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Petróleo Caro Espalha Inflação e Pode Segurar Corte de Juros, Dizem Especialistas

Na inflação, os efeitos da alta do petróleo, causada pela guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, são amplos e podem ser persistentes. Na economia brasileira, a dimensão deve vir na divulgação pelo IBGE dos dados de abril do IPCA, índice que mede a inflação oficial do País. “O petróleo não impacta apenas os combustíveis, mas se espalha por toda a economia, desde o frete ao supermercado, da indústria aos serviços”, afirma o professor de mercado financeiro da FIPECAFI, George Sales. Nesta semana, o mercado financeiro reviu para cima as expectativas para inflação anual. O boletim Focus trouxe a terceira alta seguida das projeções para inflação: de 4,17% para 4,31%. A previsão se aproxima do teto da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) que é de 3%, com limite de tolerância até 4,5%. 

O caminho inflacionário começa nos combustíveis. O primeiro efeito da escalada do preço do petróleo, na gasolina e diesel, pressiona o grupo de transportes no índice. Mas esse efeito inicial é só uma parte do problema. O principal vem depois. Com o diesel mais caro, o custo do transporte rodoviário, predominante no Brasil, aumenta. Isso encarece a distribuição de alimentos, bens industriais e praticamente tudo o que circula no país. Parte desse aumento é repassada ao consumidor final.

Segundo estimativas usadas pelo mercado e pelo Banco Central, uma alta de 10% no petróleo pode adicionar entre 0,2 e 0,4 ponto percentual ao IPCA. Se essa alta de 50% ocorrer para gasolina e diesel, pode adicionar entre 1,5 e 3 pontos percentuais ao IPCA, calcula o professor Sales. A variação média dos combustíveis em março foi de 9,81%, segundo o IBPT.

Além disso, o petróleo encarece insumos relevantes, como fertilizantes e derivados petroquímicos, ampliando a pressão sobre alimentos e produtos industrializados.

Aviação antecipa impacto na inflação

Se o efeito do diesel é mais espalhado e gradual, o da aviação tende a aparecer mais rápido nos índices. O querosene de aviação, que representa entre 30% e 40% dos custos das companhias aéreas, já subiu. A Petrobras elevou o preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) em cerca de 55% para as distribuidoras em abril. A expectativa é de repasse para as passagens nas próximas semanas.

Para Edson Mendes, CFP e sócio-fundador da Private Investimentos, o reajuste do combustível estava represado. “A Petrobras segurou muito para passar esse aumento e agora ela repassou. Já há movimentos de estados para tentar segurar esse impacto, mas a paridade com o preço internacional ainda está muito defasada”, afirma, citando a ação de subvenção a importadores de diesel com o objetivo de bancar o custo do ICMS sobre o produto. Segundo ele, o efeito já deve aparecer nos dados de curto prazo. “Esses efeitos já vão ser sentidos a partir de abril. O IPCA-15 já deve trazer algum reflexo desse aumento”, diz.

 As passagens aéreas têm peso de cerca de 1% a 1,5% no IPCA, mas são altamente voláteis, explica o professor da FIPECAFI. “Em episódios recentes, aumentos expressivos nas tarifas contribuíram com até 0,3 ponto percentual na inflação anual. Além do efeito direto das passagens, há impactos indiretos. O encarecimento das viagens afeta o turismo, reduz o consumo em serviços e eleva custos corporativos, pressionando ainda mais a inflação de serviços”, diz Sales.

Choque mais persistente reduz espaço para corte de juros

Esse tipo de movimento muda a leitura da política monetária porque deixa de ser um choque isolado e passa a contaminar outros preços, na visão dos especialistas consultados.

Para Edgar Araujo, CEO da Azumi Investimentos, o risco está nos efeitos de segunda ordem.”A alta do petróleo pressiona o IPCA por dois canais: o direto, via combustíveis, e o indireto, via diesel, que encarece o transporte e espalha a inflação”, afirma. “O problema surge quando esses aumentos começam a gerar efeitos de segunda ordem.”

Nesse cenário, o Comitê de Política Monetária tende a ser mais cauteloso, reduzindo o espaço para cortes de juros no curto prazo. “Mesmo diante de sinais de desaceleração econômica, a autoridade monetária pode postergar cortes de juros ou até interromper um ciclo de queda”, diz. Sales.

Antonio Patrus, diretor da Bossa Invest, vai na mesma linha . “A alta da inflação, alimentada pelos combustíveis, pode reduzir a margem de manobra do BC, dificultando qualquer sinal de flexibilização monetária”, diz. Essa conjuntura, segundo o executivo, exige maior atenção ao controle da inflação, reforçando a necessidade de vigilância sobre o impacto desses custos no poder de compra da população e na economia de modo geral.



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