A Polícia Federal prendeu na manhã desta quinta-feira (16) o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa por suspeita de negociar o recebimento de propina de R$ 146 milhões em um esquema criminoso para beneficiar o Banco Master em operações financeiras fraudulentas e até levar o banco estatal de Brasília a adquiri-lo, de acordo com a decisão que autorizou a operação e com fontes da PF com conhecimento do caso.
Segundo a decisão, Paulo Henrique foi “peça essencial para viabilizar a aquisição de carteiras fraudulentas e, em contrapartida, recebeu vantagem indevida consistente em seis imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília, avaliados em R$ 146.582.649,50, dos quais R$ 74.604.932,47 já teriam sido efetivamente pagos”.
Mesmo ciente das dificuldades do Master desde o final de 2024, Paulo Henrique se empenhou diretamente para favorecer a instituição usando o BRB, conforme a decisão.
Ao mesmo tempo, o então presidente do banco estatal do Distrito Federal negociava diretamente com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Master, um pacote de recebimento de imóveis de luxo. Costa teria chegado a falar que iria constituir uma holding familiar para tentar dissimular a vantagem indevida, segundo a decisão.
“Há, ainda, elemento específico segundo o qual o próprio Paulo Henrique solicitou que se deixasse em branco o campo de adquirente de imóvel, sob a justificativa de que estaria compondo uma holding familiar, dado que, em tese, converge com a estratégia de ocultação patrimonial”, descreve a decisão.
A prisão faz parte da quarta fase da operação Compliance Zero, que iniciou em novembro do ano passado com a investigação envolvendo o Banco Master, de Vorcaro, hoje preso. A instituição foi liquidada pelo Banco Central no mesmo mês. Naquela ocasião, Costa foi afastado por ordem judicial do comando do BRB.
Também foi preso o advogado Daniel Monteiro, ligado a Vorcaro e apontado como um dos operadores do acerto financeiro com o presidente do BRB, segundo a decisão.
Segundo nota da PF, que não cita nomes dos alvos da operação, policiais federais cumpriram dois mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Distrito Federal e em São Paulo, relacionados ao pagamento de “vantagens indevidas que teriam sido destinadas a agentes públicos”.
Procurada, a defesa de Costa não respondeu. O ex-executivo tem dito, desde o início das investigações, que não cometeu qualquer irregularidade.
De acordo com uma das fontes, a investigação indica que Costa teria recebido propinas para facilitar a relação do Master com o BRB. Já Monteiro é acusado de redigir contratos fraudulentos e criar mecanismos para esconder o pagamento de propinas ao ex-presidente do BRB.
Estão sendo investigados os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa.
Durante a crise do Master, o BRB, banco estatal do governo do Distrito Federal, apareceu como principal interessado em comprar o Master, mas a operação foi barrada pelo Banco Central por não apresentar viabilidade econômica.
Ainda assim, o BRB tem cerca de R$ 15 bilhões em ativos ligados ao Master, o que gerou prejuízos e levou à necessidade de uma capitalização do banco estatal brasiliense.