O acordo anunciado pela Amazon na terça-feira (14) para comprar a Globalstar por US$ 11,57 bilhões amplia a presença da empresa no mercado de internet via satélite. A aquisição da Globalstar ocorre em um cenário de avanço da conectividade via satélite e aumento da competição no setor. Hoje, a Starlink, de Elon Musk, é a principal referência global em internet via satélite, com uma rede já em operação.
No comunicado, a Amazon afirma que pretende ampliar serviços de voz, dados e mensagens fora da cobertura tradicional, por meio da tecnologia direct-to-device (D2D).
A empresa também diz que a integração com a Globalstar permite acelerar essa implementação em escala, ao combinar sua rede com infraestrutura já existente e licenças de espectro com alcance global.
A iniciativa no entanto faz parte de um projeto lançado em 2019 por Jeff Bezos. Conhecida como Project Kuiper, a iniciativa tem como objetivo levar internet para qualquer lugar do mundo por meio de satélites em órbita baixa. A rede em desenvolvimento inclui milhares de satélites, conectados a antenas em solo e a uma infraestrutura global própria, com foco em atender consumidores, empresas e governos, além de aplicações como logística, operações remotas e serviços de emergência.
Com a compra, a Amazon passa a incorporar satélites já em operação, infraestrutura e licenças de espectro com alcance global.
Os números do acordo
Pelos termos do acordo, os acionistas da Globalstar poderão escolher entre receber US$ 90 por ação em dinheiro ou 0,3210 ação da Amazon por papel. No entanto, há um limite: no máximo 40% do valor total da operação poderá ser pago em dinheiro. Caso a demanda por pagamento em caixa seja maior, o excedente será automaticamente convertido em ações da Amazon.
O valor total da transação também pode sofrer ajuste. O contrato prevê uma redução de até US$ 110 milhões caso a Globalstar não cumpra determinadas metas operacionais definidas no acordo.