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Pela primeira vez no DF, médicos fazem cirurgia cardíaca usando robô

Médicos de Brasília conduziram, pela primeira vez no Distrito Federal, uma cirurgia robótica cardíaca. O paciente apresentava degeneração da válvula mitral de origem congênita, que evoluiu para um quadro de insuficiência.

A técnica utilizada no final de março foi a plastia, que consiste na reconstrução da própria válvula do paciente, evitando a necessidade de substituição por uma prótese. O uso do robô permite uma recuperação mais rápida, menos dolorosa e com menor perda sanguínea. Apesar de inovador, o procedimento é indicado para casos específicos em que o benefício da técnica minimamente invasiva é maximizado.

Os candidatos ideais para a cirurgia robótica são aqueles que necessitam de intervenções simples e únicas, como correção de doenças da válvula mitral, fechamento de defeitos do septo interatrial ou ventricular, retirada de tumores cardíacos benignos e revascularizações miocárdicas selecionadas.

Diferente da cirurgia convencional, que é feita com o peito aberto e apresenta risco de morte estimado entre 1% e 3% e morbidade agregada em torno de 15%, a cirurgia robótica diminui os índices de infecções respiratórias e de ferida operatória, já que mantém a integridade do osso esterno — localizado no centro do peito.

Robô Da Vinci Xi utilizado na primeira cirurgia cardíaca robótica de Brasília

Cirurgia cardíaca robótica x convencional

Segundo os médicos que executaram o procedimento cirúrgico robótico, a intervenção é feita por meio de pequenas incisões laterais entre as costelas, onde os especialistas controlam o braço robótico e operam com uma visão tridimensional de alta definição. Outro lado positivo é a filtragem de tremores dos instrumentos, que permite suturas extremamente refinadas em espaços restritos.

O procedimento foi feito no Hospital Santa Lúcia Sul (HSLS) e colocou o DF na lista das cidades que possuem centros de especialidades e excelência nacional capacitados para realizar cirurgias cardiovasculares de alta tecnologia.

Para o cirurgião cardíaco Victor Figueiredo, coordenador do Programa de Cirurgia Robótica do Grupo Santa, o feito representa uma evolução institucional e clínica.

“Existem várias vantagens da cirurgia robótica: precisão das pinças, movimentos além do limite das mãos humanas, eliminação do tremor humano natural, visão 3D e aumentada. Mas a principal vantagem é que ela elimina a necessidade de esternotomia (seção do osso esterno), o que torna a cirurgia minimamente invasiva e diminui a agressão cirúrgica de forma extrema, proporcionando uma recuperação muito mais rápida”, esclarece.

O cirurgião cardíaco Cláudio Cunha explica que a técnica convencional geralmente ocorre com corte na região central do peito, e é necessária a abertura do osso esterno, o que pode aumentar o risco de complicações.

“A necessidade de abertura do osso do peito não aumenta diretamente o risco da cirurgia. Esta via tem sido usada há muitos anos, com muita segurança. Porém, algumas complicações relacionadas ao corte geralmente podem ser evitadas na cirurgia robótica, trazendo alguns benefícios para o paciente, como diminuição do risco de infecção, redução do sangramento relacionado ao osso, além da diferença estética”, reforça.



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