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Produção de Azeite em Portugal Quintuplicou nos Últimos 26 Anos e o Brasil É Freguês

A produção de azeite em Portugal, que na atual safra chegou a 160 mil toneladas, quintuplicou nos últimos 26 anos, mas o setor ainda pode crescer em quantidade e valor, destacaram nesta semana diversos especialistas reunidos em Moura, considerada uma das capitais do azeite no país, especialmente no Alentejo, a principal região olivícola do país. “Desde o início do século até hoje [ou seja, este ano], quintuplicamos a produção nacional, em média”, destacou o presidente do Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo (CEPAAL), Manuel Norte Santo.

Ele foi uma das lideranças presentes ao Congresso Nacional do Azeite, realizado na sexta-feira (8), no distrito de Beja. Segundo o executivo, a safra 2025-2026, representa, “considerando o valor médio pelo qual o azeite a granel está sendo comercializado, 700 milhões de euros” (R$ 4,03 bilhões na cotação atual) para o país.

Santo afirmou que “mais de 50%” do azeite produzido ainda é comercializado a granel, sobretudo para exportação, mas sustentou que o Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo (CEPAAL) está empenhado em criar “uma valorização maior deste azeite”, por meio da criação “de uma marca guarda-chuva de azeite português”.

Dessa forma, será possível que essa marca seja “mais valorizada e tenha mais projeção, para que esses 700 milhões possam se manter em Portugal e se comercialize ainda mais com o selo de azeite português”, ressaltou.

O que pretendemos é que esses mais de 50% não sejam vendidos a granel, mas sim embalados, vendidos e estejam nas prateleiras com a marca de azeite nacional, ficando aqui esse valor agregado, em vez de ficar na Espanha ou na Itália”, esclareceu.

Vale registrar que esses países compram a granel. O Brasil é historicamente o principal destino do azeite português embalado e, em diversos anos, respondeu por cerca de 35% a 50% das exportações de azeite de Portugal. O mercado brasileiro importa cerca 40 milhões de litros anuais do produto e movimentou aproximadamente € 441 milhões em compras em 2024 (R$ 2,54 bilhões na cotação atual), consolidando o país como um dos pilares da internacionalização do setor oleícola português.

O setor oleícola Português vive “uma transformação muito grande da produção de campo, tanto nos olivais como nos lagares, que são de última geração”, destacou, mas o país “muitas vezes ignora essa vantagem comercial, esse valor econômico que pode reter com a criação de marcas”.

E, em termos de área de plantio dessa cadeia, segundo o presidente do CEPAAL, também houve “um grande crescimento”. Portugal tem agora “350 mil hectares de olival, grande parte no Alentejo, especificamente no Baixo Alentejo”, graças ao perímetro de irrigação criado pelo projeto da barragem do Alqueva. “Ainda há um crescimento que pode acontecer, existe potencial para isso. A questão é também conseguirmos, em outras áreas do nosso território, fazer aquilo que está sendo feito no Baixo Alentejo”, disse.

“O valor recorde de produção em Portugal já foi de 206 mil toneladas de azeite e acreditamos que, dentro de três a cinco anos, consigamos chegar a cerca de 300 mil”, colocando Portugal “no segundo lugar do ranking europeu e no terceiro ou quarto mundial”, diz Gonçalo Moreira.

Também à margem do congresso, integrado à Feira Nacional de Olivicultura, Olivomoura, Gonçalo Moreira, gestor de projetos da Olivum, Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal, destacou que, apesar da queda de 10% na produção de azeite deste ano, tomando 2026, em relação a 2025, estão sempre entrando em produção “novos olivais e novas áreas produtivas”.

“Fomos o primeiro país do mundo a trocar olival moderno por olival ainda mais moderno. Nos últimos anos, temos assistido a uma reconversão de olival em vaso, que é um olival que teria até 800 árvores por hectare, para olivais em sebe, que têm uma capacidade produtiva muito maior”, argumentou.

Por isso, Gonçalo Moreira disse acreditar que, “muito em breve”, com essas novas áreas em sebe, a curva da produção “voltará a crescer, como aconteceu nos primeiros 20 anos” deste século. E nem sequer serão necessários terrenos com irrigação. “Temos o potencial de instalar novos olivais em sebe, mesmo que sejam em sequeiro. Há um grande interesse por parte dos produtores nesse formato de olival, ou seja, mesmo não havendo água, podemos fazer a instalação de um olival em sequeiro, desde que o terreno permita”, afirmou.

Daí que o representante da Olivum compartilhe perspectivas animadoras para os próximos anos: “O valor recorde de produção em Portugal foi de 206 mil toneladas de azeite e acreditamos que, dentro de três a cinco anos, consigamos chegar a cerca de 300 mil”, colocando Portugal “no segundo lugar do ranking europeu e no terceiro ou quarto mundial”.

Publicado originalmente em forbespt.com, com redação Brasil



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