Bom dia. Estamos na quarta-feira, 29 de abril.
Cenários
O petróleo voltou a subir nesta quarta-feira (29), sustentado pela escalada das tensões no Oriente Médio e pela saída surpreendente dos Emirados Árabes Unidos da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), enquanto os mercados acionários americanos operam em alta
no pré-mercado, impulsionados pela expectativa dos resultados trimestrais de quatro das sete maiores empresas de tecnologia do mundo.
O barril do Brent, referência internacional, subia cerca de 3%, negociado a US$ 114,64, ampliando uma sequência de sete sessões consecutivas de alta. O WTI, petróleo americano, avançava 3,6%, a US$ 103,54 o barril — acumulando ganhos superiores a 49% desde o início do conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irã, deflagrado em 28 de fevereiro.
O movimento de alta foi alimentado por relatos de que o governo Trump pretende ampliar o bloqueio aos portos iranianos, aprofundando o temor de uma interrupção prolongada no tráfego pelo Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa parcela significativa do petróleo mundial.
Em publicação na plataforma Truth Social, o presidente americano ameaçou o Irã, afirmando que o país “é melhor ficar esperto logo”, acusando a liderança iraniana de não ter “se organizado”. As negociações para encerrar o conflito parecem ter estagnado nos últimos dias.
A saída dos Emirados Árabes da Opep, embora considerada um golpe significativo para o bloco, deve ter impacto limitado no mercado no curto prazo, segundo analistas do banco holandês ING. Para eles, o principal fator que continuará ditando os preços do petróleo é a evolução da crise no Golfo Pérsico e a perspectiva de retomada dos fluxos de óleo pelo Estreito de Ormuz. A saída dos Emirados, contudo, foi vista como favorável à agenda de Trump, que busca reduzir a influência da organização no mercado global de energia.
Do lado das bolsas, o cenário é de otimismo cauteloso. Os futuros do S&P 500 avançavam 0,1%, enquanto os contratos do Nasdaq 100 subiam 0,4% no pré-mercado. O otimismo reflete a expectativa em torno dos balanços do primeiro trimestre de quatro das chamadas “Magnificent Seven” — Alphabet, Amazon, Meta Platforms e Microsoft —, que devem divulgar seus resultados após o fechamento dos mercados nesta quarta-feira. Os investidores aguardam que essas companhias apresentem receitas robustas, capazes de justificar os bilionários investimentos que vêm fazendo em infraestrutura de
inteligência artificial.
A sessão anterior havia sido de perdas para as ações de tecnologia, após o Wall Street Journal reportar que a OpenAI teria ficado aquém de suas próprias metas de crescimento de receita e de usuários — notícia que pesou sobre o setor e arrastou o mercado para baixo.
Perspectivas
Além dos balanços das big techs, os investidores estão atentos a dois eventos-chave de política monetária que serão decididos ainda nesta quarta-feira. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve divulga o resultado de sua reunião de política monetária — possivelmente a última presidida por Jerome Powell como chairman do banco central americano. No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) também anuncia sua decisão sobre a taxa Selic. As duas decisões têm potencial para mover os mercados de forma expressiva, e os agentes financeiros aguardam com atenção os comunicados e sinalizações sobre os próximos passos da política de juros nos dois países.
Indicadores
BRASIL
IGP-M (Abr)
Observado: 2,73%
Esperado: 2,50%
Anterior: 0,52%
Taxa de juros Selic
Esperado: 14,50%
Anterior: 14,25%
Comunicado Copom
ESTADOS UNIDOS
Reunião do FOMC
Esperado: 3,50% / 3,75%
Anterior: 3,50% / 3,75%
Coletiva de Jerome Powell