As ações da Alphabet (GOOG) subiram mais de 250% desde o início de 2023. É um excelente desempenho para o Google. Já os papéis da Microsoft (MSFT) registraram uma alta mais moderada, de 56% no mesmo período. Pode parecer surpreendente, mas as ações da Alphabet valorizaram mais de quatro vezes em relação às da Microsoft.
Isso chama atenção quando se observa que a receita da Microsoft cresceu 44% desde 2023, enquanto a do Google avançou apenas 31%. Essa diferença faz sentido? Na nossa avaliação, não. E acreditamos que a Microsoft oferece uma avaliação mais atrativa nos níveis atuais. Vale entender como o crescimento e as margens da empresa se comparam com seus principais concorrentes, como GOOG, AMZN e META.
De fato, as margens de lucro do Google (lucro líquido em relação às vendas) são robustas, em torno de 33%. Ainda assim, ficam abaixo dos 39% da Microsoft, o que torna ainda mais difícil justificar a valorização das ações do Google quatro vezes superior à da Microsoft. Além disso, o múltiplo preço/lucro da Alphabet é significativamente mais alto, em 29 vezes, com base na avaliação atual de mercado e no lucro por ação dos últimos 12 meses. Já o da Microsoft está em 23 vezes, considerado mais atrativo.
Como se comparam os negócios principais de Google e Microsoft?
Ao olhar com mais atenção para as operações, as diferenças ficam mais claras. O Google mantém forte dependência da publicidade, que representa a maior parte de suas receitas. No último trimestre, esse segmento gerou US$ 82,3 bilhões (R$ 469,11 bilhões). Isso torna a empresa mais exposta a uma eventual queda no consumo discricionário.
Por outro lado, empresas de diversos setores estão focadas em eficiência operacional. Nesse cenário, os serviços de nuvem corporativa da Microsoft, usados para sustentar e expandir a infraestrutura digital das companhias, vêm superando as expectativas do mercado. No trimestre mais recente, a divisão Intelligent Cloud gerou US$ 32,9 bilhões (R$ 187,53 bilhões), impulsionada pelo crescimento de 39% do Azure.
Esse avanço contínuo na nuvem é um dos pontos centrais da tese sobre o potencial das ações da Microsoft.
Além disso, embora a Alphabet apresente bom desempenho com o Google Cloud — que gerou US$ 17,7 bilhões (R$ 100,89 bilhões) no último trimestre, com crescimento de 48% — a Microsoft demonstra maior resiliência com seu portfólio voltado à produtividade e softwares corporativos. Isso inclui Azure, Windows e o pacote Office (Word, Excel e PowerPoint), ferramentas que funcionam como infraestrutura essencial para empresas.
Somente o segmento de Produtividade e Processos de Negócios da Microsoft gerou US$ 34,1 bilhões (R$ 194,37 bilhões) no último trimestre. O resultado foi impulsionado pela rápida adoção de inteligência artificial, que levou o número de licenças pagas do Microsoft 365 Copilot a 15 milhões.
Com uma presença cada vez maior na nuvem corporativa, ultrapassando pela primeira vez US$ 50 bilhões (R$ 285 bilhões) em receita total de Microsoft Cloud, e integrações estruturais de inteligência artificial, a empresa se posiciona à frente nesse segmento.
Na nossa avaliação, embora os produtos do Google gerem receitas expressivas, o domínio da Microsoft no mercado corporativo e suas margens operacionais superiores sustentam a tese de que suas ações estão subavaliadas em relação às da Alphabet.
As vantagens estruturais da Microsoft em serviços de nuvem e o avanço em inteligência artificial tornam a empresa uma opção mais atraente do que o Google. Ainda assim, escolher líderes de tecnologia envolve riscos.
Para investidores que buscam estratégias baseadas em dados, com maior previsibilidade, existem alternativas como o portfólio Trefis High Quality (HQ), que superou seu benchmark de mercado, uma combinação de S&P 500, S&P MidCap e Russell 2000, e acumulou retorno superior a 105% desde o lançamento.
* Matéria originalmente publicada em Forbes.com