Além do icônico Speedmaster X-33, os astronautas da missão Artemis II, que chegou ao lado oculto da lua, usavam um relógio científico criado por brasileiros. O dispositivo, diferente de um smartwatch, é destinado a registrar padrões de sono, movimentos corporais e exposição à luminosidade, com foco estritamente científico.
Chamado Actígrafo, foi criado pelo professor Mario Pedrazzoli, da Universidade de São Paulo (USP), e desenvolvido na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH). As mediçõessão feitas a partir do pulso humano, acompanhando variáveis e registrando avanços siginificativos no ritmo do corpo humano. Sua precisão se torna essencial em ambientes extremos, de forma a garantir saúde, bom desempenho e segurança dos astronautas.
O equipamento foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e aprimorado pela Condor Instruments, empresa estrangeira que também o produziu. “Para a EACH, a utilização do dispositivo em missões espaciais representa uma conquista de grande relevância, evidenciando o impacto global da pesquisa desenvolvida na unidade e reforçando o papel da universidade pública brasileira na produção de conhecimento científico de excelência”, escreveu a instituição em comunicado oficial.
Para que um relógio seja aprovado para viagens espaciais, é necessário que passe por uma série de testes conduzidos pela NASA, que verificam a resistência e segrança no produto no contexto extra-atmosférico. O Speedmaster X-33, por exemplo, é resistente à corrosão e variações térmicas.
Para além do uso espacial, os dados coletados contribuem para avanços em pesquisas sobre distúrbios do sono e qualidade de vida dos seres humanos, podendo inclusive subsidiar políticas públicas em torno do tema.
A participação do Brasil em ciência espacial
Entre os planos do Brasil para os próximos anos, está ampliar a presença da Agência Espacial Brasileira, segundo presidente Marco Antônio Chamon. O avanço da área ainda carece, no entanto, de investimentos contínuos e integração com empresas nacionais.
Entre as propostas mencionadas estão um satélite de pequeno porte para pesquisas na órbita da Lua — além de satélites geoestacionários e meteorológicos — e um experimento de agricultura espacial. Ainda segundo Chamon, o País tem condições geográficas e tecnológicas para desenvolver um programa espacial robusto.
Desde junho de 2021, o país participa do programa Artemis II, ao lado de outros 60 países signatários. A tripulação retornou ao planeta terra na última sexta-feira (10) após uma viagem de 10 dias com o objetivo de explorar o satélite natural e avaliar possíveis missões em marte.