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Quando a Inteligência Artificial Entra no Trabalho — e na Nossa Cabeça

Quando eu era mais jovem, o futuro parecia mais previsível. Havia maior expectativa de estabilidade profissional, e as carreiras eram mais lineares. Com frequência, as pessoas se aposentavam no mesmo local de trabalho. Hoje, a ideia de futuro tornou-se mais nebulosa. Entre mudanças climáticas, conflitos globais e a crescente precarização do trabalho, a sensação de incerteza passou a fazer parte do nosso dia a dia. Esse é um dos combustíveis da ansiedade.

Agora surge um novo tipo de inquietação: o medo de se tornar dispensável diante da inteligência artificial. Não se trata apenas de saber lidar com uma nova tecnologia, mas de enfrentar a sensação de que o próprio trabalho — e, em certa medida, as competências que se acumularam ao longo da vida profissional — podem perder valor. Esse desconforto já tem até nome: ansiedade relacionada à IA.

Não é a ansiedade clássica, mas um termo popular que descreve a incerteza de um dia chegar ao trabalho e perceber que se tornou substituível por uma máquina. É como andar sobre gelo fino. Sabemos que ele pode quebrar, mas não quando. A sensação é de tensão e alerta constantes.

A inteligência artificial deixou de ser uma promessa distante. Hoje ela automatiza tarefas, produz conteúdos, analisa e organiza informações complexas, tarefas tradicionalmente realizadas por seres humanos. Seus efeitos sobre a produtividade são evidentes. Os impactos sobre a saúde mental, entretanto, ainda são pouco discutidos.

A inquietação vai além do risco de perder o emprego. Envolve pressão constante para se atualizar, o medo de virar um profissional obsoleto e a incerteza em relação ao futuro profissional. Mesmo profissionais altamente qualificados, como é o caso dos próprios desenvolvedores de programas para computador, têm relatado aumento de estresse, insegurança e esgotamento diante da rapidez das transformações.

Esses sinais não são exagerados. O trabalho não é apenas fonte de renda. Ele nos ajuda a organizar uma rotina, estimula a criação de laços, oferece um senso de propósito e, para muitos, ajuda a estruturar a identidade. Quando essa relação se torna instável, surgem sintomas típicos do estresse: tensão, dificuldade para dormir, taquicardia.

Diante de transformações tão rápidas — e que não darão um passo atrás —, é natural que surjam inseguranças. A pergunta é: como lidar com esse cenário de forma saudável? Não há resposta única, mas algumas estratégias podem ajudar a reduzir o impacto emocional dessas mudanças.

  1. Atualize-se: Invista em aprendizado contínuo. Familiarizar-se com novas tecnologias reduz a sensação de ameaça e aumenta a percepção de controle.
  2. Fortaleça as competências que são essencialmente humanas: Empatia, pensamento crítico e comunicação são competências centrais mesmo em ambientes guiados pela inteligência artificial.
  3. Seja flexível: Flexibilidade e capacidade de adaptação permitem enfrentar cenários incertos. Rigidez não combina com um mundo em constante mudança.
    A inteligência artificial continuará redefinindo o trabalho. Por outro lado, características essencialmente humanas continuam relevantes em qualquer cenário.

Talvez a resposta mais produtiva seja usar essa ansiedade a nosso favor. Ela pode funcionar como estímulo para desenvolver novas habilidades e criar formas inéditas de atuação nesse contexto em transformação.

*Dr. Arthur Guerra é professor da Faculdade de Medicina da USP, da Faculdade de Medicina do ABC e cofundador da Caliandra Saúde Mental.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião da Forbes Brasil e de seus editores.



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