A série Emergência Radioativa, da Netflix, relembra o acidente com o césio-137 em Goiânia, em 1987. Quase quatro décadas depois, os rejeitos seguem ativos e só devem atingir níveis seguros em cerca de 300 anos, por volta de 2287.
Na época do acidente, dois catadores encontraram uma cápsula em uma clínica de radioterapia abandonada. Após a venda para um ferro-velho, o material radioativo se espalhou, contaminando 249 pessoas na capital goiana. Dos infectados, 129 precisaram de acompanhamento médico e quatro morreram.
Após o episódio, cerca de seis mil toneladas de rejeitos foram levadas para Abadia de Goiás em 25 de outubro de 1987. O material ficou inicialmente em um depósito provisório a céu aberto, armazenado em tambores, caixas e contêineres.
A destinação gerou impasse nacional. Após protestos, o governo decidiu manter os rejeitos em Goiás e criou, em 1989, o Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro-Oeste. Em 1991, teve início a construção do depósito definitivo.
O aterro permanente foi inaugurado em 5 de junho de 1997, com estrutura de concreto e camadas de proteção contra infiltração. Parte do material tem baixa radioatividade, mas todo o conjunto deve perder o poder radioativo em cerca de 300 anos, segundo o Governo de Goiás.