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Por Que os Bebês Riem Antes de Falar? A Psicologia Explica

Não há nada como testemunhar a primeira gargalhada de um bebê: aquela risada borbulhante que surge durante uma brincadeira de esconde-esconde, diante de uma careta engraçada ou durante o momento de brincar. O que talvez seja ainda mais mágico, porém, é o fato de que eles explodem em risadas muito antes de conseguir produzir uma única palavra coerente.

No entanto, o riso de um bebê está longe de ser apenas ruído ou fofura gratuita. Na verdade, pesquisadores concordam que o riso infantil oferece uma janela sofisticada para a cognição social humana. E, como a ciência recente sugere, ele também ajuda a explicar como os adultos se conectam, desenvolvem empatia e mantêm relacionamentos ao longo da vida.

Por que o riso surge antes da linguagem?

A maioria dos bebês começa a rir por volta dos três a quatro meses de idade, muito antes de a criança média dizer suas primeiras palavras, o que costuma ocorrer entre 10 e 15 meses.

De acordo com um estudo longitudinal de 2015 publicado no Journal of Experimental Child Psychology, bebês muito pequenos, alguns com apenas cinco meses, já respondem com sorrisos ou risadas a comportamentos absurdos ou acontecimentos inesperados. Isso indica que eles já estão interpretando aspectos sutis do mundo ao seu redor.

No entanto, a distinção entre o riso como simples reação e o riso como sinal social surge rapidamente durante a infância. Um estudo longitudinal de 2017 publicado no British Journal of Developmental Psychology buscou avaliar a percepção de humor em bebês entre 4 e 8 meses de idade.

Os pesquisadores mediram o sorriso e o riso dos bebês enquanto lhes apresentavam eventos “absurdos” (por exemplo, uma pessoa usando um nariz de palhaço ou fazendo sons engraçados enquanto cutucava o bebê) em comparação com eventos comuns (como ler um livro ou beber em um copo).

Por volta dos cinco meses, muitos bebês já eram capazes de avaliar algo como engraçado de forma independente, ou seja, riam de algo bobo mesmo quando as pistas emocionais dos pais eram neutras. Isso mostra um envolvimento cognitivo precoce com a incongruência, que é um elemento fundamental do humor.

Em outra pesquisa de 2019 publicada na Scientific Reports, observou-se que bebês de cinco meses conseguiam distinguir entre risadas compartilhadas por amigos e risadas entre estranhos. Quando ouviam gravações de pessoas rindo juntas, os bebês prestavam mais atenção quando os amigos faziam parte da risada.

Essa descoberta é significativa: ela sugere que os bebês são sensíveis à afiliação social antes mesmo de serem capazes de falar. A capacidade de perceber qualidades relacionais no riso, mesmo sem linguagem, indica que os seres humanos podem ter evoluído com um sistema de detecção de vínculos sociais e que o riso é uma parte importante dele. Os pesquisadores interpretaram isso como evidência de que os bebês são “programados” para detectar laços sociais apenas a partir de pistas vocais.

Por que o riso é tão importante para os humanos?

Curiosamente, o riso infantil inicial apresenta semelhanças acústicas com os sons emitidos quando primatas brincam juntos, o que indica a profundidade de suas raízes evolutivas.

Um estudo de 2021 publicado na revista Biology Letters analisou o riso de bebês e descobriu que crianças muito pequenas riem de forma semelhante aos chimpanzés, produzindo risadas tanto na inspiração quanto na expiração. À medida que crescem, porém, esse padrão passa gradualmente a se aproximar do riso típico dos adultos, moldado pela interação social e pelo aprendizado vocal.

Essa perspectiva evolutiva reforça um ponto essencial: o riso servia como um mecanismo de vínculo muito antes de a linguagem formal existir. Nossos ancestrais primatas utilizavam vocalizações durante a brincadeira para sinalizar segurança e conexão social — e os humanos herdaram e ampliaram esse sistema.

Um estudo de 2012 publicado na Infant Behavior and Development mostrou que bebês que apresentavam níveis mais altos de sorriso e riso nas interações com os pais entre 3 e 6 meses tendiam a demonstrar maior segurança de apego aos 12 meses. Isso indica que a forma como os bebês se envolvem socialmente, mesmo por meio do riso, pode refletir e influenciar a qualidade de seus vínculos emocionais.

Essa conclusão também é apoiada por pesquisas sobre apego na vida adulta, que mostram que o humor desempenha um papel importante na qualidade dos relacionamentos. Entre adultos, a capacidade de divertir os outros e criar momentos de humor compartilhado está associada a maior intimidade, confiança e sensação de proximidade.

Por que o riso dos bebês importa para a vida adulta

Quando reunimos todas essas descobertas, fica claro que o riso e o humor não são apenas elementos superficiais das relações humanas. Desde a infância até a vida adulta, eles são essenciais para interpretar sinais sociais, construir experiências compartilhadas e regular emoções.

Atenção compartilhada. O riso precoce frequentemente surge em jogos interativos entre bebês e pais. Nessas situações, duas ou mais pessoas direcionam a atenção para o mesmo evento — algo fundamental para o desenvolvimento da linguagem e da aprendizagem social.

Regulação emocional: o riso compartilhado ajuda os bebês a regular emoções, criando estados afetivos positivos que fortalecem o vínculo. Nos relacionamentos adultos, o riso continua desempenhando essa função: reduz a tensão e sinaliza segurança.

Crescimento cognitivo e social: por volta dos cinco meses, os bebês já conseguem interpretar incongruências, um componente básico do humor. Esse é o início do envolvimento cognitivo com o ambiente, um precursor da cognição social mais complexa e do uso da linguagem.

Continuidade evolutiva: do ponto de vista evolutivo, o riso precede a linguagem e provavelmente evoluiu para manter a coesão do grupo. O riso dos bebês como sinal de vínculo reflete essa função ancestral e ajuda a explicar por que o humor permanece central na vida social humana, desde brincadeiras infantis até jantares entre amigos.

O fato de os bebês rirem antes de falar é uma pista fundamental sobre como os seres humanos evoluíram para se comunicar, criar vínculos e se conectar. E, nesses primeiros meses cheios de gargalhadas, os bebês fazem muito mais do que demonstrar alegria: eles estão interagindo com o mundo social de maneiras que ecoarão por toda a vida.

*Mark Travers é colaborador da Forbes USA. Ele é um psicólogo americano formado pela Cornell University e pela University of Colorado em Boulder.



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