O Asset Under Management (AUM) — indicador que mede o volume de recursos administrados por uma instituição — é uma das principais métricas para avaliar o tamanho e a relevância das gestoras de fundos no mercado financeiro.
Levantamento da Quantum Finance, com base em dados divulgados pela Anbima até fevereiro de 2026, aponta que a BB Asset Management permanece como a maior gestora de recursos do Brasil.
Isaac Marcovistz, head de renda fixa da BB Asset Managemente comentou sobre a liderança, que de acordo com ele é atribuída à trajetória da instituição na indústria de fundos. “Com 40 anos de atividade, a gestora do BB já passou por uma série de desafios, crises financeiras locais e internacionais e alterações regulatórias, estando muito preparada para enfrentar um ambiente de desafios constantes”.
Segundo dados da ANBIMA, o volume total administrado pela empresa soma R$ 1,835 trilhão em janeiro de 2026.
O ranking das maiores gestoras do país é dominado por instituições ligadas a grandes bancos, que concentram boa parte da distribuição de fundos e da captação de recursos de investidores pessoa física e institucionais.
As maiores gestoras do Brasil por patrimônio sob gestão
Além do ranking geral por patrimônio, o levantamento da Quantum Finance também analisa a liderança das gestoras em diferentes classes de ativos, como renda fixa, multimercados e ações.
Entre os fundos de ações locais, o BTG Pactual liderou o mercado em 2023 e 2024. Em 2025, a primeira posição passou para a Sueste Capital, mas o BTG retomou a liderança nas captações registradas em janeiro de 2026. No segmento de fundos multimercados, o destaque recente é o Itaú Asset Management, que aparece à frente da categoria.
Renda Fixa Brilha
Um relatório recente da Moody’s Local Brasil indica que a renda fixa continua sendo o principal destino dos recursos na indústria de fundos brasileira. A categoria representa cerca de 41% do patrimônio líquido total do setor, consolidando-se como o maior segmento do mercado.
Na sequência aparecem crédito privado, ações de mercados nacionais, ações no exterior e fundos multimercados.
Apesar do desempenho recente da bolsa brasileira, a renda fixa continua atraindo fluxos consistentes de capital, impulsionada pelo patamar elevado da taxa básica de juros.
Segundo Marcovistz, o ambiente atual de juros elevados ainda favorece as estratégias da categoria. “Mesmo com expectativa de redução dos juros no curto prazo, ainda temos uma estrutura de taxa que permite um bom nível de remuneração, inclusive em estratégias de baixa volatilidade”, afirmou a gestora.
A Selic, atualmente em 15% ao ano, mantém os retornos de produtos atrelados à taxa de juros em níveis historicamente elevados. Esse cenário sustenta a preferência por instrumentos considerados mais previsíveis em termos de risco e retorno.
Dentro desse segmento, a BB Asset Management aparece como líder no volume administrado em fundos de renda fixa, mantendo ampla vantagem sobre concorrentes como Itaú Asset Management e Bradesco Asset Management.
Geopolítica e fluxo internacional
O comportamento recente dos fluxos globais também ajuda a explicar a demanda por ativos considerados mais conservadores.
Em fevereiro de 2026, o Ibovespa atingiu 191.490 pontos, impulsionado principalmente pela entrada de capital estrangeiro na B3. No acumulado do ano, o saldo positivo de investimentos externos na bolsa brasileira chegou a R$ 42,56 bilhões, ampliando a liquidez do mercado acionário local.
Ao mesmo tempo, eventos geopolíticos elevaram a aversão ao risco global. A escalada do conflito envolvendo os Estados Unidos e o Irã, no fim de fevereiro, provocou forte volatilidade no mercado de commodities e pressionou o preço do petróleo.
A região do estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, tornou-se um ponto de tensão no conflito, gerando incertezas sobre a segurança do fluxo energético global.
Em períodos de instabilidade internacional, investidores costumam realocar recursos de ativos considerados mais voláteis — como ações de mercados emergentes — para instrumentos mais defensivos, incluindo títulos de renda fixa.
Para Marcovistz, tensões geopolíticas também influenciam diretamente as expectativas de inflação e política monetária. “As incertezas em relação à oscilação do preço do petróleo e do dólar levam à incerteza sobre o comportamento da inflação e, como consequência, nas possíveis decisões de condução da política monetária pelo Copom”, afirmou.
Fundos de ações acompanham B3
Os fundos de ações de mercado nacional concentram investimentos em empresas listadas na B3 e acompanham diretamente o desempenho do mercado acionário brasileiro.
Esses produtos buscam capturar a valorização das empresas locais, além da distribuição de dividendos, e costumam refletir as expectativas do mercado em relação a fatores como crescimento econômico, política fiscal e trajetória dos juros.
Segundo dados da Quantum Finance, o patrimônio da categoria registrou expansão entre 2024 e 2025, impulsionado principalmente pela recuperação da bolsa brasileira e pelo retorno do capital estrangeiro para ativos domésticos.
No ranking das gestoras especializadas em ações locais, o BTG Pactual voltou à liderança nas captações registradas em janeiro de 2026. Considerando apenas esse período, a gestora administrava cerca de R$ 65,3 bilhões em fundos da categoria.
Os fundos multimercados ocupam um papel relevante na indústria brasileira por permitirem estratégias mais flexíveis de alocação.
Diferentemente de categorias mais restritas, esses fundos podem investir simultaneamente em diferentes classes de ativos — como juros, câmbio, renda variável e mercados internacionais — ajustando as posições conforme o cenário econômico.
Nesse segmento, o Itaú Asset Management aparece como líder recente. Levantamento da Quantum Finance indica que a gestora ocupou a primeira posição em patrimônio administrado na categoria em 2024, 2025 e também nos dados preliminares de 2026.
Em 2025, o volume de recursos administrados em fundos multimercados pela instituição superou R$ 2 trilhões.
A diversificação de estratégias tende a ganhar relevância em períodos de maior volatilidade global, quando gestores buscam oportunidades em diferentes mercados e classes de ativos.