Seja Bem Vindo - 29/04/2026 06:54

  • Home
  • Política
  • Quanto custou pouso de helicóptero no Palácio dos Bandeirantes em 2022

Quanto custou pouso de helicóptero no Palácio dos Bandeirantes em 2022

Mensagens obtidas pelo Metrópoles mostram que a negociação da autorização para que um suposto membro da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) pousasse um helicóptero no Palácio dos Bandeirantes, em março de 2022, para ir a um jogo de futebol durou menos de 6 horas e teve até pedido de dinheiro.

“Quero mais dois mil reais caralho (sic)”, disse Thiago Rocha, atual suplente de deputado federal pelo PSD de São Paulo, em resposta ao pedido feito pelo empresário João Gabriel de Mello Yamawaki, tido como operador do Primeiro Comando da Capital (PCC), na manhã do dia 10 de março de 2022. Rocha foi preso nessa segunda-feira (27/4) por suspeita de integrar o “núcleo político” do PCC.

A mensagem chegou ao celular do empresário às 14h33, menos de seis horas após João Gabriel fazer o pedido à Thiago, às 8h58. A confirmação veio por meio de um print de um e-mail assinado pelo Núcleo de Aviação da Casa Militar autorizando o pouso.

Troca de mensagens mostra que Casa Militar autorizou pouso de helicóptero

A velocidade com a que Thiago conseguiu a autorização chamou a atenção da Polícia. “Surpreendeu-nos ainda a rapidez com que todo esse trâmite se desenvolveu, já que as tratativas se iniciaram às 8h58 e a autorização deferida às 14h23”, diz a representação policial enviada à Justiça pedindo a prisão de Thiago e de outros quatro suspeitos. O conteúdo está em segredo de justiça, mas o Metrópoles teve acesso ao material.

Um ex-assessor da gestão João Doria (PSDB) e atual suplente de deputado federal paulista pode ter sido o responsável pela articulação Isso porque, segundo a investigação policial, o número de Adriano Guimarães Simões, ex-assessor do secretário de Desenvolvimento Regional Marco Vinholi (Republicanos), aparece entre os contatos do celular de Thiago Rocha (PSD).

Os documentos mostram que no dia 10 de março de 2022, data em que o São Paulo enfrentaria o Palmeiras no Estádio do Morumbi, Thiago recebeu uma mensagem de outro suposto membro do PCC, João Gabriel de Mello Yamawaki, pedindo ajuda para utilizar o heliponto do Palácio dos Bandeirantes.

Quanto custou pouso de helicóptero no Palácio dos Bandeirantes em 2022 - destaque galeria

2 imagens

João Gabriel de Mello Yamawaki pousou helicóptero, no Palácio dos Bandeirantes, em 2022, para assistir a clássico no Estádio do Morumbi.

João Gabriel de Mello Yamawaki
1 de 2

João Gabriel de Mello Yamawaki

Divulgação/Câmara de Mogi das Cruzes

João Gabriel de Mello Yamawaki pousou helicóptero, no Palácio dos Bandeirantes, em 2022, para assistir a clássico no Estádio do Morumbi.
2 de 2

João Gabriel de Mello Yamawaki pousou helicóptero, no Palácio dos Bandeirantes, em 2022, para assistir a clássico no Estádio do Morumbi.

Reprodução.

Thiago respondeu dizendo que, como João Gabriel era de “origem oriental”, diria ao Palácio que representantes de uma “delegação do Japão” estariam na aeronave para conseguir a autorização. Na sequência, ele afirma que conseguiu o “gabinete do secretário Marco Vinholi” e que iria mandar os dados para a Casa Militar para obter a autorização do pouso.

A investigação faz ressalva ao fato de que, apesar de citar Vinholi nominalmente, não é possível afirmar que o pedido foi feito diretamente ao então secretário porque não foi localizado o contato de Vinholi no celular de Thiago.

Apesar disso, um contato gravado como “Adriano Deputado Vinholi” foi encontrado no celular do ex-vereador de Santo André e foi destacado na representação policial que diz que “isso pode indicar que Adriano seria a pessoa responsável em ‘agilizar’ o uso das dependências do Palácio do Governo por um integrante do PCC”.

“O que resta saber é se as informações dadas acerca dos motivos para pouso da aeronave foram minimamente verificadas, pois é extremamente grave que com um simples pedido e informando apenas que uma “delegação do Japão” estaria embarcada em um helicóptero, consiga-se pousar tão facilmente dentro do Palácio do Governo”, continua o documento, que é assinado pelo delegado Fabricio Intelizano.

O texto da representação ressalta, ainda, que é preciso verificar “se houve conivência de um ou mais servidores públicos que trabalham no Palácio dos Bandeirantes”. A reportagem perguntou ao governo atual, de Tarcísio de Freitas (Republicanos), se alguma investigação interna foi aberta sobre o caso e para entender quem autorizou o voo pela Casa Militar.

A gestão não respondeu ao questionamento e afirmou apenas que a autorização para pousos e decolagens no heliponto do Palácio dos Bandeirantes segue critérios técnicos e operacionais determinados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Outro lado

O Metrópoles também procurou Adriano, o funcionário mencionado pela investigação. Ele negou envolvimento no caso. “Em 2021 eu fui exonerado, saí do Palácio. Então isso não procede. Eu nem conheço, nem sei quem é, esse Thiago”, disse o político.

Questionado sobre por que acreditava que Thiago tinha seu contato salvo, ele disse que Thiago foi vereador de Santo André e, por isso, deveria ter seu número. “Eu era assessor do Palácio, do governo. Todos os vereadores do estado de São Paulo, todos os prefeitos, tinham meu contato no celular. Está totalmente equivocada essa investigação”.

Em nota, a assessoria do ex-secretário disse que Vinholi “desconhece completamente o assunto”.

“Importante destacar, inclusive, que a pasta comandada por ele, à época, no governo do Estado de São Paulo, não tinha nenhuma gerência quanto ao heliponto do Palácio dos Bandeirantes – uma prerrogativa da Casa Militar”, diz a nota enviada ao Metrópoles.

Depois de sair do governo estadual, Adriano foi candidato a deputado federal por São Paulo em 2022 pelo Partido Progressista (PP).

Em nota, a legenda disse que ele não é mais filiado ao partido. “Ressaltamos que o vínculo mantido anteriormente teve caráter pontual e restrito ao período eleitoral, não havendo, atualmente, qualquer relação política ou institucional entre as partes”, diz a nota.

Em contato com o Metrópoles, a gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que, desde que assumiu o governo, em 2023, nunca autorizou nenhum pouso em nome de João Gabriel de Mello Yamawaki e que, portanto, não tem nenhuma relação com o atual governo.

Já João Doria, por meio de sua assessoria, disse que não vai comentar o caso e que as tratativas sobre o uso do heliponto cabem à Casa Militar, órgão subordinado ao gabinete do governador.



Clique aqui para ver a Fonte do Texto

VEJA MAIS

Leandro Hassum comete nova gafe ao usar termo do BBB na Casa do Patrão

Criticado após a estreia no Casa do Patrão, Leandro Hassum voltou a repercutir nas redes…

Nubank e Mercedes Estreiam Parceria na F1 e Apresentam Macacões Roxos para o GP de Miami

O Nubank e a Mercedes-AMG PETRONAS Formula One Team anunciaram nessa semana uma ativação especial…

O que você precisa saber para começar o dia

Para começar a manhã bem informado e não ficar para trás, confira os acontecimentos regionais…