Os preços do óleo de palma da Malásia devem subir perto de 12%, para 5.200 ringgit (US$1.316) a tonelada, até meados de julho, uma vez que os preços mais altos da energia, decorrentes da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, impulsionam a demanda por biodiesel e reduzem a oferta, disse o analista Dorab Mistry nesta quarta-feira.
O contrato de referência do óleo de palma na Bolsa de Derivativos da Malásia caiu 1,34%, para 4.647 ringgit, no intervalo do meio-dia desta quarta-feira, embora tenha subido cerca de 15% desde o início da guerra no final de fevereiro.
A expectativa é de que os futuros do óleo de palma ampliem os ganhos para cerca de 5.000 ringgit em junho e potencialmente atinjam 5.200 ringgit em meados de julho, devido à demanda por biodiesel, disse Mistry, diretor da empresa indiana de bens de consumo Godrej International.
Mistry é um dos analistas do setor de óleos comestíveis mais observados por agentes de mercado, e suas previsões sobre oferta e preços geralmente movimentam os mercados.
Os preços globais do petróleo atingiram o maior valor em quatro anos, superando US$126 por barril, na semana passada. Essa alta tornou mais atrativo o uso de óleos vegetais para a produção de biocombustíveis.
Os combustíveis refinados, como diesel e gasolina, tiveram alta mais acentuada do que o petróleo bruto após o início da guerra do Irã, disse Mistry.
Como resultado, a diferença entre o diesel fóssil e o biodiesel de palma diminuiu, reduzindo as exigências de subsídios e, em alguns mercados, tornando o biodiesel de palma mais barato do que o diesel fóssil, disse ele.
“O aumento dos preços da energia levou a Indonésia a restabelecer seu programa de biodiesel de palma B50 a partir de 1º de julho de 2026”, disse Mistry. “Os mandatos de biodiesel estão sendo aumentados em outros países, como Malásia, Tailândia e outros também.”
O óleo de palma concorre com o óleo de soja, que se recuperou nas últimas semanas à medida que os principais produtores — EUA, Brasil e Argentina — aumentaram seu uso para biocombustíveis.