fases da lua, pequenos segundos e a data indicada por ponteiro. O calendário perpétuo exibe o dia, mês, ano bissexto e a indicação dia/noite através de aberturas no mostrador.
O modelo possui um mostrador azul-marinho com acabamento sunburst, placa em ouro 18 quilates e marcadores de hora estilo obus facetados em ouro branco. Os ponteiros são do estilo dauphine, também em ouro branco, e contam com revestimento luminescente. O relógio é equipado com uma escala taquimétrica e oferece resistência à água até 30 metros.
O relógio é acompanhado originalmente por uma pulseira azul-marinho com padrão de tecido e costuras vermelhas, incluindo uma pulseira adicional em couro de jacaré azul marinho brilhante. O conjunto é finalizado com um fecho dobrável de lâmina tripla em ouro branco e ostenta o selo Patek Philippe como sinal distintivo de qualidade.
O céu de 17 de setembro de 1755
Não é todo dia que se celebra 270 anos de história. Por isso, a Vacheron Constantin veio com tudo com o novo Vacheron Constantin 7200A/000G-H103, um tributo à busca do tempo, como a própria maison definiu. Em ouro branco de 18 quilates, é uma peça de alta complexidade, assim como o Patek, que combina arte tradicional e engenharia patenteada.
O modelo apresenta o inovador Calibre 3670, um movimento de corda manual com 512 componentes e 5 Hz de frequência, que exigiu três anos de desenvolvimento. A face principal do relógio possui mostrador de safira com gradiente azul e a figura de um astrônomo em titânio, cujos braços indicam as horas e minutos em um sistema de duplo retrógrado de arraste.

Este mecanismo oferece dois modos: exibição contínua ou sob demanda (braços fixos), alternáveis por um botão às 10 horas. O mostrador ainda integra uma lua 3D de alta precisão — que requer ajuste apenas a cada 122 anos — e uma reserva de marcha setorial para seis dias.
No verso, o relógio de 43 milímetros de diâmetro e resistente a 30 metros de profundidade revela uma abóbada celeste que retrata o céu sobre Genebra como aparecia na data de fundação da marca, em 17 de setembro de 1755, permitindo a leitura do tempo sideral e a observação das constelações do hemisfério norte.
A peça é certificada pelo Selo de Genebra: uma das certificações mais prestigiosas e antigas da alta relojoaria mundial, servindo como uma garantia de origem, excelência técnica e acabamento estético. Significa que ele foi montado, ajustado e encasulado no Cantão de Genebra – uma forma de proteger o know-how dos artesãos locais. Ele é um tributo direto à herança astronômica da marca e ao histórico modelo de bolso Bras en l’Air, de 1930.
Na possibilidade de levar um só, qual você prefere: o Patek ou o Vacheron? Se ficar muito na dúvida, não abra mão dos dois.