O deputado estadual Emídio de Souza (PT), relator do processo contra o colega Lucas Bove (PL) no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), recomendou a suspensão de 30 dias ao invés da cassação do mandato de Bove por violência política de gênero, após um bate-boca com a deputada Mônica Seixas (PSol). O processo disciplinar foi reaberto em fevereiro deste ano.
Emídio de Souza considerou a representação da deputada do PSol procedente e que aplica uma punição temporária reconhecendo “a gravidade da conduta e sua incompatibilidade com o decoro parlamentar”, seguindo as normas de proteção contra a violência política de gênero. O petista reforçou que “o espaço parlamentar não admite práticas que comprometam a igualdade de participação entre seus membros”.
“A suspensão do mandato, enquanto sanção intermediária, parece certo, cumpre dupla função: repressiva, ao impor consequência concreta e imediata à conduta incompatível com o decoro; e pedagógico-institucional, ao reafirmar, de forma clara, os limites do exercício legítimo da atividade parlamentar”, afirma Emídio de Souza no relatório.
O relator também justificou a existência da violência política de gênero destacando “um padrão de conduta apto a constranger e a deslegitimar a atuação parlamentar feminina”.
O Conselho de Ética da Alesp deve votar o parecer e decidir se Bove será ou não suspenso na próxima quarta-feira (29/4). Caso forme maioria no conselho, a pena aplicada ao deputado será analisada em plenário.
Bove também é réu por violência doméstica e descumprimento de medidas protetivas da ex-esposa, Cintia Chagas, com quem foi casado por cerca de três meses, em 2024.
Procurado pelo Metrópoles, o deputado Lucas Bove afirmou, por meio de nota, que este “esta nova denúncia, a quinta em um ano, é mais um capítulo da perseguição política das feministas contra um deputado que defende a família, os valores cristãos e que tem 22 leis relevantes sancionadas em três anos”. O deputado ainda destacou que “discussões acaloradas são comuns em plenário, onde trato com igualdade todos os parlamentares, sendo contundente em minhas argumentações independentemente do genêro de quem está do outro lado. Tenho excelente relação com a maioria das deputadas da Casa, inclusive com as do PT, porém este pequeno grupelho que não tem trabalho para mostrar precisa desse tipo de atenção em periodo eleitoral”.
Relembre a briga
A briga desta começou enquanto Mônica Seixas discursava na tribuna a respeito da nomeação do corregedor-geral do estado Wagner Rosário. A deputada usou o microfone para perguntar se a sua colega, Professora Bebel (PT), estava incomodada com Bove, que conversava com ela na plateia.
“Ele tem mania, ele fala mesmo, fala com a mão, aquela coisa toda. E é ruim, vamos combinar, vamos nos educar. Eu falo com a mão também. Vamos no educar, porque isso é também uma forma de assédio. É bom que você entenda, Lucas, que nós mulheres, que por mais que a gente conquiste espaços, é difícil a gente enfrentar o que tem que enfrentar para ocupar um espaço”. disse a Professora Bebel (PT) a respeito da abordagem do colega Lucas Bove.
O deputado se incomodou com a pergunta e começou a gritar, dando início ao bate boca. De um lado, Bove, gritava frases como “não se mete nas conversas dos outros, folgada”, enquanto Seixas respondia, também gritando: “Ninguém tem medo de você. Está muito acostumado a ser violento com mulher”.
A briga continuou por alguns minutos. Além de Mônica Seixas, outra parlamentar do PSol, Paula da Bancada Feminista, começou a gritar: “Vai bater em mulher, Lucas?” e “bate com alguém filmando”. Depois da briga, Bove foi ao microfone se desculpar por ter perdido a paciência.